3 de outubro de 2026
Audiência Pública

Ministério da Agricultura sugere produção integrada de tomate

Problemas “do campo” foram debatidos em audiência pública de mais de 3h

Por Ass. Imp. Câmara Municipal

A palavra de ordem durante as mais de três horas de discussão ontem sobre agricultura foi organização. A audiência pública foi organizada pela Câmara de Vereadores, através da Comissão de Agricultura, Economia, Meio ambiente, Indústria e Comércio, e contou com a participação de representante da superintendência do Banco do Brasil e do Ministério da Agricultura.

As entidades e agricultores atenderam o chamado e lotaram o plenário do legislativo, debatendo sobre vários itens, como estiagem, endividamento, uso de mercúrio em algumas lavouras e comercialização. No começo da audiência, as entidades de Caçador e região expuseram suas dificuldades, num prazo estipulado de dez minutos. A Acato pediu ajuda para o refinanciamento das dívidas e sugeriu uma campanha publicitária por parte dos governos estadual e municipal, para resgatar a imagem do tomate caçadorense, que ficou arranhada depois das denúncias de uso do mercúrio.
 
O Sindicato dos Produtores Rurais pediu mais união da categoria, afirmando que cada um busca apenas defender o seu peixe, dificultando a solução dos problemas. Falou que alguns setores não participam das atividades e citou os cursos promovidos pelo SENAR na região. O representante do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caçador e Macieira, reclamou da falta de assessoria por parte dos órgãos governamentais, citando o tempo da extinta Acaresc, onde se fazia um bom trabalho na extensão rural.

A Epagri destacou projetos como o Microbacias e distribuição de mudas e alevinos, como forma de desenvolver o setor rural. O gerente regional da Agricultura Antonio Gilberto Gonçalves, questionou o fato do tomate não fazer parte do zoneamento agrícola do Ministério da Agricultura, apesar de ser um grande produtor, prejudicando a região.

Convidados apontaram saídas

Para o representante da Superintendência do Ministério da Agricultura, José Carlos Ramos, a saída está num projeto de produção integrada de tomate, assim como existe com a cultura da maçã. Segundo ele, se o sistema for adotado, o Ministério repassa inclusive recursos para sua efetivação, além de garantir um selo de qualidade, abrindo mercados e garantindo um preço melhor.

Ele pediu que os agricultores e o setor de planejamento da Secretaria Municipal agilizem o processo, pois a demanda de pedidos é muito grande e aqueles projetos que chegarem antes levarão vantagem. “Se encaminharem para a superintendência, eu procurarei ajudar a região no que for possível”, declarou.

Para o representante do Banco do Brasil, Fábio Alexandre Pereira, a saída da crise também passa por uma reestruturação do setor, buscando mais organização e não apenas liberar mais crédito. “A rotina do Banco nos ensina que muitas vezes o crédito não é a melhor saída para quem já está endividado, por isso eu acho que o setor em Caçador precisa ser reformulado e o Banco será parceiro nisso”, definiu.

Sobre o risco de alguns produtores não poderem plantar novamente, porque estão endividados com as lojas que revendem os produtos agrícolas, Fábio declarou que o Conselho Monetário aprovou uma nova linha de crédito, onde o governo paga esta dívida para o comerciante, desde que apresente uma confissão de dívida do produtor, para poder fazer nova venda. Vários agricultores presentes se interessaram e irão procurar saber mais sobre o assunto.

Para o presidente da Comissão, vereador Deoclides Sabedot(PMDB), a audiência pública alcançou todos os objetivos e contribuiu para as soluções aconteçam. “A Câmara está fazendo sua parte e vai fazer novas audiências sempre que for necessário, para auxiliar a comunidade”, destacou. 

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