3 de outubro de 2026
15 de maio

Dia Nacional do Controle de Infecção Hospitalar

Por Divulgação

O dia 15 de maio marca o compromisso nacional de controle de infecção hospitalar no Brasil, que desde meados da década de 60 vem se fortalecendo como prática indissociável da ação sanitária e de prevenção à saúde. A infecção hospitalar é um freqüente e grave problema de saúde pública no país, que mobiliza ações tanto de caráter político como de pesquisas científicas e tecnológicas.

A infecção hospitalar é uma síndrome infecciosa (infecção) que o indivíduo adquire após a sua hospitalização ou realização de procedimento ambulatorial. Sua manifestação pode ocorrer após a alta, desde que esteja relacionada com algum procedimento realizado durante a internação.

 “A infecção hospitalar pode ser adquirida tanto por paciente do hospital quanto por membros do staff do hospital. Pode ocorrer ainda o que chamamos de infecção cruzada, quando esta é adquirida no hospital a partir de outra pessoa, paciente ou equipe”, explica a responsável pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar-SCIH do Hospital Maicé, enfermeira Luciane Aparecida Niles.

As três unidades da Rede Hospitalar Santos Anjos, Hospital Maicé e Jonas Ramos, de Caçador e Hospital Divino Espírito Santo, de Fraiburgo, contam com as Comissões de Controle de Infecção Hospitalar-CCIH, ferramenta que auxilia na identificação e monitoramento das infecções, resguardando a população dos riscos à saúde.

A presidente da CCIH do Hospital Maicé, médica Paula Waleska Sartori, explica que os pacientes estão protegidos contra a infecção no hospital por um sistema amplo de métodos, incluindo assepsia cirúrgica e higiene hospitalar. “Um dos objetivos é remover as fontes potenciais de infecção, o que envolve tratamento de pacientes infectados, assim como esterilização, desinfecção e limpeza de materiais contaminados e superfícies”, explica.

Outro princípio do Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Maicé é bloquear as vias de transmissão da bactéria daquelas fontes potenciais e reservatórios de pacientes não infectados, os quais incluem isolamento de pacientes suscetíveis ou infectados, cirurgias assépticas, técnicas de curativo “sem tocar” e, particularmente, o uso de luvas e a lavagem das mãos.

Luciane explica que a instituição também focaliza o trabalho para o aumento da resistência do paciente. “Por exemplo, durante as cirurgias, através da manipulação cuidadosa dos tecidos e remoção de corpos estranhos e tecido morto, reforçando a imunidade para o tétano e aumentando a defesa geral”.

Através do trabalho das CCIH nos hospitais, o atendimento à população apresenta uma grande evolução. É necessário que os profissionais que participam de uma CCIH possuam treinamento para a atuação nesta área e o Ministério da Saúde exige pelo menos um médico e uma enfermeira para a manutenção da Comissão.

“A equipe do CCIH tem várias responsabilidades, onde podemos destacar vigilância das infecções e dos métodos de controle, rápida identificação e investigação de surtos ou procedimentos potencialmente perigosos e aconselhamento sobre o isolamento de pacientes infectados e procedimentos ineficazes”, explica a presidente.

Luciane alerta que a lavagem de mãos é fundamental na prevenção das infecções hospitalares. “Ela impede que microrganismos presentes nas mãos dos profissionais de saúde sejam transferidos para o paciente”. Quanto ao índice de infecção hospitalar na instituição, a enfermeira responsável explica que cada hospital possui uma clientela diferente e variados níveis de atendimento.

“Dentro de um mesmo hospital o risco de adquirir infecção hospitalar também varia, de acordo com os diversos serviços e procedimentos realizados. Por isso é difícil mensurar um índice. Entretanto, realizamos estatísticas de infecção hospitalar de procedimentos cirúrgico e avaliação diária dos prontuários e pacientes cirúrgicos”, encerra.

Curiosidade

Ignaz Philipp Semmelweis, médico obstetra é considerado o pai do controle de infecções hospitalares.

Em meados de 1840, este médico observou diferença de número de casos de infecções puerperais (infecções pós-parto) em duas clínicas do hospital de Viena. Na primeira clínica, as gestantes eram examinadas por estudantes de medicina que circulavam livremente entre a sala de autópsia e nesta enfermaria. Na segunda clínica, os atendimentos eram realizados por parteiras e o número de infecções puerperais era muito menor.

É importante lembrar que nesta época ainda não se conheciam os estudos de Pasteur a respeito da origem das infecções, então a existência de microrganismos não era conhecida.
Certa vez, durante a realização de uma necropsia, um dos amigos de Semmelweis, foi ferido acidentalmente por um bisturi.

Este profissional adquiriu uma infecção similar a das puérperas, levando Semmelweis a concluir que o mesmo havia sido contaminado pela “matéria cadavérica” que foi introduzida no sistema sangüíneo. Tal qual o bisturi da dissecção que introduziu material cadavérico na corrente sangüínea do patologista, as mãos contaminadas dos médicos estudantes carregavam material cadavérico da sala de autópsia para a mulher durante o exame de toque vaginal e o parto.

Em maio de 1847 Semmelweis tornou compulsório para todos os médicos, estudantes de medicina e pessoal da enfermagem a lavagem das mãos com uma solução clorada, reduzindo drasticamente a mortalidade por infecção puerperal. A queda dos índices de infecção puerperal foi importante: de 12,24% para 1,89%.

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