A crise econômica e financeira global não afetou de forma relevante as micro e pequenas empresas caçadorenses em relação ao número de postos de trabalho, mas causou redução na demanda e no faturamento.
Segundo informações da Associação das Micro e Pequenas Empresas (Ampe), não há dados estatísticos localizados, mas o que se verifica é o grande número de empreendedores procurando a entidade para abrir seus próprios negócios.
“Muitos estão se estabelecendo. Outro fenômeno que ocorre é a mudança de mentalidade com a integração de empresas em redes, consórcios, núcleos. buscando novas soluções para velhos problemas de produção, qualidade e produtividade”, garante o presidente da Ampe, Ibrahim Socreppa.
Ainda, de acordo com o presidente, houve, sem dúvida alguma, retração na produção e vendas evitando-se estoques, pela incerteza das mudanças mas, nas MPEs de Caçador, “não acreditamos que tenham havido demissões fora da normalidade”.
“O que sabemos é que houve a criação de novos postos de trabalho em alguns segmentos que se modernizaram na tecnologia de gestão. O cenário é de início de um processo de desglobalização, mas com mercados livres”, acrescenta.
Na análise da Ampe, os recursos financeiros não estão migrando entre os paises e os desempregados retornam às suas origens, retrocedendo assim, a circulação de bens. “Vislumbra-se um novo modelo econômico de desenvolvimento, protegendo a economia local. Com isso, as maiores beneficiadas serão as micro e empresas de pequeno porte, com a fixação de renda no município”, revela Socreppa.
Crédito
Socreppa destaca também que quanto aos créditos, as micro e pequenas empresas têm sido atendidas pelos bancos oficiais normalmente com relação a alguns segmentos. “O que deve acontecer é redução das taxas para capital de giro e eliminar as exigências dos 12 meses de existência da empresa para obter um financiamento”, sugere.
Ele opina ainda, afirmando que os bancos deveriam considerar o bom plano de negócio para a liberação de recursos, sem levar em conta o tempo de existência da empresa, o que alguns bancos já fazem. “Certamente, por melhor que seja a tecnologia, o mercado, o produto e empreendedor, o tempo difícil para uma organização é o primeiro ano, que necessita de todo o nosso apoio em gestão e recursos financeiros”, completa
Socrepa finaliza citando a declaração de Ladislau Dowbor, que é doutor em Ciência Econômicas e professor da Puc. Segundo ele, “a ameaça da crise gera oportunidade para buscar uma dinâmica de desenvolvimento cujo eixo é bastante evidente: expandir as políticas distributivas, aprofundar o mercado interno, permitindo que as pessoas da base da pirâmide tenham acesso a bens que lhes são necessários, e dinamizando ao mesmo tempo a conjuntura para ajudar as empresas. As soluções do global nem sempre estão lá em cima”.
“O grande foco deve ser a diversificação da economia local de baixo para cima e de dentro para fora”, finaliza.





