3 de outubro de 2026
Amor & Sexo

15/05/2011

Por Lidiane Cattani

Sou mais qualidade, que quantidade

Olá Lidiane,

Acompanho semanalmente seus artigos aqui na Revista Ideia e quando não leio por aqui acabo lendo-os no Caçador.net. Nossa Lidiane, quando estou lendo parece que estou conversando com você de tão agradável é a “conversa”. Você escreve de uma forma clara e pessoal, que a leitura fica de fácil compreensão. Às vezes tenho a impressão que somos amigas íntimas, sabe? Você demonstra ser muito transparente e sincera nas suas colocações, acho que realmente é assim no seu dia-a-dia também. Bom, agora vamos ver se você pode me ajudar.

Lidi, tenho 35 anos, estou com um cara muito bacana há mais de seis meses, no princípio engatamos um namoro, mas ele resolver terminar, achou que estava se apegando, e que no momento, não era o que queria, porque tinha acabado de sair de um casamento. Ele disse que o problema não era comigo, mas sim, com ele. Nos afastamos por exatos dois meses, neste período, procurei não saber nada sofre ele, tentei tocar minha vida pra frente sem olhar pra traz, mas, ele acabou voltando por livre e espontânea vontade. Faz mais ou menos dois meses que voltamos a nos relacionar. Sabe Lidi, nós não estamos namorando, estamos apenas nos vendo, pelo menos uma vez na semana, mas pode demorar o tempo que for para nos vermos, que quando estamos frente a frente parece que convivemos juntos há anos, tão forte é a atração que temos um pelo outro.

Nós dois temos uma vida profissional bem agitada, o tempo para se ver é escasso, mas sinto que ambos sentimos a falta um do outro, tanto que nessas idas e vindas, eu não consegui me envolver com outros homens, até tentei me dar a oportunidade de conhecer outra pessoa, mas o Marcelo em nenhum momento saiu da minha cabeça. Como eu te falei, não estamos namorando, o problema é que tem alguns rapazes, até interessantes, que ficam me cercando, querendo me levar a sério, mas o meu amor é dele, só dele, não sei se é coisa de mulher, mas, não consigo beijar, muito menos ir pra cama se não for com o Marcelo. Lidiane, você acha que estou agindo certo? Devo continuar me envolvendo com ele ou tentar me relacionar com um desses rapazes que quer me namorar, me levar a sério? Maria Eduarda – Vila Kurtz

Sabe Duda, acho que você até já leu aquele meu artigo “Prefiro o amor, que o fogo da paixão”. E é exatamente o AMOR que eu prefiro e pelo o que vejo você também. Quando digo que sou mais a qualidade, que a quantidade. Quero dizer que dispensaria todos os homens do mundo para ficar com apenas um, com aquele que realmente AMO. Tenho certeza, que mesmo as mulheres que se envolvem com vários rapazes ao mesmo tempo, lá no fundo, bem lá fundo, elas gostariam de ter apenas um que gostasse delas de verdade e vice-versa. Eu também acredito que como tem poucos homens que respeitam e levam a sério uma única mulher, o contrário deles, a maioria das mulheres são capazes de levar a sério um único homem a vida inteira. Por isso Duda, se fosse eu no seu lugar, eu ficaria com o Marcelo e deixaria a vida me levar. Eu sempre digo, se for para me entregar, então que seja para alguém que eu ame, alguém que eu tenha vontade de estar, alguém com quem eu tenha o prazer de estar entre os seus braços, nem que ele não me ame na mesma intensidade, mas se está comigo é porque alguma importância tenho na vida dele.

E os outros rapazes? Infelizmente vão ficar a ver navio, porque acredito que como eu, você também não conseguiria se envolver, uma vez que seu coração já tem dono. Mulher quando ama, ama de verdade e, diferente dos homens, não se envolve só por sexo. Mas se você não amasse mais o Marcelo, daí recomendaria que escolhesse um dos rapazes, com o qual tivesse mais afinidade, e se desse a oportunidade de se envolver, mas, apenas com um, não com todos aqueles que estão te cercando, acho que não faz parte da sua conduta. E também, acho que não seria legal.
Duda não tenha medo de se entregar a esse amor. E dê tempo ao tempo, se for para você e o Marcelo ficar juntos o Universo vai conspirar para isso. Menina, entregar-se significa deixar de viver analisando, apegando-se a velhos preconceitos. É dar um salto no abismo, é acolher o novo de mente aberta.

Vou te contar uma pequena história que ouvi, há alguns anos, de uma senhora, no ponto de ônibus e que, até hoje, trago comigo. Leia com atenção! Numa noite escura, um homem andava no meio de uma floresta. De repente, ele caiu. A única coisa que conseguiu fazer foi segurar-se em um galho. Quando olhou para baixo, só viu escuridão. Começaram então os pensamentos catastróficos: "Eu vou cair neste abismo e vou morrer... Este galho não vai agüentar, eu vou me machucar todo". À medida que o tempo passava, o galho ia se desprendendo, e cada vez mais o homem se desesperava, com medo de cair e morrer. A claridade foi chegando com a manhã, e então ele percebeu que estava com os pés a apenas quarenta centímetros do chão e que todo o seu medo e sofrimento tinham sido infundados.

