A Associação Empresarial de Caçador (ACIC) completou, nesta quarta-feira, 2, o 70º aniversário de fundação. Criada em 1941 por um grupo de empresários que buscavam melhorias no transporte ferroviária, a instituição se tornou referência na luta pelo desenvolvimento do município.
“Estamos completando 70 anos hoje devido ao empenho dos nossos associados e pessoas que estiveram à frente da entidade todo este tempo”, afirmou o presidente da ACIC, Auri Marcel Baú.

Ainda, segundo ele, foram diversas conquistas durante estas 7 décadas. Citando o exemplo da Udesc, Baú, afirmou que, às vezes, as ações da ACIC não trazem resultados imediatos, mas sim, a continuidade do trabalho.
“A respeito da Udesc, estamos lutando há dois anos para que isso aconteça, mas não é simples assim. Agora, tenho certeza que esta universidade virá para Caçador, porque não vamos baixar a guarda”, salientou, destacando que este é um dos principais pleitos da entidade neste ano.
Além disso, Baú destacou a questão da logística, que foi o principal motivo para a fundação da ACIC em 1971, mas que hoje, ainda é uma das bandeiras principais da entidade. “Somos o 9º município que mais exporta no Estado e temos um imenso problema que é com relação ao transporte destas mercadorias até o porto de Itajaí. Por isso, estamos lutando para conseguir a duplicação da BR 470, pois trata-se da porta de saída do que produzimos”, afirmou o presidente.
“Para se ter uma ideia, o custo para transportar de Caçador a Itajaí é quase o mesmo de Itajaí a Le Havre, na França”, exemplificou Baú.
Outra batalha da ACIC é para que seja construída a última perimetral, para completar a rotatória pela cidade e facilitar o trânsito de caminhões pesados. “Já estamos buscando, junto à SDR, a viabilização deste projeto”, acrescentou o presidente.
Sobre os núcleos setoriais da entidade, Baú lembrou que trata-se de um trabalho intenso realizado por eles, mas que muitas pessoas não observam. “Temos vários exemplos, como os núcleos de Feirantes, de Jovens Empreendedores, de Apicultores e de Brigadistas com várias ações e queremos projetar mais ações para estes segmentos”, garantiu Baú.
Ele finalizou salientando a importância da participação da ACIC no Seminário de Administração e revelou que, neste ano, existe a possibilidade de se realizar, paralelo a este evento, a Feira de Negócios, Inovação e Tecnologia de Caçador. “Seria um diferencial para o SEAD. Por isso, nossa ideia é fazer algo menor, em um espaço mais limitado e sem shows”, completou Baú.
História da ACIC
Há 70 anos, às quinze horas de um domingo, dia 2 de fevereiro de 1941, algumas pessoas se reuniram, no Clube 7 de Setembro. Elas estavam definindo a criação de uma entidade. Talvez nem imaginassem na época, na força que este acto (na época, antes das reformas da Língua Portuguesa, ato tinha a presença de um C, assim como a(C)ta) representaria no futuro, mas tinham certeza que o associativismo era a melhor forma para crescer. E estavam certos.

Ata de fundação da ACIC
Esta reunião precedia outras duas realizadas: uma no dia 2 de janeiro e a outra, no dia 19. Na ata da primeira, podia-se entender o que aqueles empreendedores da época, seguindo uma tendência regional queriam: “Acta da reunião realizada nesta cidade de Caçador em 2/1/41, para a fundação da Associação Comercial de Caçador”.
Um mês depois, a Associação Comercial de Caçador – que hoje é Associação Empresarial (Acic) estava criada. A entidade, que serviria aos interesses dos grandes madeireiros de Caçador, foi se transformando, aos poucos, em referência, tanto para o município quanto para o Estado e país. Além disso, empresários associados eram auxiliados, com a divulgação de notas na imprensa da época, com o apoio da Acic. Um exemplo é o fato dos empresários terem angariado fundos para ajudar as pessoas em Porto Alegre, que sofreram com uma enorme enchente em 1941.
O primeiro presidente, Assis Matone, foi eleito no dia 2 de fevereiro. Como vice, José Kurtz assumiu, inclusive conduzindo a primeira sessão, na ausência do titular. Como 1º secretário, João Amâncio Costa e como 2º, Ermenegildo Corbellini. Já o primeiro tesoureiro, Luiz Drissen Sobrinho e como 2º, Miguel Gioppo. No Conselho Fiscal, ficaram João Palermo, José Adami e Waldemar Graeff.
