A expectativa de romper a meta de 6,5% da inflação ainda neste ano deixa os empresários catarinenses em alerta. A previsão é indicativo para um novo aumento na taxa básica de juros, a Selic, o que é sinal de recuo nas vendas do comércio e nos investimentos da indústria.
O presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL) de Santa Catarina, Sérgio Medeiros, acredita que os reflexos do aumento dos juros aparecerão nos próximos meses, impactando, inclusive, nas vendas de final de ano.
Em Caçador todos os cuidados estão sendo tomados pela Câmara de Dirigentes Lojistas para que estes reflexos não atrapalhem a vida dos consumidores e comerciantes. A presidente Leila Longo Romão, diz que não há como a CDL/Caçador lutar contra decisões do Banco Central, mas que no entanto, a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), em Brasília, está fazendo este papel.
“Em Caçador não temos como fazer muita coisa contra uma medida do Banco Central e suas conseqüências. Mas sabemos que a CNDL, que agora tem uma Frente Parlamentar, esta debatendo alguns desafios enfrentados pelo varejo, como é o caso das taxa abusivas cobradas pelas administradoras de cartões de crédito. No momento que se conseguir esta vitória, o comércio vai ter uma expressiva redução no custo, o que vai repercutir positivamente no comércio varejista e consequentemente, no crescimento das vendas”, explica.
Perguntada se este aumento nos juros atinge Caçador com a mesma força, Leila confirma, já que são medidas do Governo Federal. “Com certeza atinge. Para baixar a inflação o governo aumenta os juros e isso reduz o consumo, o que desestimula investimentos. O que eu não entendo, é que sai governo, entra novo governo, e o discurso é sempre o mesmo. Já esta mais que provado que a elevação dos juros deixa a economia estagnada. A conseqüência disso é a recessão com elevação dos índices de desemprego”, avalia a presidente da CDL/Caçador.
O editorial da Folha de São Paulo nesta quinta-feira (27), traz o seguinte recado. “Empresários e consumidores estão menos confiantes e essa mudança de humor não é surpreendente, diante da inflação em alta, do aumento dos juros e das perspectivas de alguma redução de crescimento. Mas é bom evitar qualquer exagero na avaliação desses dados. Os novos levantamentos de intenção de compras e de planos de investimento revelam apenas uma atitude mais cautelosa e não um surto de pessimismo. Essa mudança pode ser saudável, se contribuir para uma administração mais prudente do orçamento familiar e para elevar a resistência ao endividamento. Mas é preciso evitar a instalação de um clima de insegurança e isso dependerá principalmente do governo”.
IMPACTOS - Para Medeiros, são dois momentos de impacto dos juros no comércio. O primeiro assim que o reajuste é anunciado, sendo um impacto psicológico, mas que acaba depois de pouco tempo. O outro, o resultado prático, chega após uns cinco meses, lembrando que nas últimas duas reuniões do Copom a taxa Selic foi elevada.
Em um primeiro momento, este chamado impacto psicológico poderia afetar então as vendas para o Dia dos Pais, no segundo domingo de agosto. Mas esta possibilidade de baixa foi descartada por Leila.
“Não irá afetar porque estamos do meio para o final da Estação de Inverno. As mercadorias que estão nas lojas já estão pagas em sua maioria, e as promoções e liquidações de final de estação, que já começaram e vão continuar provavelmente até final de agosto, geram aumento de vendas. Alem disso, as vendas do Dia dos Pais, são vendas previstas, ninguém deixa de presentear seu pai porque os juros elevaram-se”, comenta.
OTIMISMO - O presidente da Federação do Comércio de SC (Fecomércio), Antônio Edmundo Pacheco, diz que o setor precisa de "tranqüilidade" e acredita que a situação ainda está sob controle. E esta tranqüilidade, segundo Leila, está sendo retransmitida em Caçador. Com as previsões de juros maiores, o comércio caçadorense já prepara-se para alavancar as vendas de final de ano.
“Já iniciamos com o projeto de divulgação do nosso comércio a nível regional. Não sei se antes não prestávamos atenção, mas é considerável o número de pessoas de outras cidades que estão vindo comprar em Caçador. A Decoração Natalina terá inovações e vai trazer novamente muitos visitantes. Vamos ter ainda o Show de Prêmios, que este ano oferece como 1º Prêmio um carro zero quilômetro e o 2º Prêmio uma moto nova também.
A CDL sempre preocupada com seus associados procura cumprir a risca os deveres e obrigações do associativismo. Por isso a relevância em ser sócio de uma entidade de classe, para se sentir seguro, amparado e informado”, completa Leila Longo Romão.
RESPONSABILIDADE - O vice-presidente da Federação da Indústria (Fiesc), Glauco José Côrte, reconhece que é preciso controlar a inflação, mas reforça o discurso de que a única medida que o governo toma é a elevação de juros, quando a redução dos gastos públicos seriam outra alternativa para o problema. “A solução não é apenas o juro. O Brasil precisa de investimentos, o que depende da alta do consumo”.





