3 de outubro de 2026
Alternativa

Inicia a colheita de tomates em estufa

O tomate possui menos de 10% de agrotóxico se comparado com o modelo tradicional

Por Caçador Online

No momento que a produção de tomates de Caçador, o maior produtor do fruto no Estado, é abalada por denúncia de utilização de mercúrio nas lavouras, uma experiência bem sucedida de cultivo em estufa pode estar trazendo uma nova alternativa para a agricultura no município.
 
Nesta semana iniciou a colheita de tomates na propriedade do produtor Marconi Pavanello Brignolli. Ele é um dos oito produtores que aderiram o programa após uma experiência feita pela Secretaria Municipal de Agricultura e Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo.

Além da Prefeitura de Caçador, que encampou o projeto a partir de uma experiência em Cunha Porá (oeste do Estado), o Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae) também aderiu à causa. De acordo com o consultor do Sebrae e monitor do projeto,  agrônomo Gaston Pinochet, a entidade vai aportar recursos no projeto ainda neste ano. 

O comerciante Marconi Pavanello Brignolli investiu cerca de R$ 10 mil na instalação de uma estufa. "Vi a experiência lá do horto, que deu certo, e resolvi arriscar fazendo a primeira estufa", conta. Nesta quarta-feira ele recebeu em sua propriedade o empresário Celso Marini, dos supermercados Cereal, interessado na compra da produção, e o prefeito Saulo Sperotto, que é um dos entusiastas do projeto. Mesmo sem começar a colheita, Marconi já está se preparando para iniciar a construção da segunda estufa. "A primeira vai pagar a segunda e assim por diante", afirma.

Já o empresário Celso Marini, vê o projeto com bons olhos. “Acredito que teremos plenas condições de colocar esse tomate no mercado desde que façamos uma boa divulgação de suas qualidades”, avalia Marini, salientando que ele será apresentado com um diferencial para o cliente, até porque será vendido embalado e com um selo de qualidade.
 
O tomate produzido em estufa utiliza menos de 10% de agrotóxico, se comparado com o modelo tradicional. "Como o tomate não está exposto ao tempo e não toma chuva, a probabilidade de contrair uma doença ou pegar um fungo é muito menor e isso reduz o custo com tratamentos. Menos tratamento significa mais qualidade na mesa e melhor preço final do produto", defende o agrônomo Pinochet, que já liderou uma experiência bem sucedida em Cunha Porã, no Oeste catarinense.

Na sua avaliação, o tomate de estufa não vai concorrer com o tomate cultivado tradicionalmente. “É uma forma do produtor ter uma renda no inverno, durante a entressafra, e como ele é um tomate mais bonito, de melhor qualidade pela utilização mínima de agrotóxico, vai acabar alcançando um preço melhor”, justifica.

Objetivos Atingidos
 
Para o prefeito Saulo Sperotto, o projeto iniciado no ano passado vem atingindo seus objetivos. "Foi possível, através desta experiência, provar que é possível produzir tomates também no inverno, usando esse sistema de estufa, o que pode agregar uma renda melhor para os produtores na entressafra", afirmou. Na avaliação do prefeito, esse modelo de produção é interessante para os pequenos produtores, que podem construir uma ou duas estufas e ter uma renda garantida no período da entressafra.

A Prefeitura investiu cerca de R$ 40 mil na construção da estufa experimental no Horto e na contratação da consultoria especializada. "Foi uma experiência que provou que funciona. Agora os agricultores precisam conhecer a técnica e coloca-la em prática em suas propriedades", disse, acrescentando que a Prefeitura, através, da Secretaria Municipal de Agricultura vai proporcionar a visita de agricultores nas propriedades que já estão produzindo.

Custos

Uma estufa, semelhante a horto florestal, com capacidade para mil pés custa para os produtores em torno de R$ 10 mil. Na opinião dos técnicos, na entressafra e com número já comprovado no Oeste catarinense, o tomate colhido no inverno pode alcançar até R$ 30,00 a caixa com 20 quilos, enquanto que na safra o preço médio não chega a R$ 20,00.

Mais notícias