O PARADIGMA DO VOLUNTARIADO
Olá amigo leitor, hoje eu gostaria de expor uma questão que me intriga há muito tempo, mas deixo claro que este comentário faz parte da minha visão de mundo, pode ser que esta não seja uma verdade absoluta.
Eu trabalho com o voluntariado há mais de 10 anos, na área de Meio Ambiente, participando de ONGs, Conselhos, Associações; entre outras estruturas legais de organização voluntária. Entendo que neste caso o voluntariado não é somente doar-se gratuitamente em prol de uma ideologia ambiental, mas acima de tudo é uma contribuição social, um compromisso que todo cidadão deveria exercer em seu meio.
Decepciono-me cada vez que vejo menos pessoas participarem destas organizações. E muitos que participam, tendem a desenvolver interesses pessoais por trás deste envolvimento, podemos citar, entre outros, os interesses políticos, econômicos e profissionais. O voluntariado apenas pelo prazer de contribuir e de se sentir útil para o todo, é cada vez mais raro. São poucos os idealistas que defendem uma causa maior sem transpassar suas idéias conflitantes, com o real benefício da coletividade. Entendo que outro agravante neste contesto é o jogo de egos, um querendo aparecer mais que o outro, e assim, ocasionando atritos entre os voluntários e a desmotivação dos mesmos.
Confesso que no início de minha carreira na área ambiental, sentia certa necessidade de ver o meu nome e os projetos que desenvolvia sendo comentados entre as pessoas e junto à impressa, pois acreditava que de certa forma isso seria um meio de reconhecimento por minhas iniciativas e desempenho. Com a maturidade, acabei deixando esta compreensão de lado e apaziguando o meu ego, não que este nunca mais aflore, mas hoje, consigo compreender a diferença de egocentrismo e de reconhecimento profissional.
Outra coisa que podemos presenciar também é o grande número de pessoas que se dizem fazer parte de algum grupo de voluntariado, mas na prática fica só na lábia. Quando estas têm de comparecer para uma reunião ou participar de alguma ação voluntária (deixando os seus comodismos de lado), não comparecem. Penso que com isso podemos entender que muitos falam da “boca para fora”, mas não estão dispostos a colocar efetivamente a “mão na massa”.
Sair da cama num fim de semana congelante, para caminhar todo o dia ou até mesmo carregar peso, efetuando diversas ações para colaborar com uma atividade voluntária de Educação Ambiental, não é fácil! São poucos os que fazem este tipo de coisa e ainda sentem prazer por ter realizado algo pelo todo. Na maior parte das vezes nos deixamos dominar por desculpas esfarrapadas para motivar a nossa ausência nestes trabalhos voluntários.
Está na hora de quebrar alguns paradigmas de acomodação e pararmos de olhar somente para o nosso umbigo. É chegada a hora de pensar e agir como um todo, pois no fim esta é a grande verdade! Somos parte de um grande todo e temos um compromisso ético com este. Disse um filósofo da área da educação “a cada dia que passa fazemos de um todos e de todos, ninguém”. Estamos perdendo a nossa identidade coletiva, devemos refletir sobre isso.
Um grande abraço aos leitores e até a próxima!
Eng. Esp. Júlio César Moschetta da Silva