Segundo dados da Vigilância Epidemiológica e Secretaria Municipal de Saúde de Caçador, o município já registrou desde 1994, 74 casos de AIDS. Porém, o número real de portadores do vírus HIV é bem maior, já que a grande maioria desconhece que tem a doença.
Deste número, 44 são homens e 30 mulheres que recebem acompanhamento através de consultas, medicamentos e exames do programa de DST/HIV/AIDS. Entre os pacientes do sexo feminino, 19 são gestantes e neste caso, são submetidas à terapia anti-retroviral impedindo a transmissão de mãe para filho.
De acordo com a coordenadora da vigilância epidemiológica de Caçador, Paula Xavier Brustolin, as estatísticas apontam um aumento significativo no número de infecções por HIV nos últimos anos, com mais freqüência em pessoas do sexo feminino.
"Este aumento pode ser analisado de duas maneiras: uma é o crescimento real da doença e por outro lado a maior vigilância dos profissionais de saúde na questão da realização do teste do HIV", diz Paula.
Para a coordenadora, o principal motivo que levam as pessoas se contaminarem é a falta de conscientização da importância do uso do preservativo. "São vários fatores que acabam levando ao não uso da camisinha, como acreditar piamente na fidelidade do parceiro ou parceira, o pensamento de que nunca vai acontecer comigo, além da influência da condição cultural e religiosa", explica.
"Meu marido teve um relacionamento extraconjugal e me passou o vírus"
Nesta semana do dia mundial de Luta Contra a AIDS, a reportagem do Portal Caçador Online procurou saber relatos de pessoas portadoras do vírus HIV, sobre suas vidas depois de saber da doença. Duas pessoas, que preferiram não se identificar, foram entrevistadas através de profissionais da saúde do município, Confira
A primeira entrevistada é uma mulher, 41 anos. Há cinco anos ela contraiu o vírus HIV após uma relação extraconjugal do marido. "A mulher com quem ele se relacionou ficou grávida e no exame pré-natal descobriu ter o vírus. Como eu mantinha relações sexuais sem preservativo com meu marido acabei contraindo", conta.
O marido morreu. Ela ainda não desenvolveu a doença, mas realiza acompanhamento e exames com freqüência. No dia-a-dia, enfrenta o preconceito e o medo das doenças oportunistas. "Fico apreensiva com qualquer sinal de que estou doente. Espero que no futuro seja descoberto a cura da AIDS pra eu poder criar minhas filhas".
"Meu recado para as pessoas é que usem preservativo sempre, mesmo com parceiros fixos. Quem ama usa", alerta.
"Não consigo mais ter relacionamento sexual. Sinto medo de contaminar alguém"
O segundo entrevistado desta reportagem é um homem de 49 anos que descobriu ser soro positivo há mais de 10 anos quando foi consultar com sintomas de hepatite e o médico solicitou o teste do HIV. A contaminação aconteceu através de relação sexual sem uso de preservativo.
"Não consigo mais ter relacionamento sexual. Ter um namoro. Bloqueia, sinto medo de contaminar alguém", revela. "Receio de ter outras doenças e ficar dependente das pessoas para os cuidados pessoais. Espero pela cura ou medicamentos que auxiliem nas doenças oportunistas", completa.
Ele alerta para a importância do uso do preservativo. "Se eu tivesse usado minha vida seria bem diferente e não estaria passando por esta situação difícil. Aconselho que não julguem os relacionamentos pela fisionomia e usem camisinha em todas as relações sexuais", finaliza.





