Com folhas salariais em atraso, um déficit de quase R$ 400 mil por mês e uma tabela do SUS defasada, o hospital Maicé vive, ainda, uma grave crise financeira que ameaça a sua existência. Durante a noite dessa segunda-feira, 30, membros do Conselho Consultivo do hospital reuniram-se na ACIC (Associação Empresarial de Caçador) para buscar soluções.
De acordo com o presidente do Conselho Consultivo, Leonir Tesser, o hospital é filantrópico e os atendimentos pelo SUS é superior a 80%. O problema, segundo ele, é que o sistema SUS só remunera 68% do que é gasto nesse modelo. Por isso, o Maicé está contraindo muitas dívidas para manter os atendimentos.
“Se a comunidade quer que esse modelo SUS continue, ela precisa acreditar e ajudar. A cada dia, nós do Conselho Consultivo estamos trabalhando para retirar as pedras do caminho. Mas só com o envolvimento comunitário que poderemos mudar essa realidade. A população precisa acreditar”, disse.
No encontro, foi exposto que uma das soluções seria o hospital realizar um empréstimo para colocar as contas em dia. Para tanto, a expectativa é que a Administração Municipal continua auxiliando com recursos.
O prefeito Saulo Sperotto afirmou que nesse ano já fez o repasse de R$ 900 mil dentro do plano de trabalho anterior, e que pretende continuar injetando recursos mensalmente, seja através de compra de serviços, seja financiando consultas ou cirurgias.
“Estamos desenvolvendo um novo modelo para que possamos ampliar os recursos para o hospital. Muitas vidas estão sendo salvas. Por isso, é necessário continuarmos nessa luta. Tenho certeza que o hospital irá avançar muito”, comenta o prefeito.
O presidente da Câmara de Vereadores, Rubiano Schmitz, demonstrou apoio à iniciativa. “Todo mês, a Câmara devolve à Prefeitura cerca de R$ 200 mil do que sobra. Portanto, colocamo-nos à disposição para que parte desse recurso seja utilizada à título de repasse ao hospital, para que possamos sanar as suas dívidas e poder, de agora em diante, manter as contas equilibradas. Existe essa possibilidade e vamos aprimorar isso nos próximos dias”, salienta.
Futuro incerto
Segundo fontes extraoficiais, ainda existe a possibilidade de renúncia da ACIC do Conselho Consultivo do Maicé. A permanência da associação, que foi uma das idealizadoras da iniciativa, deverá ser deliberada em assembleia, futuramente.
A hipótese de renúncia surgiu após um padre publicar nas redes sociais duras críticas ao hospital, acusando o Maicé pela morte de um familiar. O impasse gerou impacto negativo e desmotivou alguns membros do Conselho Consultivo.
Durante a reunião dessa segunda-feira, o bispo diocesano Dom Severino Clasen pediu desculpas em nome da Igreja pelas críticas do clero. A Diocese, que também faz parte do Conselho Consultivo, apoia o trabalho que vem sendo feito para salvar o hospital. “Peço perdão”, disse o bispo.
Conselho Consultivo
Fundado há quatro anos, o Conselho Consultivo é uma associação composta de 12 entidades. Seu propósito é atuar para melhorar a gestão financeira do hospital Maicé, buscando recursos e promovendo ações de melhorias. Várias foram as conquistas, mas há muito a ser feito ainda.
“Queremos ser referência em saúde para toda a região, e transformar um modelo de saúde arcaico numa coisa nova. O trabalho que estamos desenvolvendo aqui é algo ímpar, e não há história disso em Santa Catarina. No final, essas ações se reverterão em benefício da própria comunidade”, disse o atual presidente, Leonir Tesser.





