3 de outubro de 2026
Amor & Sexo

19/04/2011

Por Lidiane Cattani

Sou palco, não sou plateia, muito menos coxia

Lidiane, tenho 37 anos e há sete me relaciono com um homem casado. Me considero uma mulher muito bonita, atraente, sedutora, profissional bem resolvida, já tenho minha estabilidade financeira, me considero uma boa amante, amiga, companheira, leal. Desde que comecei a me relacionar com o P. nunca mais tive outro homem, apesar dele não me dar mais do que uma noite de amor por semana. Ele nunca me disse que abandonaria a casa, a esposa e os filhos pra ficar comigo, mas eu, lá no fundo, sempre alimentei as minhas esperanças de que um dia ele tomaria essa decisão e eu passaria a ser a sua mulher oficial. Afinal eu parecia ser a mulher ideal/perfeita pra ele quando me comparava com a mulher legítima, a qual, de uma certa forma, sempre invejei. Os anos foram passando, as oportunidades também, hoje, mas do que antes, queria ter a minha família. Família que ele já tem. Lidi, vejo que estou longe dos seus planos para o futuro. Minha família fala, meus amigos falam, todo mundo fala que devo por um ponto final nessa hist
ória, porque pelo P. ele leva nós duas, e outras mulheres, até o final da vida. Sei que você não vai resolver o meu problema, mas, me dá um norte? Beatriz – Morada do Sol

Olha Bea, outro dia estava eu organizando a cozinha com a televisão ligada e, justamente, naquela hora estava passando a novela Insensato Coração. A personagem da atriz Deborah Secco, Natalie Lamour, foi abordada pelo bancário Horácio Cortez (Herson Capri), que dá uma investida na moça. Só que ela vê uma larga aliança piscando na mão esquerda dele e logo solta o verbo: "Eu sou palco, não sou plateia e muito menos coxia! Não nasci para ser a outra. Nasci pra ser a primeira e única. Posso até rever minha posição sobre fazer filme pornô algum dia, mas sobre homem casado, não.” Bea, depois daquele dia trago esta frase comigo a tiracolo (srsrs). Há muito tempo, homem casado pra mim não rola, por mais lindo ou rico que seja. Olha que já poderia estar numa situação financeira muito melhor, se cedesse as investidas de homens casados e bem sucedidos. Não me sujeito a isso, prefiro ganhar pouco, mas de forma honesta e, melhor, de cabeça erguida, sem prejudicar a mim mesma.

Bea, vou te confessar, apesar de hoje pensar diferente, quando tinha meus 23 anos eu me apaixonei por um homem casado que tinha a idade do meu pai, quase o dobro da minha. Eu não o via como “amante”, simplesmente como um homem o qual eu era apaixonada. Tivemos um relacionamento de alguns meses apenas, daí fui embora para Lages e me desliguei dele. Se passaram 13 anos, nunca mais nos envolvemos, hoje somos bons amigos. Qual a lição que tirei desse meu comportamento? Que quando a gente é jovem é inconsequente e age por impulso, muitas vezes para se auto-afirmar.

Leitor (a), atire a primeira pedra quem nunca cometeu um pecado. Todo mundo já fez isso pelo menos uma vez na vida, nem que seja por pensamento.  Eu me envolvi por amor, não por dinheiro e também eu não me achava jovem demais para ele.

Mas Bea, homem casado é um problema e quando tem dinheiro pior ainda. Eles acham que podem “comprar” a mulher que quiser. E compram. Porque muitas têm o seu preço.

Mas esta questão tem dois lados da moeda, que é quando a mulher se envolve só por curtição, que é aquela que busca apenas sexo por sexo e que vê a aliança como um chamariz. Parece uma coisa. Se o homem está sozinha ninguém quer, bastou assumir compromisso com alguém que daí sim se torna mais atraente. Acordem meninas! Essa é pra vocês que adoram aproveitar a juventude para conquistar homens comprometidos, sejam eles: namorados, noivos ou casados. Bem-vindas ao pesadelo da realidade e aproveitem enquanto vocês estão roubando o homem de alguém, porque um dia alguém vai roubar o de vocês. E quando esse dia chegar, não se espante se esse alguém for sua melhor amiga, sua vizinha, sua colega, sua prima ou alguém mais próximo ainda, como uma irmã, por exemplo.

