3 de outubro de 2026
Rafael Seidel

13/12/2010

Por Rafael Seidel

Chuvas
Choveu muito neste final de semana em Caçador. Segundo o INEP, foram mais de 40 mm em menos de 24 horas, o que é, mais uma vez, uma quantidade enorme para o período. Aliás, esta semana, a chuva não deu trégua e, claro, os rios transbordaram e, como sempre, as pessoas vão buscar culpados para a “desgraça” alheia ou, em alguns casos, suas.

Só que existem algumas questões a serem ponderadas diante dessa situação. A primeira, e básica, é com relação à grande quantidade de chuva que caiu em todo o Estado. Diversos municípios decretaram situação de emergência e muitos estão desabrigados.

O que muitos argumentam é que se fosse feita a dita dragagem do Rio do Peixe, tudo seria resolvido, mas não é isso que acontece. A maior dragagem que foi feita aconteceu no início da década de 90. De lá para cá, várias enchentes aconteceram em Caçador. A maior foi em 1997, poucos anos depois das obras terem sido realizadas. Além disso, a dragagem, por si, cria um problema ambiental enorme, porque, com um afundamento do leito do rio, obviamente, menos água vai escoar, o que pode acabar refletindo negativamente para municípios mais “abaixo”, como Rio das Antas e Videira.

A outra questão é que, se fosse simples assim evitar enchentes, nenhum município do Brasil iria sofrer com este problema.

Podemos ponderar também no quesito culpa dos governantes, a quem muitos fazem questão de citar após qualquer desgraça da natureza (pasmem, mas até nos vendavais o prefeito foi taxado de culpado).

Pergunto: o que, no caso, o prefeito poderia fazer? Colocar uma lona em cima da cidade, como muito bem sugeriu um comentário irônico postado neste portal? Choveu demais. O rio encheu. As casas próximas foram atingidas.

Chegamos ao X da questão: Diversas famílias invadiram regiões onde, legalmente, não é permito morar. Defesa Civil e Prefeitura as retiraram várias vezes, mas de nada adianta. Insistem em voltar, com o argumento que querem morar mais perto do centro e constroem casas quase dentro do rio. Isso não é falta de opção, isso é falta de vergonha na cara.

O poder público faz a sua parte, mas os moradores não estão nem preocupados e querem ficar em seus barracos, abarrotados de crianças, cachorros e sujeira. Nesta enchente, se tentou levar as famílias atingidas para abrigos, mas não quiseram sair e, provavelmente, terão que ser retirados à força.

O que mais indigna é que esses moradores querem ajuda, assim como me pediu um deles ontem, mas essa ajuda (que no caso é dinheiro) vai servir para sustentar os vícios da cachaça e do cigarro. Isso mesmo, esse mesmo morador que pediu ajuda estava totalmente embriagado, fumando e reclamando da vida e das “otoridades” que não tomam uma providência.

Que existe um problema social, não se pode negar, agora, ficar culpando apenas governos e governantes é ridículo. Se existe uma parcela de culpa, ela tem que ser dividida com as pessoas que fizeram a opção de ir morar em um local de risco e, acima de tudo, proibido por Lei.

Lixo
Outro fator que deixa qualquer um indignado é a quantidade de lixo acumulado ao redor e dentro das casas. As pessoas convivem em um local imundo, com todo tipo de animais e muita sujeira. Uma grande parte do lixo foi levada pelas águas e a outra parte boiava por dentro dos barracos. Se é o “ganha pão” daquelas pessoas, que haja pelo menos uma organização. Não é porque são pobres que estão imunes a legislação. Alguma medida deve ser tomada, porque muito lixo desceu água abaixo. Se uma empresa poluir as águas, é multada. Agora, se essas pessoas fizerem isso, nada acontece?

Primavera seca
Me lembro da previsão da Epagri/Ciram para a Primavera de 2010: seca. Só faltou avisar São Pedro.

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