3 de outubro de 2026
Amor & Sexo

21/10/2011

Por Lidiane Cattani

Saia de cima do muro

“Olá Lidi. Tenho 32 anos. Estou com uma dúvida cruel. Não sei se caso ou compro uma bicicleta. Brincadeirinha. (srsr) O meu problema, até não sei se é problema, é o seguinte: faz seis meses que estou namorando um cara muito gente boa. Nosso romance nasceu a partir dele. Ele me conheceu através de uma amiga, começou a me cortejar e eu acabei correspondente as suas investidas. Lidi, os meus relacionamentos sempre nasceram de atrações avassaladoras, daquelas de perder o chão. Muito quentes e intensas, mas que sempre acabaram morrendo na praia. Sabe, parecia amor, paixão para uma vida toda, mas que aos 40 minutos do segundo tempo, acabavam e lá estava eu, de novo, sofrendo por amor. Eu sou assim, sempre mergulhei de cabeça nas minhas relações, mas até agora sempre quebrei a cara. Não que eu não fosse correspondida, era sim, e muito, mas eles acabavam sempre indo embora. Quero acreditar que não era pra ser, que o problema não estava em eu amar e me entregar demais. Mas Lidiane, voltando ao meu novo amor. Não sei se é amor, porque como falei, nossa relação começou fria. Na verdade sem aquele fogo da paixão. Ele é tudo que qualquer mulher gostaria de ter. Nos damos muito bem em tudo, inclusive na cama, que não é tudo, mas, pra mim, conta muito. Mas sabe amiga, aquelas borboletas no estômago que aparecem quando amamos intensamente, aquele amolecer as pernas, acelerar o coração quando encontramos a pessoa amada, isso não acontece. Não sinto falta se ele não aparece, se não liga, como acontecia com os outros. Tenho medo de estar com ele e daqui a pouco me certificar de que não é isso que quero, apesar de ser cômodo ter do meu lado uma pessoa que está sempre presente, que me trata bem, que faz tudo por mim, e melhor, que, aparentemente, me ama e quer ficar comigo por muito tempo. Mas Lidi, nessa história ainda há mais um porém, conheci recentemente um rapaz que está mexendo muito comigo. Parece ser mais uma furada, mas que não estou conseguindo me controlar. Só não joguei tudo para o alto, pra curtir essa aventura, porque tenho uma filha de 3 anos, que meu namorado trata como se fosse sua filha. Sei que com esse homem será apenas curtição, ele não tem jeito de que vai querer me levar a sério, por isso Lidiane, o que você faria no meu lugar?” Patrícia – Vereda dos Trevos

Patrícia, hoje, eu com meus 36 anos, não pensaria duas vezes em continuar com o dedicado e presente namorado. Em outros tempos, até jogaria tudo para o alto. E mais, eu não me envolveria se não estive realmente apaixonada.

Mas, Patrícia querida, o tempo passa, e a tendência é que com o passar desse tempo a gente amadureça e consequentemente nossos valores, princípios se acentuem. E hoje, eu te falo com toda convicção que eu não agiria mais por impulso, e, bonitão nenhum me faria perder a cabeça e embarcar numa aventura. Mas amiga, pra você saber o que fazer, primeiramente tu tem que saber quais são suas prioridades. Se é a de ter uma família com tudo que se tem direito, digo, marido, filhos, gato, cachorro, papagaio, então, você deve sossegar o facho e ficar com seu namorado. Mas, se quer continuar quebrando a cara, então, jogue tudo para o ar e vá curtir alguns momentos de prazer com esse bonitão que apareceu na sua vida, sim, porque pelo que você relatou, não vai passar de algumas semanas de sexo selvagem. Menina, saia de cima do muro, mas, escolha com sensatez, maturidade e responsabilidade, para sua relação mais uma vez não morrer na praia.

Amiga, essas relações arrebatadores tendem a nos machucar, e machucar feio. Por isso como já falei várias vezes por aqui, prefiro a calmaria do amor, do que o fogo da paixão. Pé no chão amiga! Essa é a palavra. Hoje os relacionamentos estão muito vulneráveis, qualquer novo rabo de saia (ou de calça), acaba pondo fim a relações que teriam tudo pra dar certo. Por isso vai depender muito da maturidade da pessoa para saber fazer suas escolhas. Não digo nem maturidade, mas sim, quais são suas prioridades neste momento. Por que, muitas vezes, a pessoa até tem maturidade, mas não está a fim de assumir compromisso naquele momento, ou aquela pessoa, não é a que está buscando. Tem isso também. É verdade. Porque, às vezes, aparentemente a pessoa parece ser perfeita, não teria porque não levar a sério aquela relação, mas, uma das pessoas não quer e ponto, não dá para obrigá-la a continuar.

É nessa hora que vemos que não podemos esquecer que relacionamentos são compostos por duas pessoas e que essas pessoas devem estar em sintonia, caso contrário, não rola. A não ser que uma das pessoas resolva ceder, abrir mão e dar uma oportunidade para tentar apostar na relação. Por que pode sim, nascer uma linda história de amor, como vemos nos relacionamentos muçulmanos.

Patrícia para os muçulmanos o amor é como uma chaleira de água quente, começa com água fria e com o passar o tempo vai esquentando. Assim deve ser o amor. Pense nisso!

Com carinho,
Lidiane Cattani Rabello - jornalista

Lidiane Cattani

Sobre a coluna

Lidiane Cattani

Coluna Amor & Sexo

Depois de conversas e conselhos sobre relacionamentos amorosos à amigas, Lidiane passou a publicar essas histórias e opiniões. Os artigos deram tão certo que já são três anos desse trabalho. A participação do leitor e as pautas sobre o assunto são muitas, o que garante boas histórias. A popularidade da coluna se justifica pelo fato dos leitores se identificarem com as situações e pela forma descontraída como a autora conduz as respostas. A maioria dos artigos são apimentados, o que aguça a curiosidade do leitor.

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