Alguns profissionais da educação estão em greve nesta quarta-feira, 15, em Caçador, como forma de protesto contra o bloqueio de recursos anunciado pelo Ministério da Educação (MEC). Pela manhã, um seminário foi realizado na Câmara Municipal, onde foram debatidos os impactos do corte de verbas e sobre a Reforma da Previdência.
Cerca de 400 pessoas passaram pela Câmara durante o dia, segundo os organizadores. Três palestrantes explanaram sobre os possíveis prejuízos dos cortes na Educação e sobre a reforma previdenciária, que poderá ser votada ainda neste ano pelo Congresso Nacional.
A vice-coordenadora estadual do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte/SC), Ilone Moriggi, disse que aderiram à greve vários professores, mas não soube precisar quantos. Ela manifestou repúdio à Reforma da Previdência e diz que a proposta é prejudicial principalmente para as mulheres.
"A nossa categoria é majoritariamente feminina, sendo que nós, mulheres, vamos ter que trabalhar muito mais anos para se aposentar. Com essa reforma, se quisermos se aposentar com 100% do nosso salário, vamos precisar trabalhar e contribuir por 40 anos. É impossível, por exemplo, uma professora de 70 anos ter condições de fazer isso. Sabemos que a maioria trabalha em mais de uma escola, em vários períodos. Isso será desgastante", comenta.
O ato em Caçador foi idealizado por líderes sindicais e faz parte da Greve Nacional da Educação, que acontece em várias cidades do país. Apesar da paralisação parcial dos professores, as aulas no município não foram afetadas e seguem normalmente.
O que diz o Governo
O Ministério da Educação (MEC) bloqueou, no final de abril, uma parte do orçamento das 63 universidades e dos 38 institutos federais de ensino. O corte, segundo o governo, foi aplicado sobre gastos não obrigatórios, como água, luz, terceirizados, obras, equipamentos e realização de pesquisas. Despesas obrigatórias, como assistência estudantil e pagamento de salários e aposentadorias, não foram afetadas.
No total, considerando todas as universidades, o corte é de R$ 1,7 bilhão, o que representa 24,84% dos gastos não obrigatórios (chamados de discricionários) e 3,43% do orçamento total das federais.
Segundo o MEC, a medida foi tomada porque a arrecadação de impostos está menor do que o previsto, e o dinheiro pode voltar às universidades caso ela suba. Esse bloqueio de verbas se chama “contingenciamento”, atinge todos os ministérios e já foi aplicado em outros anos.