Por outro lado tem a mulher que se envolve por amor e aí que se encaixa o seu caso Beatriz. Hoje, eu penso o seguinte, ser amante só por ser amante não há vantagem nenhuma, principalmente se o homem só quer uma aventura. Se for essa a regra dele, então imponha as suas exigências. Porque além de alguns momentos de prazer, digo, sexo, ele deve comparecer de outras formas, como te ajudando financeiramente, por exemplo. Amiga, os anos passam, você está perdendo sua juventude e outros bons partidos, para se dedicar a uma pessoa que não está te dando garantia nenhuma de futuro, então, o mínimo que ele pode fazer por você, é te dar estabilidade.

Bea, sei que são vários os motivos que levam uma mulher a se envolver com alguém comprometido. Baixa auto-estima, imaturidade, carência, leviandade, amor (por que não?). Sei também que o «bicho» homem solteiro, que queira compromisso, está escasso no mercado, por isso para não se sentir sozinha, para suprir suas carências, a mulher acaba se sujeitando a se envolver com quem aparece. Sei que vai do ponto de vista de cada um admiti-los ou não como justificativa para alguém aceitar a condição de amante. Só que ser a outra traz sofrimento. É angustiante, um eterno apostar e esperar. São datas especiais que você vai ter que abrir mão porque é com a família que ele vai passar. Conquistas e perdas que vai ter que comemorar e superar sozinha ou com sua família e amigos. Querida, trata-se, portanto, de uma opção.

Abrindo um parêntese para as mulheres traídas. Eu já foi traída, não uma, mas várias vezes, e pior, com mulheres muito próximas de mim. Quer saber o que aprendi com isso? Que a lealdade é o bem mais precioso que podemos dar para uma pessoa. Então, a traição pode ser perdoável, possível e até necessária, desde que não exponha o parceiro, nem interfira no casamento. Acredito que o relacionamento é tão mais importante que não acho justo jogar tudo fora por causa de uma escapada. Mas, se pudesse evitar, em momento algum gostaria de saber que meu marido tenha se envolvido com outra mulher. Se for pular a cerca, que faça bem feito. Digo mais, prefiro ter fama de corna, do que de puta.

Mas BEAs, sejamos francas: várias de nós arriscam embarcar numa relação com um homem comprometido. Tudo bem... desde que estejam cientes do dever de arcar com as conseqüências dessa decisão. Se após um ano o homem não tomou nenhuma atitude, ele não vai mais tomar. Cabe à amante decidir se vale esperar ou não. No seu caso já se passaram sete anos, pule do barco já, não perca mais nenhum dia com esse homem. Eu também perdi sete anos com meu ex-marido, não me separei antes porque tinha medo de ter que voltar ao “mercado”, encontrar outro companheiro para constituir a família que tanto desejo, mas um dia acordei e disse para mim mesmo, EU NÃO QUERO MAIS ESSA VIDA, eu não estou feliz. Antes sozinha, do que ter alguém do lado só para dizer para a “sociedade” que eu era casada, mesmo que mal casada. Continuo sozinha? Continuo. Continuo querendo ter a minha família? Continuo. Continuo querendo encontrar um companheiro? Continuo. E você Bea? O que está buscando? Uma família? Então, não perca mais tempo, corra atrás, nunca é tarde para ir em busca da felicidade.

Com carinho,

Lidiane Cattani Rabello - jornalista

Lidiane Cattani

Sobre a coluna

Lidiane Cattani

Coluna Amor & Sexo

Depois de conversas e conselhos sobre relacionamentos amorosos à amigas, Lidiane passou a publicar essas histórias e opiniões. Os artigos deram tão certo que já são três anos desse trabalho. A participação do leitor e as pautas sobre o assunto são muitas, o que garante boas histórias. A popularidade da coluna se justifica pelo fato dos leitores se identificarem com as situações e pela forma descontraída como a autora conduz as respostas. A maioria dos artigos são apimentados, o que aguça a curiosidade do leitor.

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