3 de outubro de 2026
Futebol Feminino

Andressa pronta para a segunda chance

Jovem jogadora do Kindermann é esperança do Brasil no Mundial Sub 17 no Azerbaijão

Por (FIFA.com)

Há exatos dois anos, enquanto algumas de suas companheiras de Seleção Brasileira ainda davam os primeiros passos nos gramados, a meia Andressa se preparava para estrear na Copa do Mundo Sub-17 Feminina da FIFA Trinidad e Tobago, o auge de sua recém-iniciada trajetória. Aos 15 anos de idade, despertou do sonho com o duro golpe da eliminação nas quartas de final diante da Espanha, parte fundamental de uma robusta bagagem que hoje já conta também com três títulos Sul-Americanos (dois Sub-17 e um Sub-20). Além do talento e do espírito de liderança natos, é a experiência pouco comum a uma jogadora de 17 anos que faz de Andressinha a capitã e uma das principais armas do time de Edvaldo Erlacher na luta por um desempenho inédito no Azerbaijão 2012.

A espantosa maturidade que valeu à gaúcha de Roque Gonzales o posto de titular do meio-campo brasileiro logo em seu primeiro Mundial segue sendo seu traço mais marcante. Isso torna Andressinha uma referência para a equipe, que encara logo em sua estreia na Copa do Mundo Sub-17 da FIFA a temida seleção do Japão, no dia 23 de setembro.

“Tento passar um pouco da minha experiência para elas e dar um pouco mais de segurança ao time, que é muito bom. Elas me perguntam muito sobre a competição, sobre os times, como jogam, então eu conto como é o clima de um Mundial, aviso que as partidas vão ser muito difíceis, tento ao máximo passar confiança para elas”, diz a camisa 8 do Brasil, que usa o respeitável currículo para dar um choque de realidade nas companheiras depois da impecável campanha no Campeonato Sul-Americano Sub-17 2012, na Bolívia.“Digo para elas o tempo todo que não vai ser fácil como foi no Sul-Americano, em que vencemos vários jogos de goleada. Cada uma vai ter que dar o seu máximo e entrar relaxada não é uma opção. Todo mundo tem que estar preparado para jogos difíceis, sempre”.

É do jogo mais difícil de Trinidad e Tobago 2010 que Andressinha se lembra com mais clareza. A derrota por 2 a 1 imposta pelas espanholas, então campeãs europeias, é transformada em combustível para motivar as companheiras de equipe e a si mesma às vésperas do torneio.

“Essa é a minha segunda chance e tenho que trabalhar muito, porque para mim não houve pior derrota do que aquela. Foi muito dolorido, porque acho que tínhamos mais time e não jogamos tudo o que podíamos. Os gols delas saíram em falhas nossas, então não é a derrota em si que dói, mas essa consciência”, lembra a meia. “Agora chego com muito mais gana. Vou fazer tudo que puder para que isso não aconteça de novo. Meu sonho é trazer o título para o Brasil pela primeira vez, pois o país precisa muito disso para crescer ainda mais”.

Fazer tudo o que puder, para Andressinha, não se resume a entrar em campo e tentar, na base da famosa criatividade brasileira, vencer partidas. Inclui dedicação total ao futebol até mesmo em seu tempo livre: quando não está treinando, passa horas à frente do computador vendo vídeos de campeonatos do mundo inteiro em busca de conhecimento tático.

“Pesquiso muito. Tento entender o esquema que as equipes estão adotando. O Edvaldo sempre fala muito sobre isso, diz que jogar todo mundo sabe. A diferença é que as outras seleções são organizadas taticamemte, têm disciplina, enquanto o Brasil acaba se desorganizando e perdendo jogos. Isso realmente pode determinar a vitória, por mais que o talento individual sempre vá ser um bom diferencial e seja a característica do futebol brasileiro”,opina.

O técnico brasileiro, que convocou a jogadora pela primeira vez aos 14 anos, não poupa elogios à pupila, mas evita colocar muito peso nos ombros de sua capitã.

“Andressa é uma menina muito nova, que já tem muita experiência, mas é um ser humano como outro qualquer e tento sempre minimizar a responsabilidade dela. Digo sempre para as meninas que, em vez de ficar esperando muito pela Andressa, quero que todas elas se equiparem ao nível dela. No Azerbaijão todo mundo vai estar de olho na Andressa e ela vai ser muito marcada, então as outras precisarão se sobressair”, diz Erlacher, lembrando que suas preocupações pouco atingem a camisa 8. "Ela é muito querida, tem um carisma muito grande. É totalmente desprovida de vaidade e não sente a responsabilidade. Brinca na hora certa, chama a responsabilidade na hora certa. É uma peça fundamental para o grupo e fora de campo já é uma referência pela história que tem, serve de exemplo para as outras. Vai dar conta do recado”.

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