O Ponto de Mutação
Hoje gostaria de transcrever um trecho do livro “O ponto de mutação” de Fritjof Capra, o qual ao meu ver tem uma relação estreita entre ciência, espiritualidade e ecologia. Neste sentido, indico outras obras do referido autor: “O tao da física” e “A teia da vida.”
Segundo Capra, está ficando cada vez mais evidente que a excessiva ênfase no método científico e no pensamento racional, analítico, levou a atitudes profundamente antiecológicas. Na verdade, a compreensão dos ecossistemas é dificuldade pela própria natureza da mente racional. O pensamento racional é linear, ao passo que a consciência ecológica decorre de um intuição de sistemas não lineares. Os ecossistemas sustentam-se num equilíbrio dinâmico baseado em ciclos e flutuações, que são processos não lineares.
A consciência ecológica somente surgirá quando aliarmos ao nosso conhecimento racional uma intuição da natureza não linear de nosso meio ambiente. Tal sabedoria intuitiva é característico das culturas tradicionais, não letradas, especialmente as culturas dos índios americanos, em que a vida foi organizada em torno de uma consciência altamente refinada do meio ambiente. Na corrente principal de nossa cultura, por outro lado, foi negligenciado o cultivo da sabedoria intuitiva. Isso pode estar relacionado com o fato de que, em nossa evolução, correu uma crescente separação entre os aspectos biológicos e culturais da natureza humana.
A evolução biológica da espécie humana parou há uns cinqüenta mil anos. Daí em diante, a evolução processou-se não mais genética, mas social e culturalmente, enquanto o corpo e o cérebro humano permaneceram essencialmente os mesmos, em estrutura e tamanho. Em nossa civilização, modificamos a tal ponto nosso meio ambiente durante esta evolução cultural, que perdemos nosso contato com a base biológica e ecológica, mais do que qualquer outra cultura ou civilização do passado. Esta separação manifesta-se numa flagrante disparidade entre o desenvolvimento do poder intelectual, o conhecimento científico e as qualificações tecnológicas, por um lado, e a sabedoria, a espiritualidade e a ética, por outro.
Penso que Fritjof Capra resume muito bem em seus livros a real relação entre o social e o natural, que ocorre nos dias atuais. Não teremos como proteger e recuperar o meio ambiente natural sem também entender as relações que este tem com a característica social e cultural apresentadas hoje. Neste sentido, só poderemos utilizar a palavra sustentabilidade envolvendo o mais próximo possível as relações sociais, ambientais e econômicas. De forma real e não como ocorre nos dias de hoje, onde a palavra sustentabilidade é muitas vezes expressa pelo lado político, mas sem teor científico algum.
Um grande abraço para todos!
Eng. Esp. Julio Cesar Moschetta da Silva