Antes, porém, o empresário e jornalista Cid Gonzaga, trabalhou em prol da fundação da Associação, sendo inclusive, o responsável pela abertura do Livro Ata utilizada pela Acic até 1991 e considerado como o presidente de honra da Associação. O prefeito na época da fundação era Manoel Siqueira Bello.
Espírito de cooperação
O espírito de cooperação pode ser notado em cada uma das reuniões. Ao fechamento do primeiro ano, no relatório final, isso também é novamente destacado. “Desde o início, notou-se por parte de todos, boa vontade e espírito de cooperação, para que se concretizasse essa idéia. Devemos salientar principalmente os esforços do senhor Assis Matone e Cid Gonzaga”, afirma o relatório.
Além disso, a Associação, ao completar um ano, já havia adquirido um terreno, com fundos próprios, para a construção da sua nova sede, até então provisória no Clube 7 de Setembro.
Uma das comemorações no final deste primeiro período, foi relativo à quantidade de dinheiro em caixa. Os valores, em Réis, eram bem altos, graças às contribuições dos associados.
A evolução
No final do primeiro ano de fundação, a Acic já contava com 110 associados, dando uma mostra do que a entidade alcançaria. Atualmente, fazem parte da Associação, 280 empresas. Esta evolução também é notada pela importância do trabalho realizado.
Curiosidades
Nos idos da década de 1940, coisas que hoje nos parecem tão ultrapassadas e de insignificância, faziam parte dos anseios dos empresários ligados à ACIC.
A necessidade de se ter uma representação estadual do recém criado Instituto Nacional do Pinho foi uma das reivindicações da Diretoria da Associação, no ano da sua fundação, em 1941. Criado para coordenar e superintender os trabalhos relativos à defesa da produção do pinho e promover o fomento do seu comércio no interior e exterior do País, o instituto seria de extrema importância para Caçador, dada a sua imensa produção de madeira na época.
Por isso, a ACIC oficiou o presidente do Instituto Nacional do Pinho, Leonel Henrique da Silva, para que fosse analisada a possibilidade de se indicar uma pessoa para representar a entidade no Estado de Santa Catarina.
Na mesma reunião, a Diretoria decidiu por tomar providências para que fosse reiniciada campanha visando elevar a classe da Agência Postal local, “bem como a instalação do telégrafo nacional” na cidade.
Os impostos mudaram, mas naquela época, também faziam com que a ACIC se mobilizasse para combatê-los. Foi assim com o Imposto de Transmissão de Pinheiros, que se tornou motivo para uma reunião, quando foi convidado o inspetor da Fazenda Estadual. Em virtude da cobrança se tornar pesada para a maioria dos empresários caçadorenses, a ideia era se reunir com o inspetor para amenizar a taxa.
No dia marcado, 19 de março de 1941, na 1ª reunião extraordinária da Associação, o inspetor não compareceu por motivos particulares, mas mandou informações para o presidente da ACIC.
“Dissera que aguardava instruções da Secretaria de Fazenda para tratar do assunto, mas que ainda não recebera. Declarara ainda ao senhor presidente que não tomaria nenhuma medida contra os atingidos pelo aludido imposto sem antes comunicar a esta associação e colabora com a mesma para o desempenho do encargo a contento de todos”, afirma a ata da reunião.
Os assolados por uma enchente em Porto Alegre foram auxiliados pela ACIC na época. O fato foi destacado em uma das reuniões da Associação, onde foi organizada uma comissão para que se encarregasse de arrecadar doações. “Foi proposto pelo senhor Assis Matone que esta Associação leve a efeito um movimento a favor dos flagelados de Porto Alegre”, diz a ata da 7ª reunião ordinária.
A decisão foi de se oficiar as diversas senhoras da sociedade local, para formarem comissões e arrecadar donativos que seriam encaminhados à capital gaúcha.
Para dirigir as comissões, foi escolhida a senhor Alba Bello, tendo como integrantes Josefina Conte, Celita Kurtz, Amélia Menezes, Elza Finger, Graciosa Corbelini, Oliva Bello dos Santos, América Godinho, Alda Graeff e Amabile Deparis.
