Apesar da classe médica caçadorense não ter aderido ao Mutirão de Cirurgias, proposto pelo Governo do Estado em 2011, a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Regional de Caçador não deixou de fazer sua parte. Através da Gerência de Saúde, a regional tem direito a 376 intervenções, que estão sendo feitas em outros municípios, como Santo Amaro da Imperatriz, que já está com 50 atendimentos agendados para cirurgias de varizes.
De acordo com gerente de Saúde, Tarciana Munaretto Pagnussatt, foram realizadas reuniões com representantes do Estado, municípios da região, Hospital Maicé (onde seriam realizadas as cirurgias), representantes do Sindicato dos Médicos e médicos de Caçador. “Todos os representantes dos órgãos, no caso os presidentes ou diretores, receberam ofícios da nossa Gerência de Saúde para os encontros, além do Ministério Público e entidades como CDL, Acic e Ampe”, salienta.
No entanto, Tarciana revela que os profissionais médicos não aceitaram a proposta em receber a tabela SUS para realizar os procedimentos, mesmo com um Prêmio de Desempenho, oferecido pelo Governo do Estado aos médicos e hospitais, a cada 50 cirurgias. A gerente deixa claro que o Hospital Maicé, em Caçador, se colocou a disposição para o programa, faltando apenas a adesão médica, que não ocorreu.
“Diante deste quadro não podíamos deixar o mutirão parado e fomos em busca de parceiros em outras regiões. Encontramos apoio em Santo Amaro da Imperatriz, onde nossos pacientes com problemas de varizes estão sendo atendidos para as intervenções cirúrgicas. Estamos também prestes a fechar parceria com a regional de Joaçaba e outras regionais, restando apenas aguardar os moradores daquelas regiões concluírem suas cirurgias, para que possamos encaixar os munícipes da nossa SDR. Estamos cumprindo o papel que compete ao Governo do Estado, em oferecer tratamento para quem precisa sem custos, mesmo que com uma distância maior do que desejávamos”, conclui Tarciana.
O secretário de Estado do Desenvolvimento Regional de Caçador, Beto Comazzetto, ressalta que todo o possível foi feito para que ocorresse a adesão da classe médica em Caçador, mas que não sendo isso possível, outras formas foram buscadas para que o cidadão não fosse prejudicado.
“Temos no Estado um excelente programa de Saúde. As cirurgias eletivas estão tirando muitos catarinenses da fila de espera nos hospitais. Não medimos esforços para que isso acontecesse e, mesmo alguns municípios parceiros sendo distantes, o que importa é que as pessoas estão sendo atendidas e terão seus problemas de saúde resolvidos. Não cabe a nós algum tipo de julgamento. A preocupação do governador Raimundo Colombo é a saúde do cidadão, e é isso que estamos fazendo. Temos 376 cirurgias para realizar e iremos fazê-las, seja onde for”, encerra Comazzetto.
Mutirão atinge 10 mil cirurgias em todo o Estado
O mutirão de cirurgias eletivas do Governo do Estado chegou a 10 mil procedimentos autorizados nesta semana. Desse total, foram autorizadas 6.996 cirurgias na especialidade de oftalmologia e 3.032 hospitalares. Lançado em agosto de 2011, a meta para 2012 é a realização de 22 mil cirurgias e a ampliação do mutirão também para exames. “Enquanto houver uma pessoa na fila, vamos manter o mutirão. O número alcançado é um sucesso porque representa pessoas voltando à vida normal depois de uma longa espera”, afirma o governador Raimundo Colombo.
Dentre os destaques do mutirão, está a especialidade de oftalmologia. O secretário da Saúde, Dalmo Claro de Oliveira, está otimista em relação ao cumprimento do objetivo. “Estamos quase alcançando a meta prevista das cirurgias de cataratas que é de 7,2 mil. Faltam apenas 204”, afirma o secretário.
Agilidade no atendimento
O superintendente de regulação da Secretaria da Saúde (SES), Valdir José Ferreira, informa que a média de tempo para a realização de cirurgias, após aprovada a realização, leva de três semanas a um mês. “Porque o agendamento depende dos exames pré-operatórios, da consulta prévia com o especialista e a complexidade da cirurgia”, explica Ferreira.
O superintendente aponta um dado positivo: na Grande Florianópolis, o mutirão está adiantado a ponto de ter mais ofertas de cirurgias do que demanda. Por isso, a SES está organizando a distribuição das listas de cirurgias para os municípios que possuem grandes demandas.
Com investimento de R$ 20 milhões, o Governo busca reduzir as filas de espera por todo o Estado. As cirurgias são realizadas em quatro especialidades: oftalmologia (cirurgia de catarata), otorrinolaringologia (amígdalas e adenóide), cirurgia geral (vesícula, hérnia e varizes), além de ortopedia (cirurgias de joelho, membros superior e inferior e retirada de materiais de síntese).
Em caso de dúvida, é necessário procurar a unidade de saúde do município ou a gerência de saúde da respectiva SDR. “É uma iniciativa que parece muito simples dentro da estrutura da máquina pública, mas que traz um benefício enorme na vida das pessoas que saem da fila de espera por uma cirurgia. Não há um número que consiga medir em percentagem o aumento de felicidade na vida de alguém”, afirma o governador.





