O caçadorense Junior "Cigano" dos Santos defende o cinturão dos pesos pesados do UFC neste sábado, 26, em Las Vegas. A Rede Globo transmite a luta contra o norte americado Frank Mir, na madrugada. Em Caçador, assim como no duelo contra Cain Velasquez, os moradores devem lotar os bares para torcer por Cigano.
Confira matéria do Portal UOL com a mãe de Cigano, Maria de Lurdes.
Um dos eventos fundamentais na vida de Cigano foi sua mudança para Salvador. Foi só na capital baiana que ele passou a lutar e acabou se tornando uma revelação do MMA. Mas, se dependesse de Maria de Lurdes, o filho nunca teria deixado a cidade.
“Quando ele veio me falar que ia para Salvador, foi péssimo. Fiz de tudo para ele não ir, e foi o pai dele que acabou dando o dinheiro para o Junior viajar”, lembra ela. “A gente sempre escutava notícia de filho que ia embora e nunca mais aparecia. Chorei bastante, mas ele era ambicioso, falava para mim: "Mãe, não vou ficar minha vida toda ganhando 200 ou 300 reais. Vou tentar uma coisa melhor para mim".”

Cigano chegou a vender picolés e cortar grama em Caçador e, já em Salvador, trabalhou como garçom. Depois, começou no jiu-jítsu, passou pelo boxe com o ex-técnico de Popó, Luiz Dórea, até entrar no MMA, numa ascensão meteórica. O que era desconfiança e medo - pela agressividade do MMA - virou orgulho para Maria de Lurdes.
“Quando vejo resultado, só agradeço a Deus, que encaminhou o Júnior para um bom caminho. Apesar de (o MMA) ser um pouco violento, ele ama o trabalho que faz”, explica. “No começo eu achava bastante estranho, eu não gostava desse tipo de luta e nem conseguia assistir. Como mãe, é claro que eu não queria isso como uma profissão. Mas hoje é diferente. Eu rezo, choro, fico roendo as unhas, mas assisto a todas as lutas. Só saio quando o outro lutador cai.”
As dificuldades com o crescimento de “Juninho”
A família catarinense cresceu com a mãe na liderança da casa, devido ao divórcio do pai de Cigano. Maria de Lurdes teve que se virar: foi empregada doméstica e trabalhou em firmas e uma churrascaria para poder sustentar seus filhos. O agora lutador logo que teve idade também foi ajudar a angariar mais algum dinheiro.
Apesar de superarem tudo, as lembranças ficaram gravadas na cabeça da mãe, na construção do caráter do filho. “Quando me separei do pai dele, foi o momento mais difícil que passamos. Recordo de ele precisar de um tênis e eu não poder comprar. Ele chegou em casa de chinelo e contou que todos perguntavam se ele estava com frio. Foi uma época difícil, e além disso o pé dele crescia demais”, relata ela sobre o filho comilão, que desde bebê gostava de “puxar um garfo” e se desenvolvia rapidamente.
Cigano, segundo a mãe, era uma criança tranquila. Gostava de brincar de lutinhas em casa, mas poucas vezes levou isso para a escola, por não gostar de brigar.
As lutas do filho mais famoso já tiveram como palco para os espectadores de Caçador uma lanchonete. Mas agora é na casa da própria mãe que acontece a reunião para ver o pequeno Júnior.
“Ele não mudou nada desde que saiu de casa. E continua sendo Juninho para mim e para os nossos vizinhos. Tem gente que até pergunta: ‘Como assim Juninho com este tamanho?’”, diz Maria de Lurdes, que conclui relembrando a conquista máxima do filho. “Quando ele conquistou o cinturão o pessoal fez carreata. Era todo mundo na rua gritando, soltando foguete. Foi uma coisa linda...”.
A torcida da mãe é sempre a mesma: que o filho saia do octógono sem se machucar. Se o cinturão permanecer em Caçador neste sábado, melhor ainda.





