A Festa dos 81 anos de Caçador, realizada em março do ano passado, fechou com despesas no montante de R$ 1.198.649,74. Somente a prefeitura gastou R$ 822.352,00, para apagamento de shows, segurança privada e centro de diversões. Os dados foram apresentados durante sessão ordinária da Câmara Municipal, na noite desta terça-feira, pela vereadora Cleony Figur. O resultado fez parte de uma análise minuciosa que a parlamentar realizou desde o final do ano passado, quando recebeu a prestação de contas após dois requerimentos.
Os documentos apontam ainda que o trabalho da CCO com vendas de ingressos obteve uma arrecadação de R$ 176.532,58 e com a comercialização de espaços para expositores externos, bebidas, estacionamento e camarotes o valor de R$ 74.750,00, totalizando a arrecadação de R$ 251.282,58.
Além desses números, a vereadora constatou uma série de divergências no que tange a prestação de contas. Uma delas se refere aos ingressos comercializados nas três primeiras noites, quando, segundo a organização, apenas 5.948 bilhetes foram vendidos, numa arrecadação total de R$ 176.522,00. Nos bilhetes comercializados na área vip, constatou-se uma diferença entre o número de ingressos vendidos e o valor arrecadado.
Outro ponto observado foi a existência de quatro caixas, sendo um deles classificado como sendo da prefeitura e com os recursos investidos, outro com movimentação bancária, porém sem comprovante dos depósitos efetuados; o terceiro com pagamento em dinheiro sem identificação da receita; e o quarto uma conta indevida, que foi apurada pelo controle interno da prefeitura e os recursos já foram devolvidos.
A emissão de um cheque no valor de R$ 8.400,00 com data de 24 de março de 2015, mas compensado na instituição bancária – conta da CCO – dia 20 de março, ou seja, quatro dias antes, assim como a emissão de cheques não nominais e divergência entre assinaturas do presidente em alguns deles também foi observada pela vereadora,.
A aquisição de 960 refeições durante os quatro dias (almoço e janta), num total de R$ 14.400,00, assim como a aquisição de R$ 320 camisetas, com custo de R$ 8.699,30 também foram questionados.
Valores das bebidas
Cleony destaca também que chamou a atenção os valores de comercialização de bebidas no Parque das Araucárias. Segundo os dados, houve uma despesa total de R$ 22.532,00 e uma arrecadação de R$ 20.780,00, o que resultaria na venda da bebida num valor inferior ao que foi gasto na compra.
Número de pessoas e valores arrecadados
Dos 5.948 bilhetes vendidos durante a festa, 1.005 foram para o show da Banda O Rappa, que se apresentou em Caçador a um custo de R$ 226.066,00 entre o valor do show (R$ 153 mil) e outras exigências firmadas no contrato, como, por exemplo, a disponibilização de jato para os artistas num valor de R$ 40 mil. Além dos poucos ingressos vendidos, 385 foram cortesias, tendo uma arrecadação deste show calculado em R$ 36. 022,34.
“O que nos chamou a atenção foram fotos e até mesmo reportagens da imprensa que mostram um público aparentemente muito maior do que os 1390 ingressos vendidos e cortesia, assim como nas demais noites”, questiona a vereadora.
Para shows de Munhoz e Mariano e Humberto e Ronaldo, foram vendidos apenas R$ 2.270 ingressos, sendo outros 506 cortesias, com uma arrecadação de R$ 78.272,90. Já Lucas Lucco e Bruninho e Davi tiveram 2.252 expectadores, com 1746 ingressos vendidos e outros 245 cortesias, com receita de R$ 62.237,64.
Festa com os portões abertos
“Penso que realizando festejos como este deveríamos fazer a festa novamente com portões abertos, porque os resultados obtidos nos mostram que não existe lógica dos munícipes pagarem para prestigiar a festa, com um valor investido neste montante e com uma arrecadação como esta. Não justifica a cobrança de ingressos diante do que constatamos aqui”, declarou a vereadora Cleony.
Demora na prestação de contas
A vereadora justificou ainda que a apresentação dos números foi possível somente em abril devido a demora dos responsáveis pela festa em enviar os dados para a Câmara, os quais chegaram as suas mãos somente no mês de dezembro.
“No mês de agosto, ao lado do vereador Alencar Mendes, apresentamos requerimento solicitando que nos enviasse a prestação de contas para análise. Como esta não chegou no mês de outubro fiz outro requerimento convocando o tesoureiro da festa para explicações na Câmara. O mesmo acabou não vindo, mas a documentação, de centenas de páginas, nos foi enviada. Diante da complexidade dos números e o recesso legislativo, foi possível apresentar somente agora”, justifica.