A construção da sede própria
Um pedido vindo do Banco do Brasil, que tinha interesse em instalar uma agência em Caçador e a mobilização dos empresários e da Associação Comercial e Industrial (nome na época da ACIC), resultou na construção de um prédio, para servir como sede da ACIC.
A história, que é contada por Ernesto Faoro, começou com a vinda do gerente do Banco do Brasil na época para o município, visando estudar a possibilidade de instalação da agência, onde apenas existia o banco Inco. “A ACIC não tinha nenhum projeto específico para construir um prédio próprio e nem existia a cogitação para isso. Entretanto, todos os empresários e comunidade da época estavam engajados na vinda do Banco do Brasil”, contou Faoro.
Segundo Faoro, que participou da fundação da ACIC, o gerente do banco pediu um local para a nova agência e foi apresentada uma sala, na avenida Barão do Rio Branco. “Prontamente, ele nos disse que não queria aquela, porque deixava a desejar nos padrões exigidos pelo Banco do Brasil”, completou.
Faoro explicou também que a ACIC tinha um terreno em boa localização e o gerente sugeriu que fosse construído um prédio, o qual serviria para o banco e como sede da associação. “A ACIC não tinha condições de realizar a obra pela falta de recurso. Por isso, foram reunidos os empresários e explicado de que não haveria outra alternativa. Com isso, todos se mobilizaram e passaram a juntar um pouco de dinheiro de cada empresa”, contou o fundador, salientando que alguns empresários fizeram doações e outros apenas emprestaram o dinheiro.
“Como o banco ainda demoraria alguns meses para terminar a análise e cadastro das empresas, daria tempo para concluir a construção”, lembrou Faoro.
O presidente da ACIC da época, Afonso Rodi, deliberou então que a ACIC iria ficar responsável pela coleta dos recursos e pela obra, que levou mais de um ano para ficar concluída. “Boa parte do material teve que vir de outras cidades, como Curitiba e Rio do Sul. Até mesmo a mão de obra de alguns profissionais teve que ser trazida de outros locais”, disse Faoro, lembrando que a construção era de alta classe para a época. As obras da sede da ACIC começaram em 1954 e encerraram em julho de 1955.
Antes de Caçador ter outros bancos, Faoro lembrou também que os pagamentos de duplicatas eram feitos para um banco Italiano-Francês, que tinha sede em Joaçaba. “Nós mandávamos as duplicatas e o dinheiro pelo trem. Existia uma grande confiança, pois não pegávamos nenhum tipo recibo. Mas era preciso que se instalasse um banco mesmo em Caçador e por isso, lutávamos pela vinda do Banco do Brasil”, recorda.
Os presidentes
Cid Gonzaga (presidente de Honra) – 1941
Assis Matone – 1941
João Palermo – 1942
José Kurtz – 1943/1944
Ermenegildo Corbellini – 1945/1948
Pedro Castelli – 1948
Luiz José Sant´Ana – 1949/1950
Afonso Rodi – 1951/1957
Eduardo Haymussi – 1958/1960
Normando Tedesco – 1961/1963
Etelvino Pedrassani – 1963
Lauro Marins – 1963/1964
Adelmino José Roveda – 1965/1966
Osvaldo José Gomez – 1955/1966
Nelson Cervi – 1967/1970
Antonio Sordi – 1971/1972
Romário Côas – 1973
Ângelo Barrichello – 1974
Carlos Julio Luiz Lührs – 1975
Antonio Sordi – 1976
Ademar João Soletti – 1977
Antonio Miguel Salla – 1977
Domingos Paganelli – 1978/1979
Osvaldo José Gomez – 1980/1981
Ernesto Faoro – 1981
Dorvalino Pereira – 1982
Luiz Francisco Paganelli – 1982/1983
Ângelo Barrichello – 1984/1987
Izidoro Berger – 1988/1989
Celso Zeferini Marini – 1990/1991
Elias Seleme Neto – 1992/1993
Renato Tim Marins – 1994/1995
Jovelci Domingos Gomes – 1996-1999
Renato Tim Marins – 2000/2003
Egídio Ceccatto – 2004/2006
Jovelci Gomes – 2007-2008
Auri Marcel Baú – Atualmente





