4 de outubro de 2026
Exército

Caçadorense na Força de Paz da ONU no Haiti

2º Sargento, Alessandro Galina, fala sobre a experiência humanitária que vive

Por Caçador Online

O caçadorense Alessandro Galina, 33 anos, 2º sargento do 6º Batalhão de Comunicações em Bento Gonçalves-RS, está desde fevereiro servindo na Força de Paz da ONU no Haiti, país devastado por um terremoto em 2010, que matou aproximadamente 200 mil pessoas e feriu outras 300 mil.


2º sargento, Alessandro Galina, em Porto Príncipe 

Cerca de 1,2 mil soldados estão nesta missão no Haiti, formando o maior contingente brasileiro enviado ao exterior desde a 2ª Guerra Mundial. Outros 18 países compõe a força de paz naquele país, que além do terremoto do ano passado, sofre com a pobreza.

O sargento Galina, que sempre está em Caçador nos períodos de folga, conta um pouco da sua história ao Portal Caçador Online.


Pelotão de Comunicações atuante no Haiti

Bacharel em Direito pela Universidade de Caxias do Sul e pós-graduado em Direito Militar pela Universidade Castelo Branco, o caçadorense fala como estão sendo estes meses de atuação em Porto Príncipe, capital do país, seu trabalho, a comunicação com a família e a ajuda humanitária que realizam.

Caçador Online - Como entrou no Exército Brasileiro?

Galina - Prestei o serviço militar inicial e, no mesmo ano, prestei o concurso para a Escola de Sargentos das Armas.

Caçador Online - Como surgiu a ideia de participar da Missão de Paz no Haiti?

Galina - A maioria dos militares deseja participar de uma missão no exterior. Em se tratando do Haiti, acredito que exista outro ponto fundamental para desejar estar aqui: tentar amenizar tamanho sofrimento deste povo em decorrência do terremoto.

Caçador Online - Quanto tempo deverá permanecer no Haiti? Em que cidades atuam?

Galina - A missão tem um prazo inicial de seis meses e nós, integrantes do Pelotão de Comunicações, estamos baseados na capital do Haiti – Porto Príncipe.

Caçador Online - Como a família reagiu à notícia de que vocês iriam passar tanto tempo longe de casa?

Galina - Particularmente falando, desde que eu ingressei no Exército vivo distante de minha família. Existe sim uma apreensão em relação ao local em que estamos, no entanto, no que se refere ao tempo longe de casa, foi bem assimilado.

Caçador Online - Como é o dia a dia de vocês?

Galina - O pelotão exerce atividades específicas de comunicações, assim, nossa jornada inicia-se às 6h, com atividade física e, no decorrer do dia, empenhamo-nos a fim de que as comunicações não sejam interrompidas. Essa é a meta, ou seja, comunicações constantes e com qualidade.

Caçador Online - Qual foi o pior momento que já passaram aí?

Galina - Como tudo é relativo, não posso dizer que passei por algum momento crítico, até o momento.

Caçador Online - É realmente verdade toda a admiração dos haitianos aos soldados brasileiros?

Galina - A minha opinião é de que é, sim, verdade. Ao sair à rua e conversar com o povo haitiano, observo esta tão comentada admiração. Penso, que tal admiração é fruto do bom trabalho que foi desenvolvido pelos contingentes anteriores e, mais do que isso, pelo respeito que o Soldado Brasileiro demonstra em relação ao povo Haitiano. Trate com respeito o seu semelhante, e este, por sua vez, irá tratá-lo da mesma forma.

Caçador Online - Sabemos que existem soldados de diversas partes do mundo fazendo parte da Missão de Paz. Como é o convívio com eles?

Galina - É de ajuda mútua e de intenso enriquecimento cultural. Têm-se oportunidade de conhecer diversas culturas, idiomas e modos de vida. Isso só enriquece.

Caçador Online - Como é realizada a comunicação com os familiares?

Galina - Existe uma gama enorme de meios de comunicações disponibilizada a todos os integrantes do Batalhão Brasileiro. Em suma, existe internet, lan house 24 horas, celular e telefone VOIP (voz sobre IP), logo, pode-se entrar em contato com a família no Brasil a qualquer momento e sem custo algum para o Militar.

Caçador Online - Uma mensagem aos jovens que querem ingressar no Exército.

Galina - Para aqueles que estão em dúvida se devem ou não ingressar no Exército, recomendaria que fossem, já que as Forças Armadas proporcionam um amadurecimento, além de possibilitar conhecer outras pessoas e culturas.

Já para aqueles que desejam ingressar, a recomendação é persistência e preparação para os concursos militares ou, caso esteja na época de alistamento, procurar uma Unidade Militar mais próxima.

Caçador Online - Algum comentário que gostariam de fazer.

Galina - Estar participando de uma missão como esta é algo extremamente interessante e gratificante, todavia, o caminho para se chegar até aqui só foi possível graças a minha família e a pessoas maravilhosas que fizeram ou ainda fazem parte de minha vida. A lembrança de tais pessoas, bem como as ações realizadas, nunca serão esquecidas.

Em razão disso, acredito que o momento seja de agradecimento, tanto para a minha família, como para tais pessoas.

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