A decisão do juiz eleitoral Fernando Speck de Souza de cassar o prefeito Saulo Sperotto foi tema de discussão na Câmara de Vereadores na sessão desta segunda-feira, 5. A situação foi levantada primeiramente pelos vereadores de oposição. “Trata-se de um fato inédito na história de Caçador e acredito que a imprensa deu pouca importância a isso”, se reportou Alcedir Ferlin, do PMDB.
Ele ainda citou que o prefeito Saulo disse confiar na Justiça, que na verdade a Justiça não confia mais nele. “Ele afirmou que não teve participação, mas foram os seus partidários que realizaram o ato”, completou Ferlin, enfatizando que a Justiça existe para punir os prefeitos de qualquer partido.
O vereador disparou ainda, dizendo que o prefeito deveria renunciar o mandato, “já que ele tanto prima pela transparência”.
Para Carlos Evandro Luz (PMDB), a Justiça agiu no cumprimento da Lei, com base nos abusos manifestos. “As provas anexadas à ação penal fizeram que o juiz optasse pela cassação, mas mesmo assim, esta mesma lei permite que a pessoa cassada fique na função. Com certeza, dentro de um tempo razoável teremos uma definição desta questão”, acrescentou.
O petista Marcos Creminácio enfatizou o fato da necessidade de se realizar uma reforma política no Brasil, para que a situação mude por completo. “Mesmo assim, estaremos plantando o resultado para daqui 3 ou 4 gerações”, disse ele, questionando a forma de se fazer política atualmente.
“Acompanhamos os custos das eleições e são milhões gastos. A pergunta é: de onde vem o dinheiro que financia isso? Se a pessoa receber uns litros de gasolina antes das eleições, ela deve saber que isso vai sair do seu próprio bolso mais tarde”, explicou.
Já o vereador do PP, Antonio Rubiano Schmitz, discordou das afirmações de Ferlin, dizendo que está consciente de que existe uma decisão judicial, mas que não acompanha a ideia de que o prefeito deva renunciar. “Existe um direito previsto em Lei ao recurso e é o que o prefeito está utilizando, e acredito que ele vai provar a sua inocência”, ressaltou.
Rubiano acrescentou ainda dizendo que “diante da questão de transparência, vejo que mais adiante o prefeito irá mostrar que não teve responsabilidade, bem como os partidos políticos”. “Houve uma infringência da Lei, mas não foram todos os coligados responsáveis e por isso, tenho certeza de que o prefeito irá mostrar a transparência dos seus atos e manterá o seu mandato”, completou.





