3 de outubro de 2026
Superação

Força de vontade para vencer as drogas

Por Caçador Online

As drogas não fazem parte apenas da realidade da favela ou de partes menos favorecidas da sociedade, mas sim da realidade de todos os indivíduos, podendo estar presentes nos mais diversos contextos e atingindo as mais diferentes classes sociais. Ou seja, o problema do tráfico e do uso de drogas é um problema de toda a sociedade.

E infelizmente a quantidade de pessoas que conseguem se recuperar ainda é muito pequena. Porém, Eduardo de Mello Aguirre conseguiu a grande conquista da sua vida e hoje é um ex usuário de drogas.

Nascido em Uruguaiana (RS), onde morou até os 18 anos, mudou-se para Florianópolis na busca por melhores condições de vida e emprego.

De Uruguaiana, Eduardo tem muitas lembranças e infelizmente algumas delas não muito boas, no entanto, foi isso que o impulsionou na busca pela mudança e melhora.

Filho de mãe diarista e de pai vigilante presenciou a mãe sendo agredida pelo pai e também a separação dos mesmos quando tinha 13 anos. Tem seis irmãos, estudou até a sétima série por não gostar muito dos estudos, porém atualmente diz que voltaria à sala de aula para ter uma boa profissão.

Eduardo revelou que a droga entrou em sua vida a partir de amigos que ofereceram a ele. O jovem dizia que nunca experimentaria, porém acabou caindo na tentação. Iniciou com a maconha aos 13 anos, passou pelo cocaína e crack. Chegou a vender tudo o que tinha dentro de casa para poder sustentar o vício.

O jovem relata que a droga só trouxe desconfiança, decepção e tristeza. Antes de fazer uso de drogas era uma pessoa de confiança e credibilidade para os amigos, porém muitos acabaram se afastando. Fala que a desconfiança é uma das piores coisas que a droga pode causar.

O que mais motivou Eduardo a abandonar as drogas foi ver a tristeza da mãe diante dessa situação, bem como os amigos que o incentivaram para sair dessa.

Eduardo verbaliza que decidiu que não iria mais fazer uso de entorpecentes, pois não queria mais decepcionar sua mãe. Ele conseguiu tirar mais três amigos do vício.

O jovem conta que o grande segredo para vencer a doença foi a força de vontade e o apoio da família e que sem ela não teria conseguido.

Eduardo fala que não existe “não conseguir largar o vício”, que com força de vontade se consegue tudo. Hoje aos 22 anos, há dois anos longe das drogas, trabalha como garçom, casado e diz que a esposa foi um presente de Deus, pois é ela quem o motiva a seguir em frente e não ter recaídas.

“É com a família que nos apoiamos em momentos difíceis, sendo fundamental que os pais ao abordarem esse assunto com seus filhos façam sem julgamentos, mas sim tentando compreender o que vem acontecendo”, aconselha Eduardo.

A psicóloga Mônica Cardoso explica que a presença da família é importante durante todo o processo de tratamento da pessoa que apresenta dependência e fundamental também na etapa da reinserção social do ex usuário de crack ou de qualquer outro tipo de drogas.

Segundo a profissional, um dos primeiros passos para o processo de reinserção social é evitar o isolamento do usuário.

“É uma ilusão achar que só a internação vai resolver o problema. Na verdade, a desintoxicação é só uma parte do tratamento, pois o mais importante é a reinserção social. É importante que o dependente saiba com quem pode contar. O principal risco para um ex-usuário é se sentir sozinho, desvalorizado e sem a confiança das pessoas próximas”, revela Mônica.

Mônica comenta que o trabalho do psicólogo é muito importante nesses casos, pois a psicoterapia dará recursos para o indivíduo e para a família mudar a sua dinâmica que vai além do momento de crise.

“A capacidade de acolher e compreender, estabelecer regras claras de convivência familiar, a demonstração de um interesse real em ajudar e de compromisso com a recuperação, além do respeito às diferenças e da manutenção de um ambiente de apoio, carinho e atenção, são atitudes que contribuem para melhorar a qualidade de vida do ex-usuário e ajudam na prevenção de recaídas. A família precisa mudar, colocar regras, limites e amor”, finalizou Mônica.A

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