3 de outubro de 2026
Laboratório Samet

Fadiga, esquecimento, irritação, acidentes: causas ou consequências de distúrbios do sono?

Por Caçador Online

O sono já era associado com o dia na antiga Grécia (400 AC), Hipócrates escreveu: ”Ambos sono e vigília (estar acordado), quando em excesso são ruins!”. Notadamente devido as preocupações modernas e várias escalas de trabalho que um indivíduo pode assumir, o tempo de sono tem reduzido nas últimas décadas. Pesquisa recente aponta que em relação a década de 90 os brasileiros dormem 1 hora e 30 minutos menos e 63% apresentam distúrbios de sono.

Vários são os distúrbios (disfunção ou anormalidade) encontrados durante o sono, de pessoas que podem, ou não estar sentindo seus efeitos durante o dia. Entre eles estão: o Bruxismo (conhecido como o ranger de dentes), Sonambulismo (movimentar-se na cama ou até para fora desta), Sonilóquio (falar) e Mioclonias do Sono (como sustos em geral no início do sono).

A privação de sono é a consequência de receber uma quantidade ou qualidade de sono inferior ao que se necessita diariamente, semanalmente, ou por tempo mais prolongado. A quantidade de sono está em geral mais associada aos compromissos (trabalho, estudo), lazer (baladas, computador, leitura, etc) e outras razões, ou a associação das primeiras. A qualidade do sono em geral pode estar afetada pelos distúrbios acima referidos ou outras doenças que interrompam o sono como os quadros psiquiátricos (ansiedade, depressão), dor crônica (reumáticos, fraturados, etc) e outras doenças.

As consequências da privação do sono estão cada vez preocupando mais as autoridades do mundo inteiro, pelo seu potencial devastador. Exemplo disto seriam teoricamente inferidos o desastre nuclear de Chernobyl, em 86, e o acidente do petroleiro Exxon Valdez, em 89, na costa do Alasca. Os acidentes de trânsito estão fortemente associados à privação de sono. O CDC órgão norte americano de controle de doenças concluiu que 1 em 5 motoristas que dirigem com sono, pegam no sono ao volante e que 5% dos motoristas de 18-44 anos confessaram ter dormido ao volante no ano de 2012. Semelhante estatística americana aponta, que dirigir com sono é a principal causa de acidentes. Alexandra Martiniuk estudou 19.000 motoristas que recentemente haviam recebido sua carteira de motorista e concluiu que quem dorme 6 ou menos horas por noite tem 55% maior risco de acidente de trânsito, comparado aos que dormem mais.

Apesar de não estar muito claro como o sono está associado a fixação da memória, isto já é certo. Portanto a privação do mesmo tem papel importante no prejuízo escolar e vários estudos mostram um prejuízo na memória de curta e média duração, associações com hiperatividade estão muito estabelecidas, também na área de medicina do sono.

O diagnóstico e tratamento destes distúrbios muitas vezes são auxiliados pela Polissonografia (exame do sono do indivíduo em local controlado), uma vez que o que ocorre durante o sono é em geral oculto ao indivíduo salvo na presença de testemunha.

Márcio Wallério Soares CRM/SC 07145

Neurologia RQE 3727

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