Queremos alguém do nosso lado. A que preço?
“Olá querida Lidiane! Pensei muito e resolvi contar minha desilusão amorosa a você e seus leitores. Conheci meu ex-marido na escola, no começo achava ele muito arrogante, mas, com tempo acabei me deixando envolver, começamos a namorar e depois de alguns meses noivamos. Me entreguei a ele e três meses depois engravidei, quando eu estava com seis meses de gestação fomos morar juntos. Foi aí que a decepção começou. Já nos primeiros meses começou a me trair, isso quando meu filho, que hoje está com 9 anos, nasceu. Os anos foram passando e tudo piorou. Ele era ausente, vivia jogando bola, reunindo-se com "amigos", voltou a ser arrogante e passou a tratar eu e meu filho aos gritos. Nossa vida seguiu nesse ritmo por cinco anos. Eu agüentava por causa do nosso filho, por querer preservar a família e, acho, que porque também gostava dele. Um dia ele chegou, abriu o jogo e confirmou suas traições, apesare de já saber, fiquei uma fera e sai de casa. Fiquei fora por seis meses, sofri muito durante esse período até que resolvemos voltar. Depois de uns meses ele ficou desempregado e durante um ano sustentei ele que ficava em casa assistindo TV e jogando vídeo game. Ele arrumou vários empregos depois desse período, mas não parou muito tempo em nenhum. A vida de alegria e felicidade que ele me prometeu transformou-se em desprezo, gritos e inúmeras mágoas guardadas aqui comigo. Se passou mais ou menos três anos e ele ficou desempregado de novo e sustentei-o novamente. Eu havia trocado de emprego há quase seis meses e guardei o dinheiro do acerto de outra empresa, que trabalhei por seis anos, na poupança dele. O dinheiro sumiu tão rápido que nem sei. Faz um mês que ele começou a trabalhar numa loja como vendedor e com uma semana no emprego pediu para terminar comigo, dizendo que não era feliz e pediu para eu ir embora. Sai de casa com meu filho, separamos o que tínhamos dentro de casa e levei algum dinheiro. O meu ex-marido já está namorando com outra moça e eu? EU tenho quase 29 anos, estou recomeçando minha vida, com certeza, serei feliz e nunca mais vou sustentar homem algum. Ele deveria ter vergonha na cara, está com 30 anos, foi sustentado por mim e agora sobrou para a mãe dele.” Beijo. Sua leitora CS
É isso aí amiga. É assim que se fala. A impressão que tenho é que você conseguiu se desligar dele. Tomará que isso seja verdade. Sabe amiga, acho que cada um tem a sua cruz e tudo acontece ao seu tempo. É verdade! Sei lá, tudo é muito claro, e mesmo assim temos dificuldade de enxergar a realidade. Sabemos que entramos num barco furado, mas mesmo assim teimamos em permanecer dentro dele. Falo isso porque vive uma história muito parecida com a sua.
Tenho uma tara por bombeiro, pedreiro, carpinteiro, leiteiro e todos os EIROS. (srsrsrrs). Sabe os bonitões, fortões do grupo The Village People, pois é, daquele tipão mesmo. (rsrsrs). Então. Conheci meu ex-marido em cima de um caminhão batendo caixa no carregamento do meu tio Chico. Corpão, bronzeadão, olhos verdes, meio tímido. (srsrs). Nossa! Me apaixonei de cara. Só tinha um probleminha. Ele era pião do meu tio, não tinha estudo e nada pra me oferecer. Mas, GAMEI logo de cara e já ficamos juntos, para o desgosto dos meus pais e de toda a minha família e amigos. Mesmo contra meus pais nos deram uma casa pronta para morarmos. No começo eram flores, mas desde o princípio ele era extremamente ciumento, bebia, bebia muito e tornava a minha vida um inferno.
