Dia cinco de setembro de 2008, completou 94 anos do fatídico dia em que o povoado de Calmon foi arrasado pelos fanáticos na Guerra do Contestado. Eram 15h, quando 300 homens comandados pelo garoto Francisco Alonso de Sousa, conhecido por “Chiquinho Alonso”, invadiram o povoado que prosperava a cada dia, onde estava instalada a segunda maior serraria da América do Sul, pertencente à Southern Brazil Lumber & Colonization. Nesse dia, a serraria, a estação ferroviária, as casas de operários e os escritórios da Brazil Railway foram incendiados.

A estação de Calmon na passagem do 1° trem de tráfego na região
O garoto comandante-de-briga pediu para que os companheiros matassem apenas os homens e poupassem as mulheres e crianças que nada tinham a ver com os abusos dos americanos. Com gritos de “viva São João Maria”, foram queimando tudo o que encontravam. Homens crianças e mulheres se perderam nas matas aos arredores do povoado. Dois dias após chegaram a União da Vitória, com fome e esfarrapados devido a mata virgem da época.
Na mesma noite, alguns homens que estavam a bordo de um trem que se aproximava de Calmon ao ultrapassar a Serra da Pirambeira, avistaram o clarão e logo concluíram: a guerra cabocla estava começando.
No outro dia porcos, corvos e outros animais devoravam os corpos espalhados pelas ruas do povoado. Cinzas e o resto de casas ainda esfumaçando era o que mais se via. O jardim do escritório da companhia estava mais vermelho, não pela beleza das flores e sim pelo sangue derramado pelas vítimas inocentes do combate.
No dia seis de setembro, o alvo foi a Vila de São João dos Pobres (Atualmente Matos Costa). A vila foi atacada e arrasada. Sobre o comando de Benevenuto Alves de Lima, o “Venuto Baiano”. Mais de 300 homens e mulheres participaram do ataque. Muitos pediam clemência de joelho enquanto seus punhos eram decepados a facão.
No mesmo dia foi morto o capitão João Teixeira de Matos Costa, numa emboscada planejada pelos fanáticos. Mataram o único militar que entendia a causa dos caboclos. Por essa e tantas outras razões é que foi criado o Grupo Resgate de Calmon, que tem como objetivo resgatar essa história vivida em nossa cidade e região. Esse mesmo grupo de jovens já desenterrou munições, encontrou peças de trem perdidas nas matas e possui um acervo fotográfico e outros objetos encontrados em 14 anos de caminhada.

Munições e parte dos objetos encontrados pelo Grupo Resgate
No dia 22 de outubro, dentro da Semana do Contestado, o Grupo Resgate estará realizando a convite do Centro Universitário de União da Vitória (Uniuv), uma exposição de peças e fotografias referentes ao Contestado, além de falar sobre a história de Calmon e Matos Costa na guerra dos jagunços.

Caboclos revivendo a história tocando gaita e violão