Assim fazem as pessoas que não se soltam das raízes do passado para voar em direção aos sonhos do presente. Ficam com medo de se arrebentar, quando, na realidade, o salto a ser dado tem pouco mais de quarenta centímetros: a distância que separa o cérebro do coração.
Este é o grande salto a ser dado: parar de viver o tempo todo se analisando e deixar de ouvir o "juiz" que existe na sua cabeça. Passar a viver os acontecimentos, em vez de ficar julgando a si mesmo, o outro e tudo o que está ocorrendo.

Muitas pessoas confundem entrega com submissão, o que é um erro, pois cada uma delas se origina em um ponto distinto da personalidade. Enquanto a entrega tem origem na autovalorização e é movida pelo amor, a submissão decorre de um sentimento de inferioridade e é mobilizada pelo medo.

Duda, ser amado e amar significa "entrega em intimidade", isto é, sintonia das emoções. Quando entregamos uma parte do nosso espaço e tempo à pessoa amada, não significa que perdemos nossa individualidade.
Na entrega, nos tornamos transparentes para o outro, sem o uso de qualquer máscara, o que possibilita ao ser amado nos ver e nos sentir exatamente como somos.

Na entrega, é como se um pudesse ver o que o outro está pensando, porque estão sintonizados na mesma freqüência de sentimentos.
A confiança é o suporte básico para a entrega e necessita ser mútua, isto é, não pode se inclinar para um lado só num grande amor. Todos temos guardado, dentro de nós, nossos segredos, nossos sentimentos, nossas dúvidas, inquietações e medos; nossa genialidade, nossa criatividade, nossa beleza, sensualidade e sexualidade; todas as nossas verdades, vivências e experiências boas e ruins, que representam o nosso tesouro íntimo e que só nós conhecemos e fazemos questão de manter no fundo do nosso ser.

Entregar-se ao outro é presenteá-lo com a chave desse cofre, é transformá-lo num ‘explorador’ e ‘guardião’ e todas essas riquezas. E, na entrega mútua, os tesouros se fundem e se transformam num grande amor — cada um é depositário e depositante da riqueza dos dois. Nessa fusão, o par de amantes ultrapassa todos os limites e se integra no Universo.
Para muitos, isso pode parecer uma grande ameaça, porque a entrega implica comprometimento com o amor. Não se entregando profundamente a alguém, a pessoa fica se entregando aos pedacinhos a várias. Duda, o Marcelo deve estar tendo que enfrentar esse medo, este bloqueio, por isso se você realmente gosta dele e acha que pode esperar, de este tempo a ele. Amiga, este medo do Marcelo é típico do comportamento masculino, desde que o mundo é mundo, a maioria dos homens não consegue se envolver com uma única mulher, eles sempre estão se engraçando por qualquer rabo de saia que esteja dando mole. Mas isso até não ser flechado pelo amor.

Li outro dia no livro “Comporte-se como uma dama, pense como um homem”, a história de um empresário bem sucedido, bem casado, com filhos e que não podia ver uma mulher diferente que logo tratava de se envolver e se gabar para os amigos o seu feito, a sua nova conquista. Isso até sua esposa descobrir e pedir a separação. O homem se acabou. Virou um bagaço. Quando se viu livre para se envolver com quem e quantas mulheres quisessem ele não tinha ânimo nenhum. Emagreceu, sua vida era da casa para o trabalho e do trabalho para casa, se afogou numa profunda deprê. Seus amigos tentavam o reanimar, mas ele não queria sair, não queria se envolver com outras mulheres. O que ele queria era sua família de volta. Quer saber o fim dessa história? Sua mulher o aceitou de volta e retomaram a suas vidas e ele se tornou um novo homem, porque viu que o que realmente tinha valor, importância em sua vida, era sua família.

Por isso Duda, mas uma vez te digo, viva intensamente o seu amor pelo Marcelo, se jogue de cabeça nessa relação, viva o hoje, o amanhã a Deus pertence. O que não dá é se entregar a alguém amando outro homem. Pelo menos comigo não rola. Só conseguiria me envolver com outro se não sentisse nada por ninguém. Amiga, vai fundo! Curta cada momento nos braços do seu amor.

Com carinho,

Lidiane Cattani Rabello

Lidiane Cattani

Sobre a coluna

Lidiane Cattani

Coluna Amor & Sexo

Depois de conversas e conselhos sobre relacionamentos amorosos à amigas, Lidiane passou a publicar essas histórias e opiniões. Os artigos deram tão certo que já são três anos desse trabalho. A participação do leitor e as pautas sobre o assunto são muitas, o que garante boas histórias. A popularidade da coluna se justifica pelo fato dos leitores se identificarem com as situações e pela forma descontraída como a autora conduz as respostas. A maioria dos artigos são apimentados, o que aguça a curiosidade do leitor.

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