Educação Ambiental em Caçador
Na última matéria comentei sobre as atividades realizadas na semana do Meio Ambiente em Caçador, entre elas, o Fórum sobre Educação Ambiental que ocorreu na Câmara de Vereadores do mesmo município. Sobre este evento e tema, gostaria de fazer algumas contribuições, lembro que não sou dono da verdade, mas meu objetivo aqui é apenas abrir um debate sofre este importante tema.
Falando em debate, este foi o principal objetivo do Fórum de Educação Ambiental, promover um debate entre os principais envolvidos na Educação Ambiental em Caçador e os demais atores sociais. Neste sentido fico muito desanimado visto o pouco número de pessoas que participaram deste evento, restringindo assim em muito a qualidade do debate. Em suma penso que Caçador ainda tem muito a evoluir nesta área. Ainda temos poucos profissionais que realmente sabem qual é o papel fundamental da Educação Ambiental em nosso país.
Quando eu comecei a trabalhar com a área de Educação Ambiental, isso há mais de 12 anos atrás, posso dizer que era raro a utilização deste termo em nosso município, não se falava e nem se pensava em educação ambiental para a coletividade, existia poucos trabalhos nesta área e destes, todos direcionados para algumas escolas do município. Para tanto fui buscar fora de Caçador a experiência nesta área, participei de cursos, palestras, seminários, visitei cidades que desenvolviam bons trabalhos na área ambiental, apresentei artigos com o tema Educação Ambiental em Caçador, que foram resultados de pesquisas feitas aqui no município. Sendo assim posso fundamentar os meus pensamentos quando falo do histórico da Educação Ambiental em Caçador.
Sobre a Educação Ambiental no ensino formal, posso dizer que apesar desta ser prevista em lei e obrigatória em todos os níveis de ensino, ainda temos muito que evoluir a nível de Brasil. Em Caçador iniciamos algumas discussões há uns 8 anos atrás, no sentido de criar o Plano Municipal de Educação Ambiental, previsto em lei, para que este fosse o principal instrumento de nossas escolas, no sentido de auxiliar o professor a cumprir a visão de transversalidade da Educação Ambiental. No entanto a intenção da elaboração do plano em questão acabou em pizza! Hoje, vejo que existem muitos educadores ambientais, mas muitos destes se apresentam assim por um questão de praticidade, pois a visão ambiental de tornou idéia de moda, algo para vender mais, algo para conquistar os clientes, algo para fazer bonitinho; mas de fato poucos são verdadeiros educadores ambientais, poucos realmente levam o Meio Ambiente no coração.
Não quero dizer com tudo isso, que a Educação Ambiental está perdida, mas sim, que devemos reformular nosso rumo, visto que o caminho da Educação Ambiental está meio tortuoso. Precisamos sim do Plano Municipal de Educação Ambiental e acima de tudo precisamos capacitar os nossos professores principalmente, para implementar a visão ambiental no coração dos alunos e não apenas falar de coleta seletiva porque é mais prático de conseguir material e é bonitinho! A visão ambiental está muito além, precisamos urgentemente rever nossos conceitos como educadores e reformular a nossa metodologia de ensino.
Como o grande Paulo Freire nos ensina: “A educação é um caminho de duas vias, entre o professor e o aluno, na verdade o professor ensina – aprendendo e o aluno aprende – ensinando”. Pensando assim, temos um grande caminhos para ensinar sobre o Meio Ambiente, mas acima de tudo aprender com ele.
Um grande abraço a todos e até a próxima.
Eng. Júlio César Moschetta da Silva