Fidelidade: uma opção diária
“Oi Lidiane, tenho 33 anos, namorei por 3 anos com o homem que considerava o amor da minha vida. Tivemos um início de namoro conturbado, já no primeiro mês, quando estávamos cheios de amor pra dar, ele veio com um balde de água fria, dizendo que além de mim, tinha uma outra mulher com quem já saia, mas que com ela era diferente, pois não cobrava fidelidade, nem compromisso sério. Só que comigo o buraco era mais embaixo. Na mesma hora terminei o pouco que já existia, mas logo reatamos. Durante os três anos, ele terminou comigo várias vezes e eu, sempre apaixonada, voltei todas elas sem questionar, sem cobrar nada. Eu sabia que ele não saia só comigo, mas mesmo assim estava cega e continuava cega e, pior, transava com ele sem camisinha, até que um dia ele veio com uma conversa de que tinha ido ao urologista e que estava com infecção na próstata, portanto, precisava de tratamento, ele, eu e a torcida do flamengo (srsrsrs – hoje dou risada – mas fechei os olhos por vários anos), sim, porque ele teve a cara de pau de dizer que comprou medicamento para mim e para outra moça também.

Lidiane, você acredita, que de tão cega de amor que eu estava por ele, que aceitei a desculpa sem questionar? Mas, depois apresentei a ele o preservativo e ele não questionou, simplesmente passou a usar. Eu sei que não sou nenhuma burra, que sou uma mulher super independente e resolvida, mas no quesito amor, sou literalmente uma anta. Hoje admito. (srsrsr) Acho que porque não queria perdê-lo. Na verdade não queria enxergar que na verdade ele nunca esteve comigo, que eu amava por nós dois.
Depois de tantas idas e vindas, há pouco tempo ele mais uma vez me deixou, só que dessa vez sem dizer adeus, simplesmente passou a me ignorar por completo. Foi quando caiu a minha ficha e passei a ver que realmente eu conseguia viver sem ele e melhor, passei a enxergar bons partidos que estavam a minha volta. Não que comecei a me envolver com todos os homens que me cercam. Não! Simplesmente me dei a oportunidade de conhecer alguém que achei valer a pena. Lidiane, não tenho pretensão nenhuma em voltar com ele, nem que se arrependesse do nada que me deu durante todo esse tempo e quisesse retomar o tempo perdido. Só escrevi porque quero dividir a minha história com outras mulheres que passaram, estão passando ou passarão por uma situação semelhante. Gostaria que opinasse sobre esse assunto, poder ser?” Fernanda - Centro
É Fernanda, fidelidade. Palavra que não faz parte do vocabulário masculino. Opa! Claro que tem exceções, pouquíssimas, mas tem. Fer, acredito que sua relação morreu na praia por causa da infidelidade do seu parceiro. Mulher nenhuma aceita pelo resto da vida a traição, por maior que seja o amor por seu companheiro. Há um tempo atrás li está frase no Orkut de uma amiga virtual: “Ser fiel não é uma obrigação e sim uma atitude de caráter, de pessoas que se amam e que se respeitam.”
Por isso Fernanda, para mim, fidelidade é uma opção diária. Vou falar por mim, de como vejo a fidelidade. Para isso vou tomar como exemplo meus relacionamentos mais recentes. De dois anos pra cá, depois que me separei do homem com quem vivi durante sete anos, como já falei várias vezes por aqui, tive apenas dois relacionamentos que considerei importante. E a esses dois amores, enquanto os amei, fui fiel, até mesmo, quando não estava mais tendo qualquer tipo de relação com eles. Eu era fiel ao amor que sentia por eles, sim, porque acredito que não dá para amar uma pessoa e no dia seguinte deixar de amar. Leva tempo. Cada pessoa tem o seu. Eu tive o meu. Não sei ELES, mas eu durante o tempo que fiquei com eles eu acordava todo dia pensando: Vou ser fiel ao meu homem, vou ser fiel a meu homem. Mas, quando eu acordar e resolver que não vou ser fiel, ele vai ser o primeiro a saber porque meu relacionamento vai acabar ali. Mas não serei infiel. Acredite, fui fiel até mesmo depois que as relações terminaram. Essa deveria ser a atitude de quem ama, digo, de quem ama e respeita a pessoa, que está do seu lado, e a si mesma.
Fernanda, hoje vejo que o perfil da pessoa que me procura em busca de respostas para suas frustrações amorosas está numa destas duas categorias: ou se queixa por não ter um companheiro, ou reclama do parceiro que tem.
Isso quer dizer que, enquanto estivermos reféns dos contos de fadas e príncipes, estamos frustrados, pois, erroneamente, a expectativa é muito maior do que a possibilidade. Quanto mais ilusão, mais frustração.
Gosto do Vinicius de Moraes quando poetisa: "O Amor existe enquanto dura".
Para mim o amor pode durar um momento, um mês, alguns anos, a vida toda ou, quem sabe, a eternidade.
A fidelidade não diz respeito apenas à questão sexual e sim a um conjunto de assuntos a dois. Fidelidade diz respeito a mim mesmo (a). Eu me dou, eu me resguardo, eu me respeito. Não concordo nem discordo sobre a infidelidade do homem e/ou da mulher e respeito à liberdade de ser de cada pessoa.
- É mais próprio do homem ser infiel e é mais próprio da mulher ser fiel?
- Ser infiel é sinal de masculinidade? Ser fiel é sinal de feminilidade?
- Isto está mudando? É cultural?
- Por que ser fiel a um time de futebol haja o que houver e não ser fiel a uma mulher?
Você lembra? O Divino Mestre não permitiu que fosse apedrejada a mulher adúltera e disse a ela: “Nem eu te condeno, vai e não peque mais”. Assim é que sempre me pergunto: afinal, com quem a mulher estava adulterando? Por que não trouxeram também o homem que estava com ela? Só ele livre e impune? Sabe Fer, acredito que as normas são costumes de época para organizar a sociedade.
Penso que, se a fidelidade é espontânea, ótimo. Mas, se não houver fidelidade, cabe a cada pessoa tomar sua decisão: amor incondicional porque quero continuar mesmo assim ou pulo fora do barco?
Acho que a confiança e o respeito deveriam vir em primeiro lugar. Pra mim é ridículo, indigno ter que monitorar o parceiro (a). Também é da personalidade de cada pessoa particularmente ser fiel ou não a alguém. Posso optar por ser fiel, independente da fidelidade do (a) outro (a). Isso é uma questão de escolha. Sou fiel porque quero ser fiel e ponto. Sou fiel por mim, não somente pela outra pessoa.
Para concluir: uma pitada de ciúme é próprio de quem ama, é bem querer, é cuidar do relacionamento. Tudo que é demais não presta, assim como tudo que é de menos não é bom: buscamos em tudo nos aproximar do equilíbrio e bom senso.
Só quero abrir um parêntese para a falta de uso de camisinha Fernanda. Sei que muitas moças como você “confiam” no parceiro e acabam transando sem camisinha. Eu lhe pergunto amiga: Você sabe onde se encontra o maior grupo de risco de Aids e DST's? Não. Entre as mulheres que tem um único parceiro. Então MULHERES, sem camisinha não dá. Quem vê cara, não vê Aids, nem DST's. Pense nisso!
Com carinho,
Lidiane Cattani Rabello - jornalista