3 de outubro de 2026
Economia

Gilberto Seleme defende plano econômico para conter a litoralização

Ele afirma que SC precisa elaborar programa diferenciado para atrair investimentos

Por Diário Catarinense

Embora tenha alguns municípios com economias fortes que se desenvolveram por iniciativas de empreendedores locais como Chapecó, Caçador, Concórdia, São Miguel do Oeste, Videira e Joaçaba, o grande Oeste catarinense carece de uma política diferenciada para atrair investimentos, especialmente na área entre a BR-116 e a fronteira com a Argentina. Entidades empresariais cobram mudança nesse sentido, como a Federação das Indústrias do Estado (Fiesc) e a Federação da Agricultura e Pecuária (Faesc). O vice-presidente Regional Centro-Norte da Fiesc, Gilberto Seleme, afirma que Santa Catarina precisa elaborar um programa diferenciado para atrair investimentos e, assim, equilibrar mais o desenvolvimento econômico, evitando a litoralização.

“Precisamos atrair mais investimentos. Hoje, só investe na região quem é daqui ou quem vai fornecer para empresas locais. Temos falta de infraestrutura e, mesmo assim, 40% das exportações de Santa Catarina são realizadas por empresas da divisa da BR-116 para o Oeste. Caçador, por exemplo, é o quinto município mais exportador do Estado e enfrenta uma série de carências. Há falta de hospital regional, aeroporto e universidade pública, entre outros serviços”, alerta Seleme.

Segundo ele, líderes da região entendem que é preciso garantir diferenciais, talvez tributários, para atrair empresas. Por enquanto, há apenas o esforço local para desenvolver a região. Outra entidade forte que defende política diferenciada é a Faesc. O presidente da federação, José Zeferino Pedrozo, tem sugerido que o governo crie mecanismos para que a região se desenvolva de forma mais equilibrada.

“Não sei qual seria o caminho, mas estamos sentindo que, com raras exceções, a maioria das cidades tem decrescido. Alguma coisa tem que ser feita porque a concorrência para quem tem unidade no Oeste é desigual se comparada com uma empresa do litoral”, diz Pedrozo.

Conforme Seleme, os grandes obstáculos são a distância dos mercados consumidores e a falta de logística. A região conta com a BR-116 privatizada, bem conservada, mas diante da distância isso não basta. Cada vez mais, as pessoas estão mudando para cidades do litoral ou enfrentam pobreza onde estão residindo. 

Os dados IBGE divulgados mês passado confirmaram que os municípios que mais perderam população nos últimos anos foram do Oeste e os que mais cresceram foram os próximos do litoral.

Fonte: Diário Catarinense

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