Quem vê cara não vê Aids, nem DST
Lidiane, acho que você é minha salvação. Tenho 33 anos e comecei a sair com um rapaz há três meses. Foi amor à primeira vista, pelo menos da minha parte. Quando começamos a sair segui uma regrinha que tenho comigo: não ir para cama nos primeiros encontros. Mas, o grande problema de tudo isso é que na primeira vez que me entreguei para ele não usamos camisinha e pior, continuamos não usando. Eu tenho medo das DSTs, da Aids, da gravidez indesejada, mas também tenho medo de pedir pra gente passar a usar e ele não gostar e, pior, terminar comigo. O que eu faço? – Catarina – bairro Bello

Em primeiro lugar Catarina, que fique claro, neste espaço estou expressando a minha opinião, ok?! Que medo é esse menina? Você só conhece esse rapaz há três meses, como pode por em risco sua saúde, sua vida e de um serzinho que pode vir ao mundo por “acidente”, por uma pessoa que você mal conhece. Eu não sou nenhum poço de retidão, já fiz muita besteira e, não vou dizer que ainda não faça ou vá fazer. Mas, hoje ando pensando bem mais antes de ir pra cama com alguém.
Quando a gente é jovenzinha, pior, em qualquer fase da vida pensamos que somos envolvidos por um invólucro que nos protege de tudo. Gravidez, DSTs, Aids e por aí vai. Você mesma (o) que está lendo este artigo, me responda: quantas vezes você já transou sem camisinha segura de que gravidez, DSTs e Aids só acontece com os outros? Hipócrita quem responder que nunca agiu por impulso. Duvido quem nunca se jogou nos braços daquele (a) moreno, alto, bonito e sensual, sem pensar um segundo em se prevenir.
Engane-se quem pensa que rostinho e corpinho bonitos estão imunes de DSTs e Aids. Dinheiro no bolso e carro bacana também não te dão garantia nenhuma de que aquele (a) “bonitão (ona)” ou “bonitinho (a)”, são parceiros (as) saudáveis. Conheço muitas mulheres que saem, transam com esses rapazes, só por causa dos seus “bens”. Por isso eu digo mais uma vez: Se cuidem pessoal! Tanto os homens, quanto as mulheres.
Mas Catarina, vamos lá! Sexo não é só penetração. Tem todo um arsenal de preliminares e de carinhos durante e depois do ato. Pelo menos o sexo bem feito, que satisfaz uma mulher plenamente, precisa ser mais do que penetração. Isso não é novidade para nenhuma menina bem informada, dona das próprias vontades e de mente aberta, moderna, disposta a buscar um lugar para o prazer feminino na nossa sociedade ainda presa a tabus do passado. Mas, são justamente eles, os tabus do passado, que fazem com que pesquisas divulgadas pelo Ministério da Saúde, mostrem números alarmantes de meninas de todas as idades que na hora H ficam “com vergonha” de exigir do parceiro, seja ele free lancer ou fixo, para usar a bendita camisinha.
Meninas, o que é isso? Vivemos no século XXI, as mulheres conquistaram liberdade sexual até para trair em pé de igualdade com os homens no relacionamento e ainda se sentem constrangidas em pedir aos namorados, maridos ou amantes ocasionais que vistam a camisinha? Pior, nem quando elas traem mesmo, segundo a pesquisa do Ministério, elas usam camisinha com o amante!
Vamos acordar moças, que a frase “quem vê cara não vê Aids”, ou qualquer DST das tantas que existem na literatura médica, precisa virar um lema nas nossas vidas. E nada dessa desculpa de que transar com camisinha é como chupar bala com papel. Lembra das preliminares lá no começo da nossa conversa? Pois é minha cara, quando o negócio é bem feito desde o início, a camisinha não altera a satisfação final.
A confiança também não pode ser usada como moeda de troca na hora de negociar a camisinha. Confiança é a base de todo relacionamento e justamente por isso é que, homens e mulheres casados, noivos, namorados, ficantes que costumam manter relações, de vez em quando, fora da relação, precisam usar a camisinha com os seus affairs. Imagine você confiar no seu parceiro, ele saber disso, cair na tentação de transar com outra mulher e não usar camisinha com ela? Ou vice-versa. Se ele não faz nenhuma questão de usar camisinha com você, quem garante que ele vai usar com outra parceira?
A questão aqui, neste momento, não é fazer juizo de valor sobre quem mantém ou quem não mantém casos extra-conjugais. E também não me importa quantos (as) parceiros (as) você tem. Longe de mim julgar o comportamento sexual de quem quer que seja, mas vamos combinar que quando se vive uma relação estável, o mínimo que se exige é lealdade com o parceiro. E ser leal, no caso da Aids, das DSTs em geral ou gravidez significa se preocupar com a própria saúde e com a saúde do parceiro (a).
Quanto à gravidez, eu lhe pergunto: quantas mulheres engravidam por atos inconseqüentes? Mais uma vez longe de mim estar aqui para fazer qualquer julgamento. Mas menina quantas fórmulas existem para evitar uma gravidez indesejada? Não fique a mercê da própria sorte. Não substime o seu corpo. Nunca esteja convicta de que não vai engravidar. Ai ai ai amiga. Filho é coisa séria. A não ser que você queira? Daí é outra história. Mas será que seu parceiro quer ser pai? Será que seu futuro filho gostaria de não ter um pai presente?
Portanto, amiga a minha recomendação é: camisinha neles! Isso vale pra você, pra mim, pra ELES. Minha cara, se depois de tudo isso que te falei você ainda estiver preocupada se ele vai te deixar. Que deixe! Se ele não quiser usar, o problema não é seu é dele, vista a roupa e vai embora, ou se ele estiver na sua casa, faça vestir-se e mando-o embora. Já vai tarde! E o amor? Seja sincera menina! Três meses não é amor, é paixão, e paixão é como férias de verão, quando ela acaba o “amor” acaba junto.
Com carinho,
Lidiane Cattani Rabello - jornalista
