Mais uma safra de tomate começa em Caçador, mas problemas como doenças bacterianas e preços em queda podem frustrar as expectativas
Com uma área plantada 20% maior que em 2006/2007, tomaticultores caçadorenses iniciaram mais uma safra. A colheita começou na segunda quinzena de janeiro e deve prosseguir por mais dois meses, no entanto, o excesso de chuvas neste começo de ano está preocupando os produtores. "Este tempo chuvoso e úmido, está começando a comprometer a produção", avalia Antônio Dalbosco, presidente da Associação Caçadorense de Tomaticultores (Acato), que plantou cerca de 300 mil pés de tomate para a safra 2007/2008.
Segundo Dalbosco, em outubro, quando as mudas de tomate começaram a ser colocadas na terra, a expectativa de produção girava em torno de 90 mil toneladas, mas agora, diante da ameaça de doenças bacterianas, a produtividade deverá ser menor.
De acordo com estudos do Centro de Sócioeconomia e Planejamento Agrícola de Santa Catarina (Icepa), Caçador lidera o ranking de municípios catarinenses com maior área plantada na safra 2007/2008, com 650 ha, tendo uma participação de 30,6% na oferta do tomate no Estado. A estimativa de produção de Caçador para esta safra, segundo o Icepa, deverá ser de pouco mais de 37 mil toneladas. Caçador está entre os dez municípios de SC responsáveis por 84,9% de toda produção e por 81,6% da área plantada no estado.
PREÇOS- Na antepenúltima semana de 2008, o preço da caixa de tomate de 24 quilos de Caçador estava sendo comercializada a R$32,00. Já na última semana, o preço caiu para R$ 20,00 e depois R$15,00, em virtude das festas de final de ano. Agora, na primeira semana de 2008, o preço da caixa de tomate está variando entre R$18,00 e R$20,00.
E a previsão para os próximos meses não é nada animadora. "O preço da caixa deverá ficar abaixo da média do ano passado", lamenta Dalbosco. "É complicado mesmo. Você precisa ficar atento ao mercado", completa o presidente da Acato, que vende tomates para a região Norte e Nordeste, no período onde lá é entressafra.
Pensando em abandonar de vez
Um dos tradicionais produtores de tomate de Caçador, Mário Mandelli afirma que esta pode ser sua última safra. A falta de incentivos de preço do tomate e todos os riscos que a cultura oferece estão desanimando o produtor.

Ameça de doenças, insumos em alta e preços em queda estão desanimando produtores tradicionais como Mário Mandelli
"Tem época que você é obrigado a entregar o tomate a qualquer preço e isso é terrível. Os preços de venda do produto não seguem um padrão e estão geralmente em queda, mas os insumos para este ano, por exemplo, aumentaram 50%, especialmente o adubo", informa Mandelli que plantou cerca de 300 mil pés de tomate, a mesma quantia do ano passado. Sua praça de venda é Manaus, Goiás, Rondônia e Belém.
Produção nacional será maior
A produção nacional de tomates na safra 2007/08, deverá ser 2,8% maior que a safra anterior mesmo com a redução de 0,3% na área plantada. Nesta safra a produtividade média das lavouras vai aumentar de 57.454 para 59.197 kg/ha, segundo dados do Centro de Sócioeconomia e Planejamento Agrícola de Santa Catarina (Icepa).
Os maiores destaques continuarão sendo os estados de Goiás, Minas Gerais e São Paulo, os quais, juntos, vão contribuir, nesta temporada, com 57,5% da produção nacional e com 57,3% da área plantada. O estado de Goiás, além de ser o maior produtor do País com 23,8% do total, detém o maior índice de produtividade. Os tomaticultores goianos produziram, 81.600 kg/ha, superando a média nacional em 37,8%. Importante também, nesta safra tem sido a participação do estado do Paraná no processo produtivo. Os produtores paranaenses aumentaram em 72,4% a sua produção e em 27% o rendimento médio das lavouras, passando de 6º para 4º maior produtor nacional.
Santa Catarina, apesar do aumento da participação na oferta nacional, em 2007/08 deverá ser o nono produtor nacional. A produção estadual será 4,7% maior que a do ano anterior, embora a área plantada tenha diminuído 9,3%. O aumento do uso de tecnologia que está se observando em todas as regiões produtoras do estado, resultou no aumento em torno de 15,5% no rendimento médio das lavouras.
Nos últimos anos a atividade está se tornando muito importante em Santa Catarina, fazendo com que das 20 microrregiões que compõe o estado, em 17 delas, em maior ou menor escala, se esteja adotando o plantio comercial de tomates. Os destaques em área e produção no estado, no entanto, são as microrregiões de Joaçaba (Caçador), Tabuleiro e Florianópolis, que plantam 80,8 da área e produzem 82,2% do total estadual.





