3 de outubro de 2026
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Discussão sobre Saúde continuará em audiência pública

Definição saiu na sessão da Câmara desta terça-feira

Por Caçador Online

As discussões sobre a saúde de Caçador na Câmara Municipal continuarão em audiência pública, que será realizada em data ainda a ser definida. A definição partiu da presidente Sirley Ceccatto (PSD), após consulta ao vereador Marcos Creminácio (PT), que preside a comissão de Saúde do Legislativo.

Três entidades usaram a palavra livre na sessão desta terça-feira, 14, além do pastor Vilso Soares dos Santos (PDT), que fez duras críticas à administração do hospital Maicé e aos médicos em geral.

Ele destacou novamente que as pessoas estão sendo mal atendidas no Maicé e que a comunidade cobra muito dos vereadores. “Precisamos humanizar a saúde em Caçador, de fato, não apenas no discurso”, disse, salientando que são muitas denúncias, mas principalmente da área de ortopedia.

Citando as decisões do Corpo Clínico do Maicé, Vilso afirmou que não é legal e nem moral que o hospital receba milhões do Poder Público e que mantenha um sistema autoritário na definição dos médicos que nele podem trabalhar. “Pergunto: as reuniões deste Corpo Clínico são públicas? Há atas registradas? São decisões democráticas?”, indagou.

O presidente da Associação Médica de Caçador, Eduardo Barbosa Lopes, respondeu ao pastor, afirmando que o Corpo Clínico tem uma função específica para o hospital. “Serve para discutir as situações dos médicos dentro do hospital e não para decisões sobre quem entra na saúde pública de Caçador”, completou.

O médico salientou ainda, a respeito de outras declarações que o vereador havia feito na sessão da semana passada. “Como político e já tendo sido secretário de Saúde, muito me admira o senhor não saber nada do funcionamento do SUS, do hospital e menos ainda do papel dos médicos em cada instituição, ou seja, a diferença quando eles trabalham no município, como funcionários e quando trabalham em uma instituição privada, que é o caso do Maicé”, salientou Lopes.

“Quero esclarecer que somos credenciados do SUS e isso nos dá somente o direito de atender os pacientes deste convênio, não somos escravos ou propriedade, ou simplesmente funcionários do SUS, por isso, não somos obrigados a tal condição”, disparou o médico.

Entre outros ataques às declarações do pastor, Lopes afirmou que é “duro ser criticado por pessoas que nada entendem de saúde, mas principalmente por uma pessoa que teve todas as oportunidades de entender, visto que foi secretário de saúde”.

Já o médico Cláudio Araldi também fez uso da palavra e afirmou, em poucas palavras, contrariando as informações do pastor a respeito da falta de atendimento no Natal, que perdeu as contas de quantas datas comemorativas deixou a sua família por causa da profissão. “Deu todo o atendimento necessário a ela, mas marcamos um dia para o procedimento cirúrgico e ela compareceu ao Maicé e foi operada por outro médico, até optando por continuar o tratamento com ele, inclusive pagando os trabalhos”, esclareceu.

“Entendo que os representantes do Legislativo têm uma grande responsabilidade em suas atribuições e a palavra é uma delas. Mas, a palavra colocada de forma equivocada pode ofender a honra, a moral e a dignidade de uma pessoa. Por isso, deve ser usada com cautela, respeito e responsabilidade”, encerrou.

Já o assessor jurídico do Maicé, Gilson Kollross, esclareceu que nenhuma verba recebida do município, estado ou união, fica sem prestação de contas. “Para realizar compras, por exemplo, precisamos de licitação, carta convite ou qualquer outra modalidade legal. Se algum dinheiro desse for desviado, vamos responder criminalmente. Por isso, posso afirmar que temos cautela e que o Maicé não é conduzido por pessoas irresponsáveis”, completou.

Citando números dos procedimentos pagos pelo SUS, Kollross disse que em nenhum deles, o valor real é coberto. “Somente quando atendemos um paciente com AVC, temos um custo de AVC R$ 57 mil e o SUS nos repassa R$ 5,5 mil. Atendemos, no Maicé, mais de 75% de pacientes do SUS e, no ano passado, tivemos um déficit de R$ 1,5 milhões”, revelou.

Para Creminácio, os problemas da saúde no Brasil são complexos, devido à existência de um sistema público e um privado. “Temos que lembrar ainda que a saúde não é só curativa, mas passa pela qualidade de vida, esporte e vários outros fatores”, disse.

“Vamos chamar esta audiência pública e com espíritos desarmados, procurarmos uma saída em conjunto”, acrescentou.

“Para finalizar, quero afirmar que a preocupação deveria partir do exemplo do vereador Rubiano Schmitz, que, preocupado em saber o que ele poderia ajudar a fazer para auxiliar na questão da saúde, nos procurou no ano passado e realizamos uma reunião. Ele foi buscar informações, assim também como o vereador Carlos Evandro Luz, para não chegar aqui e falar o que desconhece”, finalizou o advogado.

Rubiano destacou que, pelo que se ficou sabendo na sessão, o problema da falta de médico na madrugada, que já foi objeto de requerimento para saber os motivos, é pelo não repasse de verbas do município para o Maicé.

“Discordo ainda do pastor Vilso, quando ele aborda algumas questões sobre o Corpo Clínico do hospital, já que trata-se de um órgão que tem como função lidar com questões internas”, disse.

O vereador salientou ainda que, em um dos exemplos que está buscando auxiliar na questão da saúde é que esteve, no final do ano passado, em Florianópolis, para buscar informações acerca da implantação da clínica de hemodiálise em Caçador. “Ficamos sabendo que a clínica estava liberada, faltando apenas os seus proprietários encaminhar o fazer”, disse, lembrando que esta foi uma das questões que surgiu em uma audiência pública.

Cirurgias eletivas
A médica Magali Alcântara, secretária do Sindicato dos Médicos de Caçador, lembrou que o mutirão das cirurgias eletivas não aconteceu em Caçador porque não houve nenhuma proposta formal por parte da SDR, órgão que representa o governo do estado, e a intermediação da secretaria municipal da saúde, representando o município.

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