3 de outubro de 2026
Conto

Lendas caboclas de Calmon, por João Batista Ferreira

Por João Batista Ferreira dos Santos, jornalista

Durante 15 anos de intensa pesquisa sobre a minha terra Calmon, descobri muitas histórias que envolvem a cidade e seu povo. Como é o caso da casinha de Tropeiros que ficava onde hoje está a FERCAL. Contam os antigos, que certo dia durante a quaresma, isso em 1916, um tropeiro parou no “ranchinho” (casinha) de tábuas lascadas para passar a noite. Desencilhou seu cavalo, soltou o gado para pastar, preparou um rústico jantar com carne seca (charque) e café tropeiro, e se colocou a pensar.

Há dois anos (1914), Calmon tinha sido arrasado pelos fanáticos do Contestado, e mais de 200 pessoas haviam morrido no combate. Os comentários ainda eram recentes de que muitas visagens (assombrações) assustavam os trabalhadores da Lumber e pessoas que por ali passavam. Inclusive no ranchinho, onde se encontrava o tropeiro naquela noite.

Durante o tempo em que jantou, fumou, sob a claridade de um fogo de chão, lá fora se ouvia o barulho dos grilos, coaxar de sapos, as corujas piavam, mas o viajante tocador de tropas não deu muita atenção, preparou a cama com os pelegos e se deitou.

Não demorou muito e começou a ouvir uivos, ao mesmo tempo seus cães que o acompanhavam, também começaram a uivar. Um calafrio percorreu seu corpo, ao mesmo tempo em que algo caiu do teto do ranchinho. O tropeiro levantou-se rápido e deu de cara com um crânio humano em sua frente.

O homem começou a suar frio, e mais uma cabeça de mulher caiu próximo aos seus pés. O tropeiro levantou, arrumou a tralha, rapidamente encilhou o cavalo, reuniu o gado e partiu noite adentro em direção a General Dutra, depois São João onde chegou pela manhã narrando o acontecido para as pessoas que o cercavam.

Essa é mais uma história de Calmon, o ranchinho realmente existiu, e até os dias atuais pessoas afirmam ver um casal passeando nas noites de luar pelo local, principalmente na quaresma.

Mais notícias