3 de outubro de 2026
Mundial sub 17

Dois anos depois, uma despedida sem lágrimas

Por Site FIFA

Capitã da Seleção Brasileira, a camisa 10 Andressa abraçou com orgulho a posição de líder do grupo desde a preparação para o Azerbaijão 2012, dividindo com as companheiras a bagagem que acumulou ao disputar a Copa do Mundo Feminina Sub-17 da FIFA Trinidad e Tobago 2010. Criou o hábito de reunir as meninas no vestiário antes de cada jogo e dizer algumas palavras de motivação - invariavelmente terminava o discurso chorando ao lembrar a sofrida eliminação para a Espanha nas quartas de final há dois anos. Surpreendentemente, a meia deixou o Estádio 8 Km na última sexta-feira sem lágrimas nos olhos.

O Brasil fez seu melhor jogo diante da Alemanha nas quartas de final do torneio e depois de sair na frente com Djenifer, não conseguiu segurar Sara Däbritz e cedeu o empate. A equipe de Edvaldo Erlacher levava a decisão da vaga para os pênaltis quando, aos 47 do segundo tempo, Rebecca Knaak se aproveitou da confusão na área brasileira após cobrança de escanteio e anotou o gol que selaria a classificação alemã e a eliminação brasileira. A derrota no último minuto foi um golpe duro e inesperado, mas Andressa garante que doeu menos que a queda de dois anos atrás.

“Por incrível que pareça, dessa vez foi menos sofrido. Em 2010 nós não conseguimos jogar. Contra a Alemanha, colocamos nosso futebol em campo e acho que jogamos a maior parte do tempo melhor do que elas. Perdemos numa fatalidade e isso acontece no futebol, é por isso que é um esporte tão apaixonante. No último lance você pode ganhar um jogo em que estava jogando pior”, disse a capitã brasileira ao FIFA.com minutos após a partida. “Fizemos tudo o que podíamos e o que treinamos. Buscamos o fundo, atravessamos a bola na frente da área delas, marcamos forte, mas a vitória não veio. Saímos com a sensação de missão cumprida.”

A evolução do time na competição também consola as jogadoras. Depois da goleada para o Japão na estreia, a Seleção se reergueu e cresceu jogo a jogo, culminando com o bom desempenho diante de uma das potências do futebol feminino.

“Foi um amadurecimento enorme. Nunca vivi nada tão intenso, de tanta dificuldade e ao mesmo tempo tanta alegria. Acho que é isso que temos que levar, com as derrotas aprendemos mais do que com as vitórias. Aprendemos que mesmo nas dificuldades, nós sempre podemos mais, sempre tem uma força a mais lá dentro. E acima de tudo, aprendemos que, de fato, o jogo só acaba quando termina. Tem que jogar com tudo até o final, não pode relaxar um segundo sequer, principalmente em Copa do Mundo”, afirmou Andressa. “Mas temos que saber que isso aqui não é o fim de nada, é o começo de tudo”.

O técnico Edvaldo Erlacher também valorizou atuação do Brasil e apontou o duelo contra a Alemanha como um dos mais emocionantes do torneio.

“Acho que foi um dos melhores jogos de toda a Copa do Mundo, as duas equipes se defenderam bem e buscaram o gol o tempo todo. No primeiro tempo fomos superiores, a Alemanha nos ofereceu um pouco mais de espaço e nós não soubemos aproveitar isso, mas a pressão é muito grande nas meninas e temos que entender”, analisou o treinador. “Saio muito orgulhoso por tudo que elas fizeram. Não perdemos para qualquer seleção, perdemos para uma das equipes de maior tradição na base do futebol feminino.”

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