Artigo assinado pelo Engenheiro agrônomo Onofre Berton.
Em maio de 2008 tive a oportunidade de visitar algumas áreas de florestas nativas pertencentes ao nosso mais recente Cidadão Honorário de Caçador, Ardelino Grando, que a estas alturas acumula experiências de mais de 50 anos nesse tema. Grando, que já foi madeireiro, hoje é um apaixonado por florestas, especialmente pela araucária, nosso pinheiro brasileiro, que segundo ele é a mais bela, a mais perfeita e a mais valiosa conífera do mundo.
É impressionante o que se pode aprender sobre florestas em um passeio com Ardelino Grando pelas exuberantes áreas preservadas por ele. Este cidadão já vem chamando a atenção das autoridades sobre leis absurdas decretadas por quem pouco ou nada conhece da realidade. As informações aqui contidas provem de seus estudos e observações de muitos anos e por isso precisam ter o devido crédito, pois foram adquiridas pela experiência.
As araucárias dominaram soberanas as florestas da Mata Atlântica em todo o Estado de Santa Catarina. Ao longo de sua experiência, Grando compreendeu como funciona o processo de expansão desta conífera. A exploração da araucária como moeda de pagamento da rodovia SP-RS, gerando o conflito Guerra do Contestado durou cerca de 70 anos. Em 1990 o Ibama permitiu o corte de árvores com 35 cm de diâmetro.
Em 1992 o Ibama publicou uma Portaria considerando a araucária uma espécie em extinção, juntamente com a imbuia, a canela preta, a canela sassafrás e o xaxim. A Portara determinou a suspensão da exploração das espécies nativas, permitindo apenas o corte de matas reflorestadas. Pouco tempo depois chegou-se ao absurdo de proibir o corte de araucárias plantadas e até mesmo o transporte.
A nosso ver, concordando com Grando, essas espécies não estão em extinção. A araucária pode ser considerada uma espécie invasora, pois no seu habitat natural dissemina-se com muita facilidade. O que ela necessita é de manejo correto. Nas áreas visitadas, sob a copada de um pinheiro adulto foram contadas 130 novas plantas.

Por ser uma árvore frondosa e dominar rapidamente na floresta, a araucária necessita de um espaço considerável para poder desenvolver todo seu potencial. Assim, em um hectare não deve haver mais do que 40 árvores bem distribuídas. Portanto, a necessidade de desbaste é evidente. Deveriam ser retiradas plantas com pelo menos 60 cm de DAP (diâmetro na altura do peito) permitindo assim que as plantas novas possam se desenvolver.
A araucária se dissemina em áreas de pastagem e avança com facilidade em áreas limpas, disseminada pela gralha azul, que para não ser vítima de predadores evita enterrar o pinhão no interior de uma floresta fechada.
Outro fato impressionante que observamos nas áreas visitadas é que a araucária pode se regenerar produzindo vários perfilhos se o corte for realizado de maio a agosto (nosso período de inverno), o mesmo valendo para outras espécies disseminadas por sementes como a imbuia. A cada 20 anos é possível fazer uma extração das árvores maduras possibilitando assim a abertura de espaço e a infiltração da luz para o desenvolvimento das árvores menores.

Se a atual lei não for mudada, aí sim haverá a extinção da araucária pela falta de interesse em plantá-la e preservá-la. As novas araucárias que surgem nas propriedades estão sendo eliminadas para não se tornarem um problema futuro e esta é indiscutivelmente a forma de extinguir a espécie. Proibir a utilização da madeira caída constitui uma orgia de desperdício e um retorno lento do CO2 sequestrado da atmosfera.
Os picos de seqüestro de carbono pelas plantas ocorrem durante o crescimento. No clímax da floresta há uma drástica redução e se não houver renovação que permita espaço e entrada de luz, as plantas simplesmente não se desenvolvem. Ao invés de proibir o corte de araucária em uma floresta, deveria-se proibir o uso de trator de esteira em florestas e cerrados.





