O caçadorense Carlos Alberto Alves de Campos, que realizou um transplante de coração, chegou ontem a Caçador
A vida do ser humano é uma caixinha de surpresas e o nosso futuro é incerto. Muitas vezes nos deparamos com situações que nem mesmo nós sabemos como enfrentá-las e se vamos vencê-las. Prova disso, é a trajetória de vida do caçadorense Carlos Alberto Alves de Campos, de 40 anos, que até então, era contrário a doação de órgãos e hoje, vive com o coração de um doador.

Campos: "Quando a gente vai fazer uma cirurgia de risco, só Deus sabe se a gente volta
Após um ano e oito meses na fila de espera, na esperança de um novo coração, o nosso entrevistado, chegou a Caçador, na madrugada de ontem (25), com um coração novo, que bate ainda mais forte, pois realizou transplante de coração no dia 1° de setembro, no Hospital Angelina Caron, em Curitiba, e se recupera com êxito, junto a família.
Tudo começou em 2002, quando Campos descobriu que tinha problemas no coração. Em 2003, fez a troca de uma válvula cardíaca, porém, não conseguiu a recuperação, e esta, acabou comprometendo as funções do coração. Sem alternativa, a única possibilidade era enfrentar o risco de uma cirurgia, mas antes disso, contar com a "sorte" de encontrar um doador compatível. ".
Foram dias de espera, até que no dia 1° de setembro, um telefonema, avisando que havia sido encontrado um doador, fez com que o caçadorense viajasse no mesmo dia até a capital paranaense. "Ligaram-me por volta do meio dia e pouco tempo depois, já estava em direção a Curitiba. Os médicos me alertaram do perigo da cirurgia, porém, estava consciente que somente assim teria uma "garantia" de vida", destaca, afirmando ainda que a cirurgia durou pouco mais de três horas.
Um fato curioso na vida deste homem, é que até então, o mesmo era contrário a doação de órgãos. Ele explica que quando teve a solicitação em sua carteira de identidade, se queria ser um doador ou não, foi imediatamente ao contrário. "Não sei se foi por ignorância ou se achei que nunca precisaria, mas não era a favor de doação. Hoje, após receber um novo coração, tenho uma visão totalmente diferente, sei da importância de ser um doador e contribuir para que outras vidas sejam salvas. Não apenas doar órgãos, mas sangue, também é muito importante. Se eu tiver algum órgão que possa ser doado ao morrer, gostaria que isso fosse feito", afirma.

Carlos Alberto junto a sua família
Sobre o doador, ele diz não ter muitas informações. Sabe apenas que ele era de Rio do Sul e acabou falecendo em um acidente de trânsito. "Devido a baixa imunidade cardiológica, preciso de um repouso por tempo indeterminado, mas gostaria de conhecer os familiares do doador, é claro que vai depender das duas partes", afirma, destacando ainda que, para sua recuperação, alguns cuidados devem ser tomados, principalmente relacionado a alimentação e o uso de uma máscara para proteção da boca.
Ele finaliza dizendo que uma das maiores emoções que sentiu em sua vida foi poder voltar para casa e abraçar sua família. "Quando a gente vai fazer uma cirurgia de risco, só Deus sabe se a gente volta".
Campos é natural da cidade de Fraiburgo e mora em Caçador desde o ano de 1989. Morador da entrada para a Linha Cachoeirinha (próximo a Cabanha) é casado e pai de três filhas.





