Quem já parou para pensar nas barreiras que as pessoas com
deficiência enfrentam diariamente? Uma tarefa considerada simples, pode exigir
mais esforço e mais tempo para quem convive com deficiência física, visual,
auditiva, intelectual ou múltipla.

Para iluminar esse cenário, a Prefeitura de Caçador
organizou uma caminhada nesta quarta-feira, 12, em alusão ao Mês Municipal de
Valorização e Defesa da Pessoa com Deficiência. Agosto, escolhido pela lei nº
3.975 de 2026, se tornou o mês de mobilizações focadas na Pessoa com
Deficiência.
De acordo com a presidente do Conselho dos Direitos das
Pessoas com Deficiência e assistente social do município, Liane Capelin, é um
importante evento para conscientização e inclusão.
“É uma questão de visibilidade para essa causa. A caminhada
inclui mais pessoas na discussão e lembra que os direitos das pessoas com
deficiência devem ser respeitados”, afirma.
A caminhada, que iniciou na Praça Nossa Senhora Aparecida e
percorreu a Avenida Barão do Rio Branco, reuniu alunos das escolas de
municipais de educação básica Henrique Júlio Berger e Irmão Venâncio,
instituições de ensino privado e caráter filantrópico como a Associação de Pais
e Amigos (AMA), Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) e Associação
de Pais e Amigos dos Surdos (APAS).
Para a paratleta da modalidade bocha, Samantha Pereira, de
37 anos, que realizou o percurso completo com sua equipe, foi um momento de
mostrar que o apoio da sociedade é necessário.
“Acessibilidade ainda é muito difícil de encontrar. Ver
essas pessoas reunidas é um grande incentivo para nós continuarmos praticando,
fazendo amigos e não ficar só em casa”, relata.
A atleta irá competir nos 19º Jogos Abertos Paradesportivos
de Santa Catarina (Parajasc 2026), que iniciam na próxima semana, em Chapecó.
Ainda estiveram presentes representantes das secretarias municipais de
Assistência Social, Educação e Esporte e Lazer.
A lei nº 3.975/2026 busca fortalecer a inclusão no
município. Realizar palestras, debates e capacitações sobre acessibilidade,
estimular eventos culturais e esportivos com o protagonismo da pessoa com
deficiência, assim como integrar escolas, serviços de saúde e a comunidade em
ações conjuntas são algumas das prioridades.
Espetáculo sobre rodas
O percurso encerrou na quadra de basquetebol do Parque
Central, onde os atletas de paradesporto da modalidade realizaram um treino
aberto para os espectadores. Troca de passes, condução de bola e lances à
cesta, tudo sobre cadeiras de rodas, foram algumas das demonstrações.
Para o membro da equipe e bacharel em Direito, Maximino da
Silva, de 62 anos, a caminhada é uma ferramenta para mudar perspectivas. Para
ele, as pessoas que não convivem com deficiências diariamente não enxergam certas
dificuldades que são rotineiras para PCDs. Max, hoje paraplégico,
adquiriu a sua deficiência na vida adulta, em 1994, assim como a maioria dos
seus colegas de time.
“Uma pessoa com perna quebrada, um idoso, um cadeirante, por
exemplo. Acessibilidade é para todos. A inclusão é uma coisa que qualquer um na
rua pode fazer”, destaca.