Uma conversa recheada de versos e prosas, assim aconteceu a entrevista com Ivair Nilton Fusinato, o Pinduca. Sua paixão pela poesia, ele conta que aconteceu ainda na infância. “Nós eramos em três irmãos e quando criança, tínhamos o hábito de trovar e fazer versos, e eu sempre fui um apaixonado pela literatura, principalmente, pela literatura de cordel, com nove anos já lia Lampião, o Rei do Cangaço”, conta.
Na escola, Pinduca aprimorou sua veia poética. “Mas à medida que o tempo foi passando, eu percebo que não tem mais espaço para o poeta. Porque o dia a dia que nós vivemos é muito diferente”, afirma.
O poeta acredita que todos sejam capazes de fazer poesia. “Você só vive o mundo dos teus sonhos através da poesia, porque a realidade, o dia a dia é muito difícil”.
Pinduca tem mais de 50 poesias, todas elas na ponta da língua. “Tenho muita facilidade de memorizar, alguma coisa eu escrevo e vou indo por partes”.
Além de sua memória, apenas um livro de Avito Correia carrega algumas das obras do cordelista caçadorense.
Para o metalúrgico aposentado, a poesia sempre foi sua válvula de escape. “Mas antes, os versos e rimas fluíam com mais facilidade”, admite.
Por sua dedicação à literatura e à cultura popular, constantemente, Ivair é convidado a ministrar palestras em escolas. “Eu vou nas escolas quando sou convidado e passo as minhas experiências. Trabalho com eles a poesia e o folclore, e eu consigo segurar 50 crianças, porque eles realmente gostam”, afirma.
Aos alunos, Pinduca procura ressaltar as coisas boas da vida. Sua principal inspiração, de acordo com ele, é a natureza e o ser supremo.
A técnica da poesia, Pinduca conta que aprendeu com João Pedro Carneiro, a quem ele considera um mestre da área. Apesar de admitir a importância de obter conhecimento técnico, Pinduca afirma que as poesias mais populares não são estudadas. “Eu acho que na simplicidade tem muito mais beleza”.
Falando em mestres da área, o poeta caçadorense se diz bastante eclético e as suas influências caminham entre os extremos da poesia. “Gosto desde Jaime Caetano Braun à Patativa do Assaré”, afirma.
Atualmente, Ivair Nilton Fusinato é membro da Academia Caçadorense de Letras.
O que eu penso da poesia:
Pra mim, a poesia é uma filosofia de vida
Que aos poucos, dia a dia, está ficando esquecida
Mas você também é capaz de formar uma estrofe completa
De falar de amor e paz e ser também um poeta.
De olhar o universo e adorar a natureza
E através de cada verso descrever sua beleza.
De ver duendes e fadas num mundo de fantasia
E descrever sua amada nos versos de uma poesia
De sonhar com uma viagem, de encontrar um castelo
E com figuras de linguagem tornar o sonho mais belo
De olhar uma criança alegre e contente
E num instante de esperança com seu sorriso inocente
Esperança de um novo dia, de um novo amanhecer
Que somente através da poesia, a gente consegue viver”
(Ivair Nilton Fusinato “Pinduca”)






