4 de outubro de 2026
Folclore regional

O Valentão de Presidente Penna e outras lendas

Por João Batista Ferreira dos Santos, jornalista

Essa é mais uma história da região de Calmon, que aconteceu no passado. Em 1999, depois de desenterrar quase cinco mil projéteis de fuzil, da época da guerra do Contestado, meu saudoso amigo Mauri Araújo, contou o que sua mãe Florentina Araújo lhe contava quando pequeno e dizia ser verdade.
 
Por volta dos anos de 1940, na Comunidade de Presidente Penna, pequena vila situada à beira da estrada de ferro, cerca de 20 km de Calmon, existiu ali um homem muito valente, chamado Feliciano. Era considerado por muitos “um demônio”, devido suas maldades. As pessoas tinham muito medo do valentão. Segundo a história, quem ele encontrava pelas ruas “surrava”, homem, mulher, criança e até pessoas de idade. Era assim que Feliciano levava a vida, maltratando as pessoas daquele povoado, ou das redondezas.

Certa ocasião, ao adentrar em uma “bodega” (bar de beira de estrada), encontrou com um menino de 14 anos. Abordou o garoto perguntando:

-O que faz ai guri? Bar foi feito para homem e não para criança!

Não esperou o menino responder, e já o surrou de “reio”, (tala usada para surrar cavalo). O garoto chorando muito foi para casa prometendo vingança. Porém, no dia seguinte o garoto voltou ao bar e o valentão Feliciano já se encontrava lá, sentado em uma cadeira tomando cachaça, fumando palheiro. Ao ver o menino de imediato perguntou:

-Você novamente aqui guri dos infernos?
O garoto se aproximou com os passos lentos, o rosto duro como uma pedra e disse:

-Ontem, o senhor me surrou covardemente, por que não tenta hoje, quarta-feira da Quaresma?

Quando Feliciano apanhou o “reio” e tentou se levantar, o garoto sacou de um punhal e esfaqueou o valentão no abdômen, que com os olhos esbugalhados morreu no local. O menino limpou a faca e disse a todos que estavam no bar:

-Assim, termina a história do covarde e valentão Feliciano, que tanto fez e veio morrer pelas minhas mãos, vejam vocês, ainda sou uma criança!

Mauri finalizou história dizendo que, isso é o que acontece com as pessoas que se consideram valente, e acima das pessoas, acabam morrendo pelas mãos de qualquer cidadão humilde.

Lendas

A senhora Matilde Colaço, minha mãe, relatou que sua mãe dona Olga Colaço (minha avó), contava a beira do fogão a lenha, comendo pinhão assado, que em Calmon, Matos Costa e Valões (Irineópolis) existiram muitas bruxas, mulheres que “voavam” em cima de uma vassoura, durante a quaresma. Quando é preciso passam até por buracos de fechaduras.

Diz à lenda, que as bruxas costumam sugar sangue de crianças quando pequenas, muitas se tornam magricelas e assim permanecem.  Para descobrir se uma bruxa está sugando o sangue de uma criança faz-se o seguinte: compra-se uma tesoura nova e guarda-se embaixo do travesseiro onde a criança dorme. Depois da meia noite, deixa-se a luz apagada e fica-se atento.

Quando uma fita colorida começar a descer do teto em direção a criança, deve-se pegar a tesoura e esperar. Quando a fita estiver próxima ao rosto da criança, corta-se a fita, que de imediato, desaparece. No outro dia, ou durante a semana, a primeira mulher que aparecer com o lábio cortado, aquela é a bruxa.

LOBISOMEM

Já o lobisomem é um homem que se transforma em cachorro. Para descobrir quem é o lobisomem, numa noite de quaresma, quarta, quinta ou sexta-feira, quando muitos cães estiverem brigando próximo a um galinheiro e aparecer um cachorro enorme deve-se dizer a seguinte frase:

“Venha buscar o sal amanhã, aqui nesta casa”. Conta à lenda que o primeiro homem que aparecer para buscar ou emprestar o sal no dia seguinte, aquele é o lobisomem.

Estas são histórias que o nosso povo conta. São lendas ou verdades?

Você leitor, sabia que em Calmon existe o lobisomem da escola, a noiva fantasma que deixa os rapazes apaixonados? Esses contos ficam pára uma próxima oportunidade.

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