O título inédito da Copa do Brasil foi comemorado por todos do Kindermann: torcida, atletas, diretoria e a comissão técnica comandada por Josué Henrique Kaercher. Aos 35 anos, o ex zagueiro deixou de lado a vontade de jogar mais um ano para ser técnico de uma equipe de futebol feminino.
“Quando recebi o convite, refleti muito se eu tinha potencial e aceitei o desafio”, disse em entrevista ao Portal Caçador Online.
Ao avaliar a conquista do título nacional, Josué destacou a estrutura do Kindermann e a qualidade das jogadoras. “Vencemos com autoridade as melhores equipes do futebol feminino brasileiro”.
Confira a entrevista completa
Como é ser campeão logo no primeiro trabalho como técnico?
Estou muito feliz em ter conseguido esse feito junto com a equipe. Quando fui convidado pelo Salésio para ser técnico, passei um dia refletindo se eu tinha potencial para assumir essa responsabilidade. Achei que conseguiria. Pesou o fato da minha carreira como jogador já estar na reta final, então decidi que era o momento de andar em outro caminho. E também a condição de trabalho que o Kindermann poderia me oferecer.
Imaginava ser campeão?
No início não imaginava. Mas depois que vencemos o São José sabia que as chances de título eram grandes. O clima estava muito propício. Mesmo com a derrota em Foz do Iguaçu eu sabia que conseguiríamos reverter.
Como você procurou fazer o trabalho?
Com humildade. Ouvi opiniões e conselhos, filtrei o que tinha de bom e descartei o que achava errado. E tudo deu certo. As jogadoras e a comissão técnica me acolheram muito bem e eu só retribui.
Você continua no Kindermann?
Sim, apesar do Brasileiro ser só no segundo semestre, temos uma competição universitária e também quero fazer um trabalho com a base.
O Kindermann foi realmente a melhor equipe da Copa do Brasil?
Sim, todos os setores do time foram bem demais. Vencemos as equipes mais tradicionais do futebol feminino brasileiro, e de forma convincente. Não foi por acaso, jogamos muito bem as partidas decisivas.
E a final, o gol da Ferroviária logo no começo assustou?
Sim. As meninas levaram um baque. Mas souberam ter tranquilidade para empatar, apesar de eu não ter gostado do nosso primeiro tempo. Dei uma bronca no intervalo e elas voltaram mais ligadas. Tanto é que em 14 minutos fizemos 4 a 1. Aí tivemos mais uma falha e sofremos outro gol de bola parada. Tava 4 a 2 e faltava muito tempo. Aproveitei uma parada do jogo para chamar a Djeni e a Sâmia na beira do campo e passar uma orientação. Aí encaixamos a marcação novamente e o quinto gol saiu no contra ataque.
Qual o diferencial do Kindermann na Copa do Brasil?
A união da equipe, a qualidade das jogadoras e da comissão técnica. Cada profissional fazendo muito bem o seu papel. E a vontade de todos em ser campeão.
Na comemoração, você reverenciou a torcida?
Sim, Caçador mora no meu coração. Conquistei dois títulos aqui, um pelo CAC e agora pelo Kindermann.
Como vai ser a preparação para o Brasileiro?
Queremos montar uma equipe forte novamente. Algumas meninas saem agora para disputar o Paulista, mas queremos manter o máximo do elenco e quem sabe trazer reforços também. Esse papel caberá à diretoria. Posso até indicar uma ou outra atleta que me chamou a atenção em outros times, mas o grupo atual é ótimo e essa parte deixo para a diretoria.








