Na noite de sexta-feira nós do Caderno C fomos até o Country Club em Videira para conhecer e degustar de um evento um tanto incomum, uma noite chamada de 2º Blues Rock.
Dois estilos muito interessantes, ambos tratam de sentimentos; o feeling, a “pegada” que tantos músicos falam, porém a diferença básica entre eles é a velocidade e a temática. Os dois convergem em muitos momentos em seus temas, mulheres e desilusões amorosas, bebidas e a vida noturna, mas um deles canta a vida do homem negro nos campos de algodão no Delta do Mississipi e o outro mais urbano, mais boêmio e mais “agressivo”, mais marginal.
A noite começa com uma banda que foge muito do habitual, a Sonda Sombra, que traz duas vertentes do blues americano, Mississipi e Chicago, uma mais roots e outra mais elétrica. Por “culpa” destes rapazes a noite traz um gosto de whisky e cigarros, típico das noites dos velhos blueseiros fazendo suas guitarras, violões e gaitas harmônicas chorarem os lamentos da vida destes personagens que trazem em suas costas as marcas do sol e do chicote de seus feitores em sua rotineira e árdua jornada de trabalho em campos de algodão e, muitas vezes, nas prisões segregadoras da sociedade americana do século passado.
Tirando esta parte triste da história, os caras tem muita personalidade e realmente amam o que fazem. Um show para sentar e assistir. Blues muito bem tocado, cantado e que merece devido destaque em nosso caderno cultural. Carboni e seus asseclas destilam o whisky de suas veias em solos de guitarra e harmônica enquanto o baixo e a bateria cadenciam o blues, ora com violência, ora com a ternura e o carinho do homem que apesar de toda a dureza de seu dia, toca em sua amada como se nada mais houvesse no mundo.
Sonda Sombra um nome que vai ser muito reverenciado em nossos palcos do estado, fiquem atentos, pois essa molecada vai dar o que falar com essa postura e esse som maravilhoso.
Logo depois sobe ao palco um monstro do rock and roll do meio oeste catarinense. Com aproximadamente 13 anos de estrada a Velha Mistura ainda faz muitas cabeças baterem ao som do velho e bom rock and roll.
Deep Purple, Led Zeppelin, Rush, Creedence... Meu Deus! Uma paulada atrás da outra, a pressão sonora impressa por este quarteto dá a impressão de que você está dentro de um compressor, tamanha a violência e a potência dos caras em seus amplificadores valvulados.
O vocalista, meu amigo Chimaru, que também é o baixista, passeia pelas quatro cordas enquanto entona sons agudíssimos de sua garganta, nos fazendo lembrar Ian Gillan, Robert Plant e Geddy Lee em suas juventudes. Michel e Paulinho, a “puta velha” da banda, destroem seus amplificadores e os captadores de suas guitarras com sons violentos e distorcidos na medida certa com solos matadores.
Lá de trás ouvem-se os estrondos das baquetas de Yuri, que parece querer destruir a bateria, mas tiram das peles da mesma, as escalas e notas necessárias para preencher as lacunas deixadas pelo baixo e assim construir com Chimaru a força motriz desta banda fenomenal.
Ainda estou com a audição prejudicada, mas muito satisfeito com as apresentações destas bandas que se uniram e promoveram um evento memorável para o rock de nossa região, mostrando que não podemos ser reféns de casas noturnas e dos cachês que muitas vezes nos colocam em situações de total exploração.
Guardem esses nomes se vocês ainda não os ouviram, certamente ouvirão. Sonda Sombra e Velha Mistura.
Nota 10 pra esses carinhas que têm o meu apreço e respeito, porque fazer música e viver disto neste país é no mínimo um ato de loucura, mas que esta loucura nunca acabe! Rock and roll neles moçada!
Clique aqui para conferir as fotos do evento, clicadas por Vanessah Kloss
Texto Kinder Kloss





