Os Bombeiros Militares foram convidados pelos vereadores da bancada do PSD a prestar esclarecimentos sobre as atividades desenvolvidas pela corporação em Caçador. As informações foram repassadas durante Palavra Livre na sessão desta terça-feira, 3, na Câmara Municipal, pelo engenheiro civil e 1º sargento Adelmir Marschalk, comandante da Seção de Atividades Técnicas de Caçador e William Fazioli, comandante regional de Videira.
“O serviço operacional de atendimento as emergências é e continuará sendo feito pelos Bombeiros Voluntários de Caçador. Não temos interesse em assumir essa parte. O objetivo em Caçador é prestar serviço de prevenção contra incêndios”, detalha o 1º sargento Adelmir Marschalk, salientando que os bombeiros militares respondem apenas pela atividade técnica.
Foi muito produtiva essa reunião. Ouvimos os anseios da comunidade de Caçador, através dos vereadores. Existem argumentos dos dois lados, tanto dos voluntários quanto dos militares, mas acima de tudo somos bombeiros. Temos que colocar tudo isso num parâmetro comum e trabalhar pensando no que é melhor para a população lá fora. Certamente essa reunião irá render frutos positivos”, declarou o comandante de Videira, capitão Fazioli.
Vereadores defendem os bombeiros voluntários
Após as falas dos militares, os vereadores fizeram considerações a respeito do assunto. Moacir D`agostini (DEM) questionou as intenções da corporação. “Não me parece certo que os militares se interessem pela parte técnica, que é aquela que arrecada, e não pela parte operacional, que é aquele que gasta. Esperava uma proposta de estrutura para atuar junto aos bombeiros voluntários em Caçador”, disse.
Alencar Mendes (DEM) disse que a instalação dos bombeiros militares em cidades onde há corporações voluntárias é uma má aplicação do dinheiro público. “Já existe uma entidade competente para atuar em Caçador, enquanto outros municípios estão desassistidos nessa área”, disse.
Para ilustrar, o vereador afirmou que os custos para manutenção dos militares são maiores em comparação com os voluntários.
“Em 2013, os bombeiros voluntários custaram R$ 1,3 mi, ou seja, 12,80 reais por habitante. Já os militares custaram 4,4 milhões, ou seja 52 reais por habitante/ano”.
O vice presidente da Câmara, Carlos Evandro Luz (PMDB) também saiu em defesa dos bombeiros voluntários.
“É a entidade mais querida e um patrimônio de Caçador que brotou do seio da sociedade, não no sentido técnico, mas da prevenção de incêndio e salvamentos. Como cidadão caçadorense jamais me postaria contra os bombeiros voluntários. Já os militares estão em 295 municípios com a fiscalização técnica em todos eles, e por outro lado deixam de assistir à mais de 170 deles no combate a incêndio e salvamento, e isso é a alma de um bombeiro”, declarou.
Sobre o impasse legal, Carlão defende que os bombeiros voluntários voltem a ser autorizados a fazer as vistorias técnicas. “Permite-se a atuação de entidades privadas na educação, saúde e segurança, e isso se faz necessário porque o Estado não tem condições de cuidar de tudo e todos nós. Não vejo problema em isso acontecer de maneira concorrente quando houve compravação da capacidade”, finaliza.
Militares sugerem convênio com município
Conforme Marschalk, nos anos anteriores os bombeiros militares sugeriram a criação de um convênio com o município de Caçador, recusado pela prefeitura de Caçador. A proposta era que 70% dos valores arrecadados com as vistorias retornasse ao município, para ser investido nos bombeiros voluntários.
“A nossa previsão é de arrecadar 400 a 500 mil por ano, e 70% desse valor retornaria ao município. Não conseguimos entender porque não houve a aceitação. Mas a proposta ainda continua”, disse.
Ainda na oportunidade Marschalk detalhou a contribuição dos bombeiros militares para Caçador, como a regularização do Parque das Araucárias; danceterias, associações, salões de baile, entre outros. O 1º sargento também informou que está sendo feito levantamento e iniciado processo de regularização dos demais estabelecimentos do município, públicos e particulares.
Para Alencar Mendes, o melhor retorno para o município é onerar menos o empresário local. “Temos informações de vistorias dos bombeiros que custaram mais de R$ 3 mil para algumas empresas. Na minha opinião é elhor que o dinheiro fique no município, no bolso do empresário, para que ele possa crescer e gerar mais emprego”, disse.








