4 de outubro de 2026
Impasse

Empresários na área da Fetec estão apreensivos

Cerca de 37 empresas podem ter que deixar o local em 12 meses

Por Caçador Online

Com valor definido pela justiça em 24,8 milhões, o prédio da Sulca saiu dos planos da Prefeitura de Caçador. Através de um projeto de lei encaminhado à Câmara de Vereadores, a administração municipal quer desistir dos processos de desapropriação do prédio e reversão do terreno da antiga empresa calçadista que encerrou as atividades em 1991.

A votação deve acontecer nas sessões desta quarta e quinta-feira, 22 e 23 de abril.

Porém, o assunto tem gerado apreensão aos 37 empresários instalados nos barracões da Sulca, alguns há mais de 10 anos e outros com chegada mais recentes, através da Fetec (Fundação de Desenvolvimento Tecnológico e Empresarial de Caçador), que funciona no local como uma espécie de incubadora.

Segundo Adelfo Wajand, da Adelplast, a notícia sobre o projeto de lei chegou ao conhecimento dos empresários através da imprensa. “Ficamos apreensivos com essa situação, pois ninguém veio falar conosco. Queremos sensibilizar os vereadores da importância que nossas empresas têm para o município, com 300 empregos diretos, sem contar os indiretos”, argumenta o empresário que está no local há cinco anos.

“Não somos contra o pagamento dos trabalhadores da antiga Sulca, mas fizemos investimentos aqui. Eu tirei do bolso mais de 80 mil para refazer o padrão elétrico, assim como outros também. Sair em 12 meses vai inviabilizar o negócio de muitos aqui”, acrescenta.

Também no ramo do plástico, o empresário Vilmar Muller está no local há dois anos e meio. “Realmente essa notícia nos pegou de surpresa, a possibilidade de ter que sair sem o município disponibilizar outro local. Estão falando em prazo de 12 meses, o que é muito pouco”, diz.

Nos barracões da antiga Sulca funcionam 37 empresas em ramos variados como produção de artefatos plásticos, móveis, cozinha industrial, chapeação e prestadores de serviço. Os negócios são amparados pela Fetec (Fundação de Desenvolvimento Tecnológico e Empresarial de Caçador), inaugurada em 2009.

Os empresários garantem que estarão presentes na sessão da Câmara na quarta-feira, 22. O projeto, que era para ser votado na semana passada, recebeu pedido de vistas pela vereadora Cleony Figur (PSD).

“Não tive tempo de fazer um estudo mais aprofundado. Existem algumas questões que gostaria de buscar um esclarecimento melhor, como por exemplo o direito real de uso da Fetec (Fundação Tecnológica de Caçador), que funciona no local”, declarou a vereadora no dia 13 de abril.

Os vereadores Valmor de Paula (PT) e Carlos Evandro Luz (PMDB) se posicionaram favoráveis à aprovação do projeto.

“A justiça definiu um valor de R$ 24 milhões para o prédio da antiga Sulca e a Prefeitura não tem esse poder de investimento. A decisão de desistir dos processos é certa, assim o imóvel poderá ir a leilão e o valor será pago aos mais de 1300 trabalhadores da massa falida da Sulca que há 24 anos esperam deceber o que é de direito”, disse Valmor, informando que que não vai participar da votação por questão moral, pois é ex-funcionário da empresa.

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