3 de outubro de 2026
História

Filho de quilombolas vive em Matos Costa

Por Caçador Online

Pedro Abel, 78 anos, filho de negros moradores do Quilombo do Rocio, que existiu até os anos de 1935 em Matos Costa, vive atualmente no município. Para conhecer mais sobre a vida e a história dos descendentes de escravos, vários estudantes, jornalistas e cineastas têm conversado com ele.

Abel concedendo entrevista à universitária de Curitiba

Em entrevista ao Jornal Resgate, em 2008, Pedro Abel falou com orgulho que viveu no Quilombo. “Naquele tempo todos se ajudavam, lá ninguém tinha discriminação pelo semelhante, se uma pessoa branca chegasse era bem tratado” conta Abel. Recentemente ele também foi entrevistado pelo cineasta Sylvio Back que esteve em Matos Costa filmando seu novo trabalho, “Contestado, Restos Mortais”.

Cercado para criação de animais

Durante as filmagens, o cineasta disse que o negro é visto em várias fotografias da Guerra do Contestado, mas é pouco lembrado por escritores. “Por isso a idéia de entrevistar várias pessoas de raça negra, ao mesmo tempo prestar uma homenagem  a essas pessoas que permaneceram anônimas por muito tempo”, explica Back.

O povoado do Rocio (Quilombo) existiu e tinha até igreja para as devoções, salão de baile, formado por negros libertos das fazendas, que receberam em troca de seus serviços terrenos onde formaram uma vila, que deu início a São João dos Pobres, e com a passagem da Ferrovia mudou-se para a beira dos trilhos onde atualmente se encontra a cidade de Matos Costa.

Poço de água

Abel comentou ainda realizavam penitência andando de joelhos cerca de 700 metros, do centro do Quilombo, até o cemitério, atualmente com 150 anos, situado a beira da SC-302, saída para Porto União. “Às vezes ficávamos com os joelhos em carne viva, mas fazia-se com prazer para pagar promessas. Se você conta isso nos dias de hoje, muitos dão risadas, achando que tudo é mentira” desabafa Pedro Abel.

Colaboração João Batista Ferreira dos Santos/Calmon

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