3 de outubro de 2026
Prioridades

Audiência pública debate Saúde em Caçador

Evento lotou o plenário da Câmara Municipal de Vereadores

Por Caçador Online

A Câmara de Vereadores de Caçador realizou na noite desta quarta-feira, 13, audiência pública para debater a situação da saúde no município. O evento lotou o plenário, com a presença de representantes do poder público, da classe médica, entidades ligadas ao setor, além de acadêmicos e comunidade em geral.

A audiência, promovida pela Comissão de Legislação, Constituição e Justiça, foi presidida pelo vereador Valmor de Paula. Compuseram a mesa principal de trabalho a presidente do Sindicato dos Médicos, Maria Lúcia Bortolini, promotor Glauco José Rifffel, presidente do Conselho Consultivo do hospital Maicé, Leonir Tesser, representante da secretaria municipal de Saúde, Cícero Pereira, gerente regional de Saúde, Tarciana Munaretto e comandante dos Bombeiros Voluntários, Anderson Caetano.

Também participaram do debate a secretária municipal de Saúde, Roselaine Périco, o secretário regional Imar Rocha e os vereadores Carlos Evandro Luz, Alencar Mendes, Adilberto de Oliveira, Moacir Dagostini, Glaci Pereira, Cleony Figur e Wilson Binotto.

“A grande participação da comunidade nessa audiência prova que a saúde é um problema que precisa ser enfrentado por todos. As pessoas estão necessitando de atendimento e encontram dificuldades em tê-lo. Assim cada um teve oportunidade de falar e o debate foi positivo para a melhora da qualidade da saúde em Caçador”, avaliou Valmor.

Comissão de trabalho para agilizar TFD

Segundo o presidente da audiência, além da troca de ideias, o debate serviu para definir encaminhamentos.

“O primeiro deles, na minha opinião, é acabar com o agendamento nas unidades de saúde, porque as pessoas não escolhem quando vão ficar doente. Aí acabam indo ao PA e recebem uma medicação, e não voltam ao posto onde poderia ser feito um exame mais aprofundado”.

“Outra questão é com relação ao TFD, vejo que não há uma sintonia com a secretaria municipal e gerência regional. Propusemos uma comissão de trabalho com médicos e representantes do hospital para agilizar os encaminhamentos e que as pessoas consigam fazer as cirurgias que precisam”, citou.

Sindicato médico

Na opinião da presidente do Sindicato dos Médicos de Caçador, Mária Lúcia Bertolini, um dos problemas da saúde é a má distribuição dos médicos, que preferem os grandes centros a cidades do interior. Mesmo assim, ela informou que Caçador conta com cerca de 70 médicos, número considerado bom pela Organização Mundial de Saúde.

“Todos os médicos estão diretamente ou indiretamente envolvidos com o atendimento do SUS, seja a serviço da Prefeitura, na UTI, no sobre aviso do hospital ou até mesmo fazendo consulta especializada nos leitos. Por outro lado estamos com uma demanda muito grande de melhorias no hospital, principalmente nas salas cirurgicas”.

“Também gostaríamos que nossos médicos das unidades básicas tivessem mais acesso a exames laboratoriais, ultrassons, raio x, e que eles tenham referência de especialistas para dar um encaminhamento mais rápido aos pacientes”, disse.

Gerência de Saúde

A gerente regional de Saúde da SDR Caçador, Tarciana Munaretto, informou sobre os encaminhamentos de TFD feitos através do sistema de regulação estadual.

“O trabalho da gerência é agendar processos e tratamento fora de domicílio dentro de uma cota financeira por município. Temos dificuldade no cumprimento de prazos por causa da capacidade insuficiente. Em virtude disso, o Governo do Estado busca alternativas para sanar esse problema, através de contratação de mais médicos especialistas, aumento de cotas por habitantes, além de programas, tal como o das policlínicas em que Caçador será contemplado. Além disso, atualmente o governo está fazendo um diagnóstico das regiões de saúde em busca de recursos destinados a melhoria”, explica.

Hospital Maicé

O presidente do Conselho Consultivo do Hospital Maicé, Leonir Tesser, declarou que a melhora da saúde da população passa pela melhora da saúde financeira do hospital. Ele citou os projetos que a unidade vem desenvolvendo para ampliar os serviços. “Temos dois objetivos comuns que é dar uma autonomia financeira ao hospital e ao mesmo tempo atender melhor a nossa população”, disse.

Entre os projetos recentes, Tesser ressalta o aumento de leitos de UTI de sete para 10. O projeto para o próximo ano é dobrar para 20. Outros: ampliar a área de urgência e emergência para se tornar referência em cirurgia cardiovascular e traumato ortopedia, oferecer serviço de hemodiálise e também de quimioterapia.

“Somente para uma parte desses projetos precisamos de 7 milhões. Estamos correndo atrás, temos alguns recursos garantidos, mas precisamos da colaboração e do envolvimento de todos”, concluiu.

Promotoria

O promotor Glauco José Riffel afirmou que não há um planejamento do poder público. Ele também cobrou a realização de mais campanhas preventivas em saúde.

“Não temos planejamento em curto, médio e longo prazo. As ações que vejo são para apagar incêndios. Não temos investimento em saneamento básico que evitaria muitos problemas. Outro ponto é a falta de campanhas de prevenção em saúde, de uma forma continuada, como por exemplo contra sedentarismo, hipertensão, alcool, cigarro. Isso certamente evitaria uma série de problemas”.

Secretaria Municipal de Saúde

O médico Cícero Pereira, representante da Secretaria Municipal de Saúde, ressaltou a grande demanda por atendimentos e a complexidade de todos os serviços prestados pelo setor.

“Temos 14 postos abertos, fora as especialidades dentro do Jonas Ramos. São mais de 40 médicos. Atendemos semanalmente 7500 consultas nos postos,  mais 1500 no PA, e mais 500 no Maicé que a Prefeitura repassa 180 mil por mês. São mais de 9 mil atendimento por semana. Sem contar nos exames que são 15 mil por mês, e mesmo assim a demanda é maior e não temos acesso livre”, comentou.

Bombeiros Voluntários

O comandante do Corpo de bombeiros voluntários de Caçador, Anderson Caetano, lembrou que a maioria das ocorrências atendidas é de pessoas doentes. “Nosso trabalho é conduzir essas pessoas ao hospital e PA. Infelizmente não temos capacidade de julgar se é urgência ou emergência, mas vamos continuar realizando esse trabalho pela comunidade”.

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