EDUCAÇÃO AMBIENTAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Segundo o Relatório Brundtland (Nosso Futuro Comum), elaborado pela Comissão Mundial do Meio Ambiente e Desenvolvimento (1988), desenvolvimento sustentável é “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades”.
Pessoas e organizações, inseridas no contexto de desenvolvimento sustentável, devem assumir sua parcela de responsabilidade em relação à preservação do meio ambiente. Hoje, é possível perceber como a sociedade civil e as empresas vêm se preocupando cada vez mais com a questão do meio ambiente, seja por iniciativa própria, por pressões advindas de ambientalistas ou mesmo por exigências do mercado consumidor. O ambientalismo é um movimento organizado que congrega cidadãos, empresas e agências governamentais engajadas, com finalidade de proteger e melhorar o ambiente em que vivemos. Finalidade essa que, no caso das empresas, pode trazer uma vantagem competitiva, pois preservação ambiental e economia de recursos naturais podem resultar em economia de recursos financeiros.
Embora, historicamente, a concepção de meio ambiente esteja associada à ecologia e o homem utilize seus recursos finitos num modelo de gestão capitalista que visa lucro a todo custo, sem se preocupar com os impactos ambientais e sociais de tais práticas, é importante percebermos que essa concepção vem mudando.
A natureza, atualmente, é vista através de uma ótica maior, onde se discute não só a natureza em si, mas os fatores sociais e econômicos que permitem sua depredação, o desrespeito à própria vida e a ameaça de extinção de várias espécies, entre elas, o homem (ANJOS, 2008). São vários os movimentos históricos em busca de promoção da Educação Ambiental. Quando governos, empresas e o próprio homem compreendem que o ser humano faz parte do meio ambiente e que essa relação para ser harmônica deve ser calcada em respeito, damos o primeiro passo para compreensão do que é educação ambiental. A Educação Ambiental integra uma verdadeira educação econômica: não se trata de “gestão do meio ambiente”, antes, porém, da “gestão” de nossas próprias condutas individuais e coletivas com respeito aos recursos vitais extraídos desse meio. (SAUVÉ, 2005). Portanto, a inserção nesse contexto acontece através de ações de preservação individuais e coletivas.
A educação ambiental vem se expandindo no Brasil em diversos espaços educativos formais e não-formais. A Educação Ambiental é provocadora de mudanças políticas, estimuladora de uma racionalidade ética e ecológica e promovedora de atitudes e valores pessoais e de práticas sociais compatíveis com a sustentabilidade da vida na Terra.
Em espaços não-formais, podemos observar grandes indústrias contribuindo para a educação ambiental através da adoção de práticas de gestão que diminuem o impacto ambiental, como coleta seletiva, destinação correta de resíduos sólidos e líquidos, adoção de prática de logística reversa, certificações ISO e normas técnicas, reciclagem etc. Para as empresas de serviço, cujos impactos ambientais são menores, fica o compromisso com a promoção da educação ambiental para melhoria da qualidade de vida. “Qualidade de vida” não significa apenas a quantidade e a qualidade dos bens e serviços de consumo, mas também a qualidade do meio ambiente. Comunidades, interna e externa, devem estar engajadas em programas de redução de consumo dos recursos finitos do planeta. Ao reduzir o consumo de energia elétrica, por exemplo, além de contribuir para a preservação do meio ambiente, é possível reverter os valores monetários economizados em ações que promovam bem estar para as comunidades locais e funcionários dessas empresas.
Atos de consumo consciente, quando passam a fazer parte de uma filosofia de gestão, contribuem, até mesmo, para reduções significativas no passivo das empresas em relação aos fornecedores de energia elétrica. Porém, a utilização descontrolada das formas de energia pode causar grande impacto ambiental e, com o passar do tempo, pode levar as empresas a pagarem mais pelo uso da energia escassa. Portanto, a melhor solução é economizar recursos por meio de um consumo mais consciente. No entanto, a empresa só terá êxito em programas de consumo consciente se for capaz de envolver o público interno nesta tarefa, através de estratégias de comunicação eficazes e atividades de Educação Ambiental em si.
Bem, são questões para se pensar. Não esquecendo que para chegarmos pelo menos perto do ideal da palavra sustentabilidade ainda teremos muito a trabalhar!
Um grande abraço.
Eng. Júlio César Moschetta da Silva