3 de outubro de 2026
JASC 1978

A emoção de sediar os jogos pela primeira vez

Por Ass. Imp. CCO do JASC Caçador

Era janeiro de 1978 quando a Comissão Central Organizadora (CCO) dos Jogos Abertos de Santa Catarina (JASC) foi definida. A partir daquele momento, a equipe teria a responsabilidade de mostrar para todo estado que a pequena cidade do Meio-Oeste se tornaria gigante para abrigar cerca de dez mil pessoas que disputariam medalhas na 19ª edição, e outras que acompanhariam o maior evento do esporte catarinense.

Ibrahim Socreppa foi escolhido como presidente da CCO e junto com os demais membros, trabalhou para que tudo saísse conforme o planejado. Era uma grande responsabilidade cativar a população para que acompanhasse os jogos e ajudasse a tornar o município referência no que diz respeito à receptividade e competência para realizar grandes eventos.

Para que os JASC fossem um sucesso, a CCO sabia que, além da qualidade dos locais de competição e alojamento, era preciso motivar os habitantes da pacata Caçador, incentivando-os a serem, não coadjuvantes, mas destaques durante as competições.

Ibrahim guarda com carinho o material veiculado na mídia da época, bem como fotos das recordações que jamais se apagarão da memória. “Era um número restrito de pessoas favoráveis à realização dos JASC em Caçador. Muitos não tinham dimensão da importância e da complexidade de sediar um evento como esse. Porém, os que eram pelo esporte sabiam que as competições iriam promover a cidade, bem como proporcionar integração e uma grandiosa troca de experiências”, contou o então presidente.

Uma das dificuldades foi encontrar locais para abrigar a demanda de pessoas. “Existiam poucos hotéis e locais para alojamento. Sabíamos que viriam para Caçador 24 delegações e era preciso bem atender a todos”, relatou.

A união faz a força

Para suprir essa e outras necessidades, a estratégia utilizada foi mobilizar a população. “Precisávamos integrar a comunidade e foi o que fizemos. Instigamos na população o espírito esportivo e salientamos que era necessário unir forças para que os JASC fossem um sucesso”.

A resposta da comunidade foi além do esperado. “Pessoas de todas as idades, credos e classes sociais se uniram para receber os visitantes. Nenhuma empresa fechou as portas para nossas solicitações, pois entenderam que os JASC era nossa responsabilidade e queríamos demonstrar a nossa alegria de receber tamanha festa esportiva. Definimos que juntos, nós não faríamos os maiores, mais sim os melhores Jogos Abertos que Santa Catarina já teve”, lembrou.

De 21 a 28 de outubro daquele ano, período em que o município sediou os JASC, a cidade respirava as competições. “Tudo girava em torno dos jogos. A emoção tomou conta das pessoas. Muitas delas abriram suas casas para abrigar delegações. Mulheres faziam pães e levavam para os atletas. Os corais realizavam serenatas para os competidores nos alojamentos. O espírito esportivo havia tomado conta de Caçador”, disse, emocionado.

A maior aposta foi na educação e gentileza que o povo caçadorense poderia demonstrar. “Batemos muito nessa tecla. Frisamos como era importante ser gentil, prestar informações corretas, ser útil e agradável para todos. Foi exatamente o que aconteceu. Em todos os locais de competição, sempre tinha alguém da cidade disposto a ajudar. Sabíamos da competência que o povo sempre teve e tínhamos certeza de que não nos decepcionaríamos”.

A participação do público para assistir as disputas também foi relembrada por Ibrahim. “As pessoas vibravam com as competições. Na final do basquete, competição em que Caçador sagrou-se campeã, o público se revezava no Ginásio Estadual, para ver o jogo, pois havias muita gente querendo acompanhar o desempenho dos atletas”.

Com o final das competições, a população sentiu a diferença nas ruas. “No dia seguinte ao encerramento, era estranho caminhar pelas ruas e não ver toda aquela movimentação que existiu durante os dias de competição”.

Para ele, Caçador teve uma mudança importante com a realização das competições. “Os JASC emocionou a maioria dos envolvidos. No encerramento, muitas pessoas se emocionaram tamanha foi a relevância das competições para a cidade. Foi um divisor de águas. Existiu uma Caçador antes dos JASC de 1978 e outra depois. As pessoas, envolvidas direta ou indiretamente com as competições, cresceram como seres humanos e isso refletiu na convivência. Além disso, as competições inspiraram muitos atletas, que se destacaram no esporte algum tempo depois”.

A mídia estadual elogiou o empenho e a dedicação dos caçadorenses para receber o evento. O presidente dos JASC em 1978 disse que passou a ter ainda mais apreço pelo esporte depois das competições realizadas no município. Ele declarou ainda que o sucesso, se deve à união entre os moradores que se envolveram na realização dos jogos.

“Os JASC se tornaram um vício. Sempre que eu vinha alguém praticando esportes, eu parava para apreciar. Passei a valorizar mais as modalidades, pois muitos atletas passam um ano inteiro dedicando seu tempo para apenas alguns segundos que podem mudar suas vidas. Tivemos falhas, as quais foram encobertas pelo excelente atendimento prestado pela população, grande responsável pelo sucesso dos JASC. Com certeza eu faria tudo de novo e exatamente da mesma forma”, destacou.

34 anos depois...

 Em 2012 Caçador será novamente sede dos Jogos Abertos e ele acredita que novamente, essa emoção tomará conta dos caçadorenses. “Caçador hoje está maior em termos de população, mas continua com as mesmas virtudes de povo batalhador e empenhado. Por isso acredito que mais uma vez, ao sediar os JASC seremos exemplo de bom atendimento e de envolvimento com esse evento que marca a vida de quem participa e deixa boas lembranças e muitas saudades”, completou.

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