Nunca estamos preparados para a perda
Lidi, hoje estou com 30 anos e, desde os 15 anos vive com o primeiro e grande amor da minha vida. Mas, no ano passado ele resolveu terminar tudo. Simplesmente disse que o amor acabou. Estou sofrendo muito. Nunca imaginei que um dia isso fosse acontecer. Estou sem chão e precisando de uma palavra de consolo, uma orientação, um caminho, um ombro amigo pra chorar. B., do Berger.

B., a grande verdade é que nunca estamos preparados para a perda, seja a perda de um grande amor, de alguém próximo da família, de um amigo, ou seja, a perda de uma pessoa querida. Não estou falando de morte, mas sim da perda em vida, apesar de que também devemos estar preparados para esta perda.
Mas, respondendo a sua pergunta. Eu acredito que o grande problema talvez se coloque no fato de que as pessoas não preparam o coração para o fim de um relacionamento.
Busquei em Jorge Amado inspiração para escrever algumas palavras pra você. Ele já falava que para escrever um texto carregado de emoção era preciso estar emocionado na hora da escrita. E eu estou emocionada. Me sinto num momento, em que escrever sobre desilusão amorosa é fácil, como daqui um tempo, quem sabe, estarei mais preparada para escrever sobre histórias de amor que deram certo, ou outro assunto qualquer. B., acredito que talvez seja mais fácil falar às pessoas com o coração em frangalhos quando no momento se está compartilhando essa dor. A literatura é sempre uma forma de entendermos e organizarmos nossas ideias sobre o assunto. É complicado escrever sobre algo que não se entende, não se vive ou viveu. Mas, acho muito mais triste ver tanta gente de cara amarrada e não poder fazer nada. Por isso se falar no assunto ajuda de alguma maneira, então vamos falar, vamos por a boca no trombone. Mas amiga, não precisa ficar louca correndo atrás de alguém pra preencher este vazio. Senão você vai acabar só fazendo bobagens que pode vir a se arrepender depois. Ser solteira não é tão ruim assim. E também não precisa ficar arrasado por estar sozinha. Estar solteira é um estado provisório.
Agora vamos voltar ao ponto, nunca estamos preparados para o fim de uma relação. É compreensível. Pra início de conversa, ninguém se apaixona junto, ao mesmo tempo. Geralmente você começa a gostar de alguém e quando a pessoa também passa a gostar de você a relação tem seu início sacramentado. (srssrsrsr é assim mesmo gente). É pouco provável que as pessoas se apaixonem com a mesma intensidade no mesmo instante, atendendo ao horário oficial de Brasília. Assim também é o final de uma relação. O amor acaba primeiro pra uma das partes. Para a outra acaba depois. Em alguns casos, nunca acaba. É também muito pouco provável que o amor acabe junto nos dois corações. Infelizmente o amor termina a qualquer momento. E o coração da gente quase nunca está preparado.
Será que devemos estar eternamente preparado para o fim do amor e viver uma relação pela metade, constantemente ameaçada pelo final? Bom, eu prefiro amar profunda e apaixonadamente. A gente pode até sair ferido, mas é a única maneira de viver a vida plenamente. Não sou covarde, mesmo que ali na frente eu quebre a cara ou magoe alguém. Não vai ser a primeira, nem a última vez. Eu sempre digo: É melhor amar é perder, do que nunca amar, mesmo que a perda seja dolorosa. Não lembro quem é o autor, só seu que trago esta frase comigo desde a adolescência. Olha que já faz um tempinho. (rsrs)
Por isso minha cara, preparar o coração é coisa séria. É quase como preparar uma aposentadoria tranquila. (rsrsrs) A procura por mecanismos que ajudem a por fim a esta dor são muito maiores nas últimas horas dos finais de semana. A noite de domingo é cruel até neste ponto. Eu particularmente acho torturante. Desde quando eu era criança já não gostava de escutar a música de abertura do Fantástico. Parecia que o mundo iria acabar. (srsrsr). Note que durante a semana até a gente consegue “esquecer momentaneamente a pessoa amada”, porque tem o trabalho, os amigos, algum compromisso à noite, mas o final de semana, esse é cruel. (srsrs)
Eu sei que muitos buscam incansavelmente uma forma diferente de começar a segunda-feira com o propósito de por um ponto final nesta história, como se terminar uma relação fosse como começar uma dieta. Ou uma novena ou promessa. Não existe uma fórmula. Tudo está na nossa cabeça, somos nós que determinamos o tempo de dar um basta neste sofrimento. Não adianta conselho, reza, simpatia, nada. Só você pode se ajudar e por um fim nesse dilema. Só sei que uns sofrem de saudades, outros de solidão. Outros sofrem sem nem saber o motivo certo. Estão perdidos e sós. Acho que a solidão não obedece a preceitos canônicos, porque não conheço nem um santo para os solitários, somente santo casamenteiro. (srsrsrs)
B., sei que ninguém casa, já pensando na separação. Ninguém se envolve pensando que não vai dar certo. Sei também que quando se vive um momento feliz, com um amor que está sempre presente nas manhãs, nas tardes, nas noites e nas madrugadas, não passa pela nossa cabeça que um dia este relacionamento pode chegar ao fim. Mas é bom sempre estar com os pés no chão, não depositar integralmente a sua felicidade em outra pessoa, seja ela, marido (esposa), namorado (a), amigo (a), colega, familiares, patrão, ou quem quer que seja. Assim, a decepção não será tão grande, porque a gente só leva invertida de quem a gente ama e confia. Porque para o inimigo a gente não dá espaço, está sempre com um pé atrás.
Com carinho,
Lidiane Cattani Rabello - jornalista
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