Prefiro a calmaria do amor, que o fogo da paixão
Lidiane, tenho 38 anos, estou solteira há pouco mais de dois anos. Sou uma mulher bonita, atraente, bem resolvida profissionalmente e tenho uma vida social ativa. Não acho que exijo demais dos homens. Eu só não sou pegadora. Eu prefiro viver poucos relacionamentos, mas intensos. Estou solteira porque ainda não apareceu uma pessoa que realmente me preenchesse. Se for para beijar na boca por beijar na boca, eu nem faço questão. Claro que já tive um rolinho ali, outro aqui, mas nada ainda que pudesse oficializar como um namoro. Às vezes, bate uma carência, é bom se sentir apaixonada. Sabe Lidiane, eu queria muito encontrar uma pessoa que realmente quisesse algo sério, mas está difícil? Isabela – Vila Paraíso

Amiga eu lhe pergunto: você está buscando amor ou paixão? Pela que vejo, como eu, você também busca o amor. No final do ano passado li uma entrevista da atriz Carolina Dieckmann onde ela dizia que teve pouquíssimas relações durante a vida porque ela detesta paixões, só gosta de amor calmo e sereno. O que acontece então? Ela não teve paixões? Sim, com os dois maridos, mas só se sente de fato feliz e serena, quando essa paixão vai sendo substituída pelo amor, que é o verdadeiro sentido da vida. Amor exige tempo, muito tempo e claro, não devemos reverter à ordem, que é se conhecer, namorar, noivar e por fim, casar. Mas hoje com a modernidade dos relacionamentos começa-se pelo casamento. As pessoas mal se conhecem, vão brincar de casinha e viver juntos como marido e mulher.
Porque hoje as pessoas casam e descasam tanto, ou melhor, porque as pessoas trocam tanto de parceiros? Fui casada por sete anos, faz quase dois que estou separada e sozinha. Sei que são vários os motivos que levam a separação. Eu tive os meus. O que quero dizer é que não é porque estou solteira que vou lotar meu coração de “novos amores”. Amor é coisa séria, depois que me separei só tive dois relacionamentos, e pra mim, não é assim tão fácil, AMAR E DESAMAR, como se troca de roupa. Não existe essa de amar alguém e amanhã transferir esse amor para outra pessoa. Leva tempo e precisamos aprender a conviver com a perda, mas também não podemos nos fechar para o novo, claro que devemos sim, nos reservar, nos preservar.
Mas o que quero dizer é que nas poucas vezes que saí para dançar, ver gente, me divertir, o que vi foi uma liberação total, uma falta de pudor e comportamento promíscuo sem medidas. Que fique claro, que não dá para generalizar. Mas com tanto sexo sem compromisso, fica difícil um homem querer levar um relacionamento sério com uma única mulher, uma vez que é latente no homem o sexo pelo sexo. Mas, graças a Deus, tem as exceções. Tem muito homem sério por aí sim, também querendo encontrar um amor de verdade.
Sei também que estamos no século XXI e as mulheres conquistaram a tão sonhada liberdade sexual e hoje literalmente agem em pé de igualmente como os homens. Não sei quem “pega” mais, se são eles ou elas. Acho que o amor passou a ser banalizado. Parece ser piegas você assumir que ama alguém. Que quer ser amada por uma única pessoa.
Meninas, não me importa com quantos (as) parceiros (as) você sai. Longe de mim julgar o comportamento sexual de quem quer que seja. A pessoa dá pra quem e quantas pessoas quiser. Se você é feliz agindo assim, quem sou eu pra dizer se é certo ou errado. Hoje, não concordo com esse comportamento, amanhã posso passar a pensar diferente, não sei.
Mas você deve estar se perguntando aonde eu quero chegar com esse moralismo. Eu quero apenas que entenda que se você procura PAIXÃO – Passione – Pasion (seja em qual língua for), você vai seguir pulando de galho em galho em uma busca sem fim por uma relação que consiga manter essa explosão, esse brilho, esse incêndio permanente.
Isabela querida não há uma fórmula para encontrar o AMOR. O nosso tempo não é o mesmo tempo de Deus. E quando chegar a sua hora, a pessoa certa vai aparecer de onde você menos espera. Não há regras, nem dicas. Só não pense que um príncipe encantado vai bater a sua porta. Procure novos amores, novas paixões, novos motivos que lhe dêem prazer e lhe façam feliz. Não estou falando de homem viu?! Tem uma frase que tenho fixada em uma das paredes da minha casa que quero dividir com vocês: “Pra gente ser feliz com alguém, primeira a gente tem que ser feliz sozinho” (Helena – novela Viver a vida). Trocando em miúdos: você tem que fazer tudo que lhe dá prazer, você tem que ter liberdade para fazer e escolher tudo o que quer, seja na vida pessoal ou profissional, para daí então, encontrar tempo para a pessoa que você ama. Cada um tem que ter o seu tempo, não devemos dedicar nossa vida exclusivamente para o nosso (a) parceiro (a).
E mais: primeiro encontre a felicidade dentro de você, depois que encontrá-la, acredite, vai ser mais fácil encontrar e amar uma outra pessoa.
Mas amiga não perca o foco, não idealize um homem perfeito, porque daí minha filha você nunca vai encontrar ninguém. Idealize um homem de carne e osso, com qualidades e defeitos e que simplesmente te faça feliz.
Isabela não tem quem não goste daquela fase da paixão, mas, ela NÃO dura. Quem quiser mantê-la a qualquer custo, vai ter sim, que pular de galho em galho, para no fim chegar à conclusão de que não existem fogos de artifícios no dia a dia do casal. Isso não quer dizer que a relação precisa ser morna e sem sal. Momentos especiais podem ser criados, basta produzi-los com criatividade que os fogos explodem, sim!
Enfim, há quem busque viver a paixão, há quem aposte no amor. O importante é ter consciência de que a paixão não é duradoura, ela se transforma, ou não, em amor. Existem pessoas que não são felizes sem essa paixão avassaladora, por isso trocam tanto de parceiros. Para essas, digo que a única solução é mesmo pular de galho em galho, e não vejo problema algum nisso, se os envolvidos estão felizes e não estão fazendo ninguém sofrer. Para as que curtem o amor, mas sentem falta da avalanche deliciosa da paixão, sugiro fugidas a dois, com surpresinhas que só as mulheres sabem fazer. A verdade é que o amor, como tudo na vida, não dura sem a dedicação de ambos, é claro!
Com carinho,
Lidiane Cattani Rabello - jornalista