Matemática do Colombo
Sou professor da rede pública estadual, leciono Língua Portuguesa e Literatura, pós-graduado. Ainda assim não domino tudo o que diz respeito à nossa querida Língua, quem dirá alguns conceitos de matemática. Desta, sei somente o necessário para sobreviver num mundo onde tudo é cálculo...
Sou um semi-analfabeto matemático assumido, tenho que pensar muito para resolver uma regra de três, às vezes me pego contando nos dedos nas operações simples e a álgebra então, continua sendo uma incógnita em minha vida...
Mas, apesar de tudo, me viro muito bem, dificilmente deixo passar um troco errado no supermercado, na hora de fechar as médias bimestrais também não me apuro...
Meu cérebro de memória pouco numérica, porém não entende a matemática do governo do estado de Santa Catarina: Ele diz não ter dinheiro o suficiente para pagar o piso salarial do magistério de acordo com a lei federal e, bem sabemos, nós pagadores de impostos que estamos diante de uma grande mentira, pois a verba do FUNDEB existe, mas na minha conta corrente é que não está, sessenta por cento é destinada aos honorários dos profissionais da educação, os outros quarenta por cento são para manutenção: Não vejo nem bons salários, nem boas manutenções pelas escolas onde passo...
Aí o “Colombinho” vem a público dizendo que vai incorporar prêmio educar, jubilar, abono disso e daquilo para chegar ao valor do piso, o que, nas minhas contas de matemático meia-boca acaba resultando em perdas salariais, apesar do salário base aumentar de forma vergonhosa e estratégica para confundir o cérebro dos menos atentos...
O vivente fala que vai pagar o piso só para os iniciantes, desmerecendo toda a carreira dedicada à escola pública dos demais trabalhadores, depois mostra uma tabela atrás da outra mudando um número aqui, um algarismo lá, uma porcentagem acolá... Coloca no base, tira da regência, que aliás é direito adquirido... promete recuperar a regência ano que vem... Conversa mole que não o deixa investir mais do que os vinte e dois milhões mensais que diz ter disponível...
Peraí! E o resto do dinheiro arrecadado pelos nossos impostos sofrivelmente pagos em tudo o que compramos?... Conferi minha conta no BB e lá, infelizmente também não está. Mas alguém deve ter visto esse dinheiro e não quer nos contar... Deve ser muito ocupado para não perceber que está lidando com o dinheiro do povo e que este deveria retornar a ele na saúde e na educação, entre outros...
Isso acontece há quase uma década e ninguém percebe, só o governo federal que negou ajuda: É claro, pois nosso estado tem uma das maiores arrecadações do país, porque precisaria ajuda do planalto?... É como um mendigo sair pelas ruas pedindo esmola de carro zero... Nossos gestores estaduais dizem não ter dinheiro, mas nunca baixam sua qualidade de vida, continuam com os mesmos benefícios e regalias de sempre, rindo dos professores que se obrigam a sobreviver com um salário cada vez mais defasado, um vale alimentação muito menor que de outros funcionários públicos estaduais (Será que eles comem maisque nós?) e um monte de penduricalhos que agora querem chamar de salário base, tentando nos fazer acreditar que teremos aumento salarial...
Posso estar errado, por isso consultei uma colega professora de matemática para que ela me explicasse como é que funcionam os cálculos dessas gravatas fétidas eleitas por nós... Eis a resposta dela:
Quanto é cinco mais cinco?... Dez!... Quatro mais seis?... Dez!... Sete mais três?... Dez!... Oito mais dois?... Dez, é claro!... Pois bem, esta é a matemática do Colombo... Vira e mexe, é a mesma coisa...
Márcio Roberto Goes
www.marciogoes.com.br