Quando conheci ele, eu tinha acabado de voltar de Lages, onde eu trabalhava na televisão e tive experiências pessoais e profissionais fantásticas. Minha vida de contos de fadas, virou pesadelo. Desci do palco direto para a coxia. Me anulei completamente para agradar o meu "amor". Tinha que andar na linha, porque ele era extremamente violento. Ele vasculhava tudo, até cheirava as minhas calcinhas. E eu? Aceitava e permitia. Tanto que vivi sete anos da minha vida com ele. Minha amiga, CS, vou te chamar de Carla, pode ser? Como o seu ex-marido, o meu também não parava em trabalho algum. Muitas vezes eu ia atrás de trabalho para ele. Meus amigos, minha família achavam um absurdo tudo isso, mas eu queria acreditar que ele poderia mudar. Paguei os estudos dele, curso de informática, mas acredita que ele não conclui nada. Sabe por quê? Porque não era ELE que queria estudar, era EU que queria que ele estudasse, que crescesse profissionalmente. Quando ele estava trabalhando o dinheiro dele era para ele. Só gastava com bobagens, muito pouco ajudava com as despesas da casa. Eu também não cobrava, não exigia, por isso acho que fui mais errada do que ele nessa história. Eu levava ele e a casa nas costas, sem pedir nada em troca. E ele? Ele só pensava nele. Não me ajudava em quase nada, ainda me tratava mal e nos últimos anos nem comparecia direito como homem. Você deve estar se perguntando: porque ficou com ele durante tanto tempo?
Olha, eu acho que porque esse era o tempo que estava determinado para eu ficar com ele. Sabe, quando parece que algo estava programado para acontecer pra você. É isso. Acredito que eu precisava passar por essa provação. Pode ser crendice, mas, só pode ser. Porque, como pode uma mulher esperta, antenada, pra frente, batalhadora, guerreira como eu, poderia perder tanto tempo com uma pessoa que, aparentemente, não teria nada para lhe oferecer? Acredito nesta explicação e quero acreditar nela. Sempre brinco que paguei todos os meus pecados com ele. (srsrs)
Carla tenho mais uma explicação para justificar o por que fiquei tanto tempo com ele. Primeiro porque no começo gostava de verdade dele. Foi amor à primeira vista. Depois porque acreditava que apesar dele ser de origem humilde poderia crescer. Eu queria mostrar para todos que ele poderia vencer. MAS essa vontade era só minha, não dele, por isso ela foi embora pelo ralo. Eu também sempre fui doida por ter uma família, digo, a MINHA família. Sabe? Marido, mulher, filhos, gato, cachorro, papagaio, tudo que uma família tem direito. MAS, em momento algum ele me passou segurança para embarcar numa gravidez, por isso sempre me cuidei para não ter filho com ele. Por último, teimava em aceitar aquela relação, por mais infeliz que eu fosse, por medo de ter que voltar para o "mercado" ter que encontrar uma nova pessoa para construir uma família, mas, quando vi que não dava mais para continuar, então resolvi chutar o balde e por um ponto final na nossa história. Graças a Deus, dessa vez ele foi embora sem ameaças, sem agressões, sem brigas. Assim, encerrou o ciclo. Já superei esse desastre que foi a experiência do meu primeiro casamento e acredito que ainda vou encontrar uma pessoa que realmente valha a pena.
Carla querida, nós mulheres somos assim, toda coração, toda ilusão, toda emoção. Não tenho vergonha nenhuma em expor minhas desilusões amorosas, não tenho vergonha de dizer que amo, que sou apaixonada, não tenho vergonha em assumir que quero sim alguém para estar ao meu lado. Não tenho vergonha de dizer que já escrevi carta de amor, ridículas como todas as cartas de amor. Amiga, os momentos felizes são tão curtos, por isso te digo, não perca mais tempo, nem páginas, nem água, luz, saliva, nem nenhum tipo de energia, nem afeto, nem atenção, muito menos tempo com quem não gosta de estar do nosso lado. Pense nisso!
Com carinho,
Lidiane Cattani Rabello