3 de outubro de 2026
Artigo

Panorama indefinido na sucessão estadual

Por Frutuoso Oliveira, jornalista

Estamos a um ano das eleições que escolherão o governador que sucederá a dupla Luiz Henrique/Leonel Pavan, já que ambos administrarão o Estado, com a renúncia do primeiro no ano que vem. Mesmo com intensa movimentação nos bastidores dos partidos e a recente publicação de uma pesquisa pelo grupo RBS, é difícil traçar um cenário para o próximo pleito.

Pelo menos quatro cenários são possíveis de acontecer no primeiro turno. Primeiro, se mantida a  polialiança que  elegeu Luiz Henrique, poderemos ter três candidaturas mais robustas. A dos aliados (e hoje ninguém sabe quem seria o nome do cabeça de chapa), e ainda uma candidatura do PP (Ângela Amin ou Hugo Bhiel) e a do PT, representada por Ideli Salvatti. Nesse cenário não está descartada nem mesmo a bipolarização,  com uma coligação entre PT e PP já no primeiro turno.

Um segundo cenário dissolve a polialiança, e teremos pelo menos cinco candidaturas: Eduardo Moreira ou Dario Berger, no PMDB, Leonel Pavan, no PSDB, Raimundo Colombo, no DEM, Ideli Salvatti, no PT, e Ângela ou Hugo Bhiel no PP.  Situação pouco provável, mas não descartável se os partidos insistirem em lançar candidaturas próprias e não sentarem à mesa de negociações. Como só dois passarão para o segundo turno, as alianças ocorrerão depois de 3 de outubro.

Num outro quadro, que inclusive tem defensores em várias agremiações partidárias, novamente a polialiança se acabaria, com o PMDB unindo-se ao PT. Do outro lado sobrariam PP, PSDB e DEM. Esse cenário dependerá muito das coligações que vierem a ocorrerem nível nacional. Por aqui, possui um forte componente contrário após a declaração recente de voto do governador Luiz Henrique ao presidenciável tucano José Serra.

Ainda não está descartada uma coligação apenas entre DEM e PSDB, garantindo um palanque forte para José Serra no Estado, e os demais, inclusive o PMDB, concorrendo sozinhos. Em todos esses quadros ainda existe a candidatura do PDT, que mesmo tendo cargos no atual Governo já anunciou que terá candidatura própria de seu líder Manoel Dias.

No momento o quadro é o seguinte: o governador Luiz Henrique, que se prepara para desembarcar do Governo  e cuidar de sua candidatura ao Senado, aposta na reedição da aliança, defendendo, inclusive, que o PMDB apóie um candidato aliado, com leve preferência por Raimundo Colombo, do DEM. O PMDB, por sua vez, prega a candidatura própria. O PT já se definiu por Ideli e não parece disposto a negociar a cabeça de chapa. No PP é visível uma divisão interna: um grupo forte quer renovação, com Hugo Bhiel de candidato, mas o casal Amin ainda é muito forte no partido. O DEM tem candidato e no PSDB, Leonel Pavan estará no Governo e tem todo o direito de concorrer à reeleição.

Por tudo isso, o cenário é muito indefinido até o momento. Por outro lado, as negociações se intensificam e os líderes partidários já são escolados  e sabem que  sem boas alianças não haverá vitória nas urnas. A sucessão está aberta e quem souber costurar os melhores acordos será o vencedor